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eletrônico - PRIMEIRA EDIÇÃO - 16/10/2003
Temas desta edição:
CIDADANIA
CONCORRÊNCIA
CONSUMIDOR
ELABORAÇÃO
LEGISLATIVA
EXECUÇÃO PENAL
EXPLORAÇÃO
SEXUAL
INSTITUCIONAL
POVOS INDÍGENAS
SEGURANÇA
PÚBLICA
FOLHA DE S.
PAULO
COTIDIANO
Anistia exibe filme sobre violência no Rio
GAZETA
MERCANTIL
GAZETA DO BRASIL
Jovem da Febem no McDonald’s
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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COTIDIANO |
16/10/2003 |
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MARIA LUIZA
ABBOTT
DE LONDRES
A apresentação do documentário "Notícias de uma Guerra Particular", de
Katia Lund e João Moreira Salles, que mostra a violência nas favelas do Rio, na
noite de terça-feira, abriu a semana de eventos em Londres, organizada pela
Anistia Internacional como parte da campanha contra o comércio de armas no
mundo.
O objetivo da exibição é aumentar a consciência no exterior sobre o desrespeito
dos direitos humanos no Brasil, apesar de o país ser uma democracia, segundo
Tim Cahill, pesquisador da Anistia.
O discurso externo sobre a necessidade de seguir a legislação internacional e
respeitar o Estado de direito é apropriado e está aumentando o respeito pelo
país no exterior, mas internamente "o discurso e os métodos são
outros", diz Cahill. "A mídia e alguns Estados têm um discurso que
justifica a violência usada pela polícia no combate ao crime no país."
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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GAZETA DO BRASIL |
16/10/2003 |
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16 de Outubro de
2003 - Adolescentes de Campinas, Franca e Sertãozinho que passaram pela Febem
vão ter oportunidade de receber capacitação e ter o primeiro emprego nas lojas
do McDonald’s. É mais uma etapa da parceria entre Febem e McDonald´s, que teve
o projeto piloto implantado no município de Ribeirão Preto.
Alguns critérios foram definidos pela Rede McDonald''s para admissão dos jovens
da Febem em suas lojas: idade entre 16 e 22 anos, segundo grau completo,
estrutura familiar adequada e bons relatórios de desempenho nas atividades
pedagógicas da Febem. A partir desses critérios, os adolescentes serão
selecionados.
Caberá ao gerente da loja McDonald''s, depois de entrevistar os candidatos,
selecionar os que efetivamente iniciarão treinamento para contratação.
Treinamento
Os adolescentes passarão por um treinamento de atendente validado pelo Senac
após seis meses. Nesse meio tempo, estarão já contratados com registro pela
CLT, remunerados à razão de R$ 1,48 por hora, o que totaliza aproximadamente R$
250 mensais. Outros benefícios previstos são vale-transporte, vale-refeição,
porcentagem em participação dos resultados, seguro de vida, uniforme, plano de
carreira e, depois dos seis meses de treinamento, assistência médica e
odontológica. Todos selecionados terão acompanhamento de um conselho orientador
(Gazeta do Brasil12)(de São Paulo)
O ESTADO DE S.
PAULO
ECONOMIA
United tem reunião com BNDES e Varig sobre fusão
CORREIO
BRAZILIENSE
ECONOMIA
CPI investigará contradição
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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ECONOMIA |
16/10/2003 |
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Empresa quer saber se parceria da companhia brasileira na Star Alliance será
ameaçada
RENÉE PEREIRA
A americana United Airlines quer conhecer as bases do modelo de fusão das duas
maiores companhias brasileiras de aviação (Varig e TAM) para saber se a parceria
com a Varig pode ser ameaçada. Por isso, representantes da empresa, como o
vice-presidente, Graham Atkinson, e o diretor-gerente Benjamin Barrocas, se
reúnem hoje à tarde com técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) e com a Varig para discutir as bases do processo. A
preocupação deve-se ao fato de a TAM ter parcerias e estar sendo sondada por
outras companhias.
A Varig é uma das parceiras da Star Alliance - uma união entre grandes
companhias aéreas, como United, Air Canada e Lufthansa, entre outras.
Segundo Atkinson, a intenção é manter a empresa brasileira nessa parceria,
mesmo com a fusão e com a nova empresa que deve nascer deste modelo. Isso
porque, explica ele, o Brasil é a primeira economia da América do Sul. "Além
disso, a Star Alliance é a melhor opção para a Varig ou qualquer companhia que
seja criada", avalia ele. Mas o presidente da americana reconhece que a
Varig precisa passar por uma reestruturação como a United nos últimos anos.
Depois dos atentandos de 11 de setembro e da Sars (pneumonia atípica), a
empresa foi obrigada a fazer mudanças drásticas nas contas para manter-se viva
no mercado. O custo operacional da companhia, por exemplo, deverá ser reduzido
em 30% até 2005, de US$ 17 bilhões para US$ 12 bilhões. Atkinson diz ainda que
as iniciativas, como promoções lançadas, surtiram efeito no último verão,
quando a média de ocupação da empresa subiu dez pontos porcentuais, para 93%,
de julho a setembro.
Além disso, a United prepara para fevereiro o lançamento de uma nova empresa,
que atuará ao lado das companhias populares, que cobram tarifas baixas. A
companhia nascerá com quatro aeronaves e, por enquanto, atuará apenas nos
Estados Unidos. Aos poucos, a americana espera alcançar 40 aeronaves e novas rotas
de lazer. Segundo Atkinson, hoje 70% das rotas da United têm concorrência com
as companhias populares.
O vice-presidente da americana afirmou ainda que um dos focos da empresa hoje é
a criação de produtos que possam usar a sinergia entre companhias e produtos
voltados para clientes corporativos. Na passagem pelo Brasil, os representantes
da United visitaram grandes companhias, como ABN Amro e Scania, entre outros.
Outra iniciativa que vem sendo estudada é uma plataforma única entre os
integrantes da Star Alliance não só para reservas como também controle de
saída, mudança de reservas, entre outros serviços. A medida deverá representar
economia significativa para as empresas, explica Atkinson.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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ECONOMIA |
16/10/2003 |
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Deputados querem apurar o destino de uma mala de dólares apreendida em carro
pertencente ao dono da Golfo. Acusados apresentaram duas versões para o mesmo
fato
Arnaldo Galvão
Da equipe do Correio
Versões diferentes para o mesmo fato estão intrigando alguns deputados que
integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga acusações de
fraudes no mercado de combustíveis. No centro das atenções está o dono das
empresas Golfo e Fórmula, Dirceu Antonio de Oliveira Júnior, conhecido como
Major Dirceu. É dele o automóvel que foi apreendido com US$ 130 mil. Mas as
explicações não foram convincentes e ainda há muitas perguntas sem resposta.
O deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE) não está satisfeito com as explicações.
‘‘É preciso averiguar para que não paire nenhuma dúvida sobre a CPI’’, afirmou
Santiago.
Na manhã de 16 de setembro, a Polícia Rodoviária paulista teve de perseguir
dois homens que levavam US$ 130 mil. O Ômega preto blindado em que viajavam
tinha sido parado por um patrulheiro no quilômetro 250 da rodovia Anhangüera,
interior de São Paulo. Mas enquanto eram verificadas informações pelo rádio,
houve uma fuga. Aldemir Torquato de Araújo dirigia o carro. Estava acompanhado
do policial civil Marco Antonio Beolchi Adami que, por sua vez, tinha em seu
poder uma pistola Glock calibre 380.
O Correio teve acesso aos depoimentos que integram a investigação conduzida
pela Delegacia da Polícia Federal em
Araraquara (SP). O soldado da Polícia Militar Rodoviária José Renato Menegucci
foi o responsável pela primeira abordagem. Explicou que verificou o porta-malas
do Ômega e encontrou duas malas e uma sacola. Quando perguntou a Aldemir o que
havia na sacola, ouviu: um par de tênis. Mas encontrou grande quantidade de
dólares. O policial Adami, então, disse que o dinheiro seria entregue ao
deputado federal Gilberto Kassab (PFL-SP). Informou também que tinham saído de
São Paulo com destino a Brasília.
Os depoimentos dos soldados da Polícia Militar Luís Antônio de Lima Clemente e
Lorival de Carvalho Filho confirmaram a versão dada por Menegucci. Lorival
ainda disse que foi encontrado um bilhete destinado ao sr. Dirceu com o nome e
dois números de telefones de Álvaro Toledo, assessor do deputado estadual
paulista Edmir Chedid (PFL).
Desmentido
Kassab negou qualquer envolvimento com os fatos e também disse desconhecer os
motivos do seu nome ter sido citado. Depois de receberem vários telefonemas em
seus celulares e de estarem acompanhados por um advogado, Aldemir e Adami deram
outra versão ao fato, diferente daquela que forneceram logo que foram detidos
pelos policiais. Os dois ocupantes do Ômega afirmaram no inquérito que o real
motivo da viagem era a compra de um helicóptero Robinson R22 em Ribeirão Preto
(SP).
A dupla negou que o bilhete apreendido estava em seu poder e também que os
dólares tinham de ser entregues ao deputado Kassab, em Brasília. Rejeitaram a
versão pela qual o dinheiro seria levado para algum deputado da CPI dos
Combustíveis. O condutor do veículo, Aldemir, recusou-se a confirmar que tinha
um itinerário para a capital federal.
Quando prestou depoimento aos deputados da CPI, nove dias depois que Aldemir e
Adami foram detidos pela polícia paulista, Major Dirceu repetiu a versão pela
qual os dólares eram de Adami e serviam para a compra de um helicóptero em
Ribeirão Preto. O dono da Golfo reconheceu que o Ômega é da sua transportadora
(Camaro) e que tinha sido emprestado por um diretor da sua empresa chamado
Valter Bombardi.
Mas para o deputado Santiago, ainda há muito o que esclarecer. ‘‘É razoável a
hipótese pela qual o policial atuava como segurança nessa viagem e escoltava os
US$ 130 mil até Brasília. Mas se tinham de entregar o dinheiro ao deputado
Kassab, por qual motivo tiveram de viajar até Brasília? Esse parlamentar tem
como base uma cidade do interior de São Paulo’’, pergunta Santiago.
O número
Mistério
US$ 130 mil
foram encontrados no porta-malas do Ômega preto
JORNAL DO
BRASIL
BRASIL
Relator da MP quer responsabilizar empresa
FOLHA DE S.
PAULO
DINHEIRO
Lula tem pressa em lei de transgênico
O ESTADO DE S.
PAULO
GERAL
Transgênicos: decisão na semana que vem
VALOR
ECONÔMICO
1º CADERNO
Gabeira
CORREIO
BRAZILIENSE
BRASIL
Governo não chega a consenso
OPINIÃO
Contradições
ARI CUNHA
Transgênicos
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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Monsanto poderá responder por possíveis danos ao ambiente
Nelson Breve
BRASÍLIA - Relator da medida provisória que autoriza o plantio da soja geneticamente
modificada, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) quer responsabilizar a Monsanto
por qualquer dano ao meio ambiente ou à saúde humana que ocorra no futuro, em
conseqüência da introdução ilegal das sementes transgênicas no país. Ele afirma
que, se a empresa pretende cobrar pela utilização da tecnologia que
desenvolveu, tem também de ser responsável por todas as conseqüências do uso de
tal inovação.
A intenção é deixar claro na lei que substituirá a MP, após aprovação do
Congresso, que a cobrança de direitos de propriedade (royalties) tem de
implicar em responsabilidade para a detentora da patente. O texto atual joga a
responsabilidade sobre os produtores que plantarem a soja transgênica - tanto
pelo pagamento dos direitos de propriedade como pelas conseqüências ao meio
ambiente e à saúde humana.
- Se eles querem cobrar pelo direito de propriedade, têm de responder pelas
conseqüências - defende Pimenta.
Ele já admite fazer também ajustes no termo de responsabilidade que os
produtores terão de firmar para poder plantar a soja transgênica legalmente.
Para Pimenta, o modelo definido na MP pode dificultar a identificação das
lavouras, pois os produtores estariam com receio de tornarem-se réus confessos,
ao reconhecer que plantaram ilegalmente em safras anteriores.
O governo esteve concentrado ontem em reuniões sobre o assunto. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um encontro com oito ministros, o vice, José
Alencar, e o advogado-geral da União, Álvaro Ribeiro, para discutir o projeto
que modificará a Lei de Biossegurança, para regulamentar de maneira mais
consistente a pesquisa, produção e comercialização de transgênicos no país. Sem
conclusão, porém, o assunto voltará a pauta em reunião na semana que vem.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que participou da reunião, disse
que o governo está sofrendo agressões gratuitas por causa de preconceito e
desinformação. Rodrigues acha que o tema, que voltou à pauta por causa da
omissão do Ministério da Agricultura na fiscalização da colheita passada, está
''machucando muito'' o governo.
A Assembléia Legislativa do Paraná proibiu ontem o plantio, manipulação,
importação e industrialização de transgênicos no Estado até 2006. Estão
liberadas as pesquisas que vêm sendo realizadas pela Embrapa.
Com Agência Brasil
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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DINHEIRO |
16/10/2003 |
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A definição do anteprojeto de lei que definirá
o futuro dos transgênicos no Brasil foi adiada após reunião ontem de ministros
com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a reunião, Lula deixou claro que tem pressa em enviar ao Congresso o
texto definitivo do projeto da nova Lei de Biossegurança.
A principal divergência é a competência da CTNBio. Meio Ambiente e Saúde
defendem que os pareceres da CTNBio não podem dispensar o licenciamento
ambiental. Agricultura quer que esses pareceres sejam acatados como regra. (DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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GERAL |
16/10/2003 |
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Lula se reuniu ontem com ministros e marcou nova reunião para terça-feira
FABÍOLA SALVADOR
Em nova reunião ministerial, na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva deverá definir o projeto de lei sobre biotecnologia, informou em Brasília
o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. A reunião de ontem entre Lula e
dez ministros não foi conclusiva. Mas o governo tem pressa. À tarde, os
ministros continuaram discutindo o projeto.
Ao presidente, caberá a decisão final sobre o texto. Um dos pontos ainda
polêmicos é o papel da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Há quem defenda que tenha poder de dar pareceres conclusivos. Outros querem
preservar o direito de manifestação dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e
Agricultura.
O governo quer enviar ao Congresso um texto bem negociado porque enfrentará
dificuldades na votação do projeto e da MP-131 que liberou o plantio de soja
transgênica na safra 2003/2004. A começar por divergências na bancada do PT.
O presidente do partido, José Genoino, admitiu que terá "muito
trabalho", mas diálogo. "Tenho certeza de que chegaremos a bom
termo." Ele indicou que o partido vai liberar os parlamentares para votar
como quiserem. "O partido nasceu com pluralidade política e ideológica em
seu DNA."
Paraná - Rodrigues não quis comentar a decisão do Paraná de proibir os produtos
transgênicos até 31 de dezembro de 2006. Disse apenas que é uma decisão interna
de um Estado.
Em Curitiba, a aprovação da lei não foi bem recebida pelas entidades de agricultores.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) preferia que a discussão
fosse adiada, esperando a decisão nacional. "O Estado não pode legislar
contra o governo federal", disse o assessor da presidência da Faep, Carlos
Augusto de Albuquerque. . "Somos fortes em soja convencional.
Deixar entrar soja clandestina é pior que deixá-la existir legalmente."
O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, Emerson Jabur,
disse, por meio de sua assessoria, acreditar que a lei paranaense
"cairá".
(Colaborou Evandro Fadel)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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1º CADERNO |
16/10/2003 |
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O secretário-executivo do Ministério do Meio
Ambiente, Cláudio Langone, disse ontem no Rio que a saída do deputado federal
Fernando Gabeira (RJ) do PT "é importante" porque volta a chamar a
atenção para a aprovação do plantio da soja transgênica pelo governo federal, à
revelia da ministra Marina Silva. Langone disse lamentar a saída de Gabeira,
mas que respeita a posição do deputado, "similar à defendida pelo
ministério publicamente".
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se
reuniu ontem com 10 ministros para discutir o anteprojeto da Lei de Biossegurança
que o governo pretende encaminhar ao Legislativo até o fim do mês. O encontro
terminou sem consenso e nova reunião foi marcada para a próxima terça-feira.
Diante da polêmica, o presidente do PT, José Genoino, admitiu ontem que terá
‘‘muito trabalho’’ na discussão da Medida Provisória 131, que liberou o plantio
e comercialização da soja transgênica, e do projeto de lei de biossegurança.
Para ele, as divergências da bancada do partido em relação à biotecnologia
serão minimizadas com debate e muita discussão. ‘‘Tenho certeza que chegaremos
a um bom termo’’, afirmou Genoino.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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OPINIÃO |
16/10/2003 |
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Mauro Santayana
Jornalista
O Estado, como a própria palavra indica, é uma instituição permanente e
conservadora. Existe para o bem-estar e a segurança de todas as pessoas e a
sobrevivência da sociedade nacional, estabelecendo normas que garantam, ao
mesmo tempo, a liberdade e a ordem. Mesmo sendo permanente e conservador, em
sua essência, o Estado, como todos os instrumentos da vida, deve responder aos
desafios de cada tempo. Administrar o equilíbrio entre sua natureza essencial e
as exigências do futuro, ou seja, subordinar o transitório ao permanente, é
tarefa dos homens que, na representação da vontade nacional, exerçam o governo.
A própria vontade nacional é marcada pelo jogo dialético: nenhuma sociedade
política, como tal, admite a sua dissolução e a cessão de sua soberania a outra
sociedade política, mas exige participar das decisões globais que venham a
afetá-la. Enfim, governar é equilibrar-se.
O governo Lula está, como todos os governos sempre estiveram, atropelado pelas
contradições. É provável que os conflitos econômicos e políticos pareçam
maiores do que antes. Em primeiro lugar, é preciso não menosprezar o sentimento
ambíguo das elites com relação ao chefe de Estado. Em uma sociedade nova, como
a brasileira, a astúcia e a determinação dos pobres, na luta pela realização
pessoal, são vistas com admiração. Mas, ao mesmo tempo, as elites sempre
acreditam que podem, também com sua astúcia, cooptar os vencedores. É como se
dissessem aos emergentes que conseguem evitar as bolas pretas do Country Club:
você agora é dos nossos, trate de vestir-se bem e de não espirrar em público.
Dois temas servem para mostrar que falta faz um pacto pré-eleitoral que
estabeleça, claramente, o programa comum de governo. Para contrapor-se às
exigências do MST, Lula nomeou o empresário agrícola Roberto Rodrigues ministro
da Agricultura. Mas não se evitaram os conflitos e contradições. No caso dos
transgênicos, o ministro da Agricultura se opõe a parcela ponderável do
governo, que compreende personalidades diferentes, como a ministra Marina Silva
e o deputado Zequinha Sarney. A fim de atender aos grandes empresários da
indústria e do comércio, o presidente escolheu o ministro Furlan. O ministro
Furlan, como já declarou, não está de acordo com a posição brasileira no caso da
Alca e fez restrições públicas ao Itamaraty. Nesse caso, o conflito é mais
grave: Furlan está frontalmente contra a posição de Lula.
Esses dois ministros, por mais respeitáveis que possam ser, não vêem o Estado
como instituição permanente porque não entendem a sociedade como um todo: ao
representar a sua classe, defendem o transitório em prejuízo do permanente.
Pouco importa ao ministro Rodrigues que, daqui a duas ou três gerações, não
haja mais ordem na natureza, perturbada, em sua mais profunda intimidade, por
uma açodada manipulação genética, em favor de empresas multinacionais, como a
Monsanto: o que importa é a lucratividade imediata. Mais inteligentes, os
agricultores paranaenses perceberam que, nesse caso, o interesse permanente se
concilia com o transitório e, para garantir o imenso mercado chinês para a soja
natural, obtiveram, do governador Roberto Requião e da Assembléia Legislativa,
a proibição do plantio e circulação dos transgênicos no estado.
O ministro Furlan prefere subordinar a economia brasileira à dos Estados Unidos
e lhes entregar o nosso imenso mercado interno. Talvez não perceba o vitorioso
empresário que, ao fazê-lo, estará o governo renunciando ao nosso futuro.
Estaremos condenados a continuar pagando juros e royalties, importando tudo, de
medicamentos a equipamentos, privados de tecnologia e sufocados pelo dumping.
A questão da soja genética e a questão da Alca não podem ser resolvidas sem
ampla consulta à cidadania. Não se trata de medidas de efeito limitado ao atual
mandato presidencial, como os planos de investimentos.
O ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (que, como
secretário-geral, não participa das negociações da Alca) estão sendo atacados
em Washington e pelos porta-vozes de Wall Street no Brasil porque cumprem o
dever de homens de Estado: o de, no âmbito de sua responsabilidade funcional,
trabalhar pela sobrevivência e soberania da sociedade brasileira na procura do
equilíbrio entre a liberdade e a ordem.
Depois dos sucessivos desastres políticos e econômicos, que se refletem na
crescente oposição interna e externa a Bush, temos, ao lado de outros países
vizinhos, condições de defender melhor a nossa posição. A crise orçamentária,
apontada por vários analistas, entre eles Paul Krugman, e agravada pelas
despesas bélicas, apressa os Estados Unidos em seu projeto de contar com o
mercado continental mediante a Alca.
Como experiente negociador, o presidente sabe que o momento é oportuno para uma
posição firme, sem bravatas mas sem temores, para negociar com os Estados
Unidos. Sabe, também, que a desestabilização do chanceler Celso Amorim só
interessa aos adversários de seu governo, internos e externos.
Mesmo para os defensores da chamada Realpolitik, Lula e o Itamaraty estão
atuando como convém ao povo brasileiro.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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ARI CUNHA |
16/10/2003 |
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Produtores gaúchos estão animados com a redução
de custo da lavoura de soja transgênica no montante de 53%. Há muita gente de
olho aberto porque a qualquer momento a Monsanto poderá alterar os preços e
incluir o coquetel de herbicidas. Essa desconfiança provém do fato de, como
dizia o filósofo de Mondubim, ‘‘quando a esmola é grande, o cego desconfia’’.
JORNAL DO
BRASIL
BRASIL
Câmara aprova Lei de Falências
Dívida trabalhista gera impasse
O GLOBO
ECONOMIA
Nova Lei de Falências é aprovada na Câmara após oito anos
de tramitação
FOLHA DE S.
PAULO
DINHEIRO
Deputados aprovam nova Lei de Falências
Parte da bancada do PT vota contra
O ESTADO DE S.
PAULO
NOTAS E INFORMAÇÕES
'Ampliar' a Justiça nos currais eleitorais?
ECONOMIA
Câmara aprova alteração na Lei de Falências
GAZETA
MERCANTIL
POLÍTICA
Câmara dos Deputados aprova a nova lei de falência
VALOR
ECONÔMICO
1º CADERNO
Depois de 10 anos de tramitação, Câmara aprova Lei de
Falências
LEGISLAÇÃO&TRIBUTOS
A nova Lei de Falências e seus equívocos técnicos e
políticos
AGRONEGÓCIOS
Lei dos transgênicos na reta final
Decisão do PR alimenta guerra judicial
JORNAL DE
BRASÍLIA
POLÍTICA
Código Tributário é alterado
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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Dezoito petistas votam contra por entender que trabalhador foi prejudicado
Paulo de Tarso Lyra
BRASÍLIA - O plenário da Câmara aprovou, ontem, por 245 votos a favor e 24
contra, a Lei de Falências, que tramitava na Casa há dez anos. A votação seria
simbólica, mas a oposição pediu verificação de quórum. A alegação foi que o
relator, deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), acrescentou mudanças de última
hora no texto, sem o conhecimento dos deputados. Chegaram a ameaçar não votar o
projeto na noite de ontem.
- Por uma questão de responsabilidade, não podemos votar um texto tão sério,
que foi modificado diversas vezes. E mais essa - acrescentou o deputado Aloizio
Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Dezoito petistas votaram contra o projeto, alegando que os bancos estão levando
vantagem sobre os trabalhadores. O governo também conseguiu rejeitar todos os
destaques. A matéria segue para o Senado.
O projeto permite que empresas em situações de crise econômica possam
renegociar suas dívidas junto aos credores. O governo alega que a aprovação da
matéria permite a redução dos juros bancários, pois a taxa costuma embutir a
expectativa dos bancos em relação a possíveis calotes dos tomadores. A nova lei
aumenta as garantias dos bancos. Além disso, ao dar uma sobrevida às empresas,
o projeto garante empregos e a atividade econômica.
A Lei de Falências prevê que as empresas e credores têm 180 dias para fechar um
acordo que permita a chamada recuperação judicial, uma figura jurídica
inexistente na atual legislação.
Os empréstimos bancários feitos a exportadores, segundo o relatório aprovado -
as chamadas Antecipações de Contratos de Câmbio (ACCs) -, têm prioridade de
pagamento, inclusive sobre dívidas trabalhistas, tanto na recuperação quanto na
falência. O governo defende a prioridade, alegando que, se os bancos não
tiverem garantias dos empréstimos feitos, ficariam desestimulados a financiar
exportações, prejudicando o saldo da balança comercial brasileira.
Entre os credores da empresa, tanto na situação de falência, quanto na situação
de recuperação, os créditos trabalhistas têm preferência sobre os demais. As
dívidas serão negociadas sem limites por empregado.
Abaixo do créditos trabalhistas estarão, em igualdade, dívidas tributárias e
aquelas contraídas com bancos, investidores e financeiras que exigiram
garantias reais do tomador.
A nova Lei de Falências também inclui outras mudanças, como a definição de que,
no dia da decretação da falência, a dívida em dólar deve ser convertida para
real. A intenção é evitar que os empresários se beneficiem com variações no
câmbio, que poderiam trazer alterações ao montante real devedor do empresário.
Com a alteração do Código Tributário, em caso da decretação da falência da
empresa deverá haver pagamento paritário para fisco e banco. Na prática, quer
dizer o seguinte: se o empresário tem uma dívida de R$ 80 mil com a Receita e
R$ 20 mil com um banco, terá que pagar R$ 20 mil para cada um.
O governo retirou um ponto incluído pelo relator Biolchi que permitia a
empresas concessionárias de serviço público pedirem concordata. Isso evita, por
exemplo, que empresas como Varig peçam concordata. Empresas concordatárias ou
falidas poderão aderir à Lei até 120 dias depois da sanção do projeto, desde
que atendam a determinadas condições.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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BRASÍLIA - O governo mantinha, até o início da
noite de ontem, a disposição de votar o Código Tributário Nacional, apesar da
falta de acordo com o PFL. O Código cria a figura da recuperação judicial de
empresas em crise financeira. Abre espaço também para a votação da Lei de
Falências, na Câmara há dez anos.
O impasse estava no pagamento das dívidas trabalhistas. Para o governo, os
débitos têm prioridade sobre os demais pagamentos de empresários a credores. O
PFL queria incluir um limite.
- Sem limite, o empresário pode incluir um parente ou amigo como credor
trabalhista, pagar um montante enorme e deixar os demais credores sem recebem
nada - criticou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), autor do
projeto.
No substitutivo do governo, os créditos trabalhistas têm prioridade sobre os demais.
Em segundo lugar estão a União (Receita e Previdência) e outros credores, como
financeiras e bancos privados.
O texto do Planalto também muda as regras de renegociação para recuperação
judicial de empresas em crise. Antes, a intenção era deixar empresários e
credores livres para negociar os critérios de pagamento, prazos e hierarquia
para recebimento dos débitos. Agora, a negociação passa a ser especificada em
lei posterior. O Planalto também quer tornar indisponível os bens do
empresário, mesmo os que não forem declarados perante o juiz.
- Queremos evitar que, após a audiência, os sonegadores comecem a transferir
imóveis e bens não declarados anteriormente - afirmou o vice-líder do governo
na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS).
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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ECONOMIA |
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Valderez Caetano
BRASÍLIA. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 245 votos a
favor e 24 contra, o projeto da nova Lei de Falências, que vai dar lugar à lei
atual, datada de 1945. O projeto, que estava em tramitação há mais de oito
anos, segue agora para a apreciação do Senado. A nova lei substitui a
concordata por um plano de recuperação judicial de seis meses, para tentar
impedir falências das empresas em dificuldades financeiras.
A equipe econômica considera essencial a aprovação da Lei de Falências para
aumentar ainda mais a credibilidade dos investidores no país e reduzir juros
cobrados nos empréstimos bancários. A aprovação também foi uma das promessas do
governo ao FMI.
Em caso de falência, os créditos trabalhistas, a exemplo do que ocorre hoje,
continuarão sendo os primeiros a serem honrados. Também acabou o limite de R$
36 mil por trabalhador. As dívidas trabalhistas deverão ser pagas num período
de um ano. A nova lei prevê que os empregados se candidatem a acionistas das
empresas durante a fase de recuperação.
A nova lei estabelece, no entanto, que os débitos fiscais passam a ficar no
mesmo patamar de prioridade dos créditos que têm garantias reais, como é o caso
dos financiamentos bancários. Para cada real que a empresa pagar para a Receita
ou INSS, ela terá que pagar outro para o credor, com garantias.
— Há processos falimentares no Brasil que se arrastam por anos e anos. Esta é
uma lei que atualiza o processo de recuperação das empresas e pune quem
gerencia mal as suas empresas. A nova Lei de Falências dará uma contribuição
importante para reduzir o prêmio de risco dos empréstimos e financiamentos —
disse o líder do governo na Câmara, Nelson Pelegrino (PT-BA).
Cidadão terá prazo adicional de 90 dias para quitar dívida
A nova lei vai permitir que, antes de ir à falência, uma empresa passe por um
processo de recuperação com duração de seis meses que será coordenado por um
comitê formado por credores, empregados, e representantes do conselho de
administração da empresa. Durante este período, o comitê vai negociar o
parcelamento das dívidas com os credores e abrir novos créditos para que a
empresa possa se recuperar.
No caso do cidadão comum, a nova Lei de Falências determina que as pessoas que
estão inadimplentes por mais de três meses no financiamento de algum bem (como
veículos e casa própria) terão um prazo adicional de 90 dias para quitar a
dívida. Hoje a Justiça pode tomar o bem num prazo de cinco dias.
O projeto inicial da nova Lei de Falências, que passou por diversas
modificações, foi enviado ao Congresso pelo ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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DINHEIRO |
16/10/2003 |
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RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de dez anos de tramitação e de cerca de três meses de tentativas de
votação, a Câmara dos Deputados aprovou às 22h10 de ontem o projeto da nova Lei
de Falências, um dos compromissos assumidos pelo governo com o Fundo Monetário
Internacional.
Segundo o Palácio do Planalto, a lei vai facilitar a recuperação de empresas em
dificuldades, dará mais garantias aos credores e, em contrapartida, contribuirá
para a queda dos juros cobrados pelos bancos para dar empréstimos.
A aprovação ocorreu por 245 votos a 24, com 7 abstenções. Antes, foram
aprovadas alterações no Código Tributário Nacional, para adequá-lo à nova lei.
Os projetos agora vão tramitar no Senado e, caso aprovados, substituirão um
decreto-lei de 1945, que regulamenta o setor.
O PFL tentou na reta final da votação forçar o governo a dar maiores concessões
ao setor financeiro -o que acabou conseguindo em parte. Uma das últimas
alterações patrocinadas foi a de colocar os bancos e todos os demais credores
em pé de igualdade com o governo para receber o pagamento de recebíveis de
empresas em processo falimentar. As dívidas trabalhistas continuam a ter
prioridade de quitação.
Momentos antes da aprovação, os partidos de oposição se colocaram em obstrução,
ao afirmar que o relator, Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), teria incorporado mudanças
de última hora não-negociadas. Biolchi negou.
Uma das principais alterações propostas pela nova lei é a substituição da atual
concordata -espécie de moratória pedida pela empresa à Justiça até que seja
normalizado o pagamento de dívidas- por um processo denominado de recuperação
judicial.
O objetivo é evitar a quebra de empresas consideradas viáveis, mas que passam
por dificuldades momentâneas. A recuperação judicial terá prazo de 180 dias e
será feita por meio de acordo entre a empresa e uma comissão formada pelos
credores. Caso haja acordo, um juiz homologa um plano elaborado pela empresa
para recuperação. Senão, a empresa entra em processo de falência.
O governo acredita que a simplificação e alteração das regras vá facilitar o
recebimento, pelos bancos, dos empréstimos. Com risco menor, os juros podem
cair.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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DINHEIRO |
16/10/2003 |
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DA SUCURSAL DE
BRASÍLIA
Dezoito deputados da esquerda do PT, de um total de 93 integrantes da bancada, desobedeceram
a orientação da liderança do partido e votaram contra a Lei de Falências. Dois
se abstiveram. Eles distribuiriam uma declaração de voto afirmando que o
projeto é generoso com os bancos e prejudica os trabalhadores.
A nota diz que o projeto consagra "mais um dos paradoxos deste país
campeão das desigualdades sociais, quando impõe que os direitos daqueles que
recebem salários aviltantes sejam sobrepujados por garantias aos bancos".
"As alterações vão concorrer a favor do governo, que quer baixar
juros", disse o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que liderou as
negociações pelo governo.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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NOTAS E INFORMAÇÕES |
16/10/2003 |
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Que a Justiça
Federal tenha se transformado em um (mau) exemplo de morosidade e emperramento,
concentrando assim, de maneira exponencial, tudo o que mais se critica na máquina
judiciária brasileira, é uma verdade inconteste. Não se negará a urgência de
melhorias, seja em termos de pessoal ou de modernização de equipamentos, das
instâncias do Judiciário onde corram os feitos de especial interesse da União.
Nem por isso se justifica - ou, melhor dizendo, exatamente por isso não se
justifica - a verdadeira 'corrida' que vai tendo lugar, na Câmara dos
Deputados, para a indicação de municípios a serem "contemplados" pela
criação e instalação de 183 novas varas da Justiça Federal - que até 2008
implicarão a absorção de recursos públicos da ordem de R$ 400 milhões. São
municípios em que, o mais das vezes, não existe uma demanda de litígios que
justifique o pesado investimento público, em momentos de escassez e
contingenciamento.
A instalação de uma corte federal implica a montagem de complexa estrutura, que
abrange a nomeação de juízes, contratação de escreventes, analistas técnicos
judiciários, afora as despesas com locação ou compra de imóveis e os custeios
de manutenção. Mas os parlamentares - especialmente do Nordeste - que se
esforçam para "contemplar" suas bases eleitorais com as novas
unidades da Justiça Federal estão "de olho", justamente, nessa
estrutura, pelo que ela possa representar de favorecimento a aliados políticos,
com naturais repercussões eleitorais. Sob este aspecto tem razão o secretário
da reforma do Judiciário, Sérgio Renault, ao dizer que "é um
equívoco" confiar a deputados a definição sobre os municípios que devem
abrigar as 183 novas varas da Justiça Federal, esclarecendo: "O governo é
a favor da criação e da instalação das varas federais, desde que a medida seja
amparada em avaliação objetiva e critérios técnicos." É claro que dentro
de "critérios técnicos" ganha indiscutível relevância a quantidade de
processos que já estejam em curso em cada região - e não o potencial de votos
que possam obter, em cada região, os ilustres parlamentares, notadamente os
mais ligados à base congressual governista.
Mas há mais, quanto a essa tentativa de entumecer o Judiciário com finalidades
político-eleitorais: está em tramitação na Câmara dos Deputados um outro
projeto - uma emenda constitucional que pretende criar mais quatro Tribunais
Regionais Federais (TRFs), nos Estados de Minas Gerais, Amazonas, Paraná e
Bahia. Relatório já encaminhado aos ministros Antônio Palocci, da Fazenda, e
Guido Mantega, do Planejamento, indicam que cada novo tribunal vai representar,
no mínimo, gastos de R$ 93,9 milhões por ano - incluindo apenas as despesas com
pessoal (R$ 75,3 milhões) e atividades (R$ 18,6 milhões). Só que, além disso,
os novos tribunais também implicarão a locação ou construção de prédios
espaçosos, contratações e promoções em massa, estrutura de apoio com a admissão
de chefes de gabinete, analistas técnicos judiciários, servidores, mais a
aquisição de frotas de veículos, despesas de combustível de outros itens.
O colégio de líderes da Câmara elegeu esse projeto como de "alta
prioridade". Por quê? Será que de nada serve a opinião do Conselho da
Justiça Federal - colegiado formado por cinco ministros do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e pelos cinco presidentes dos tribunais normatizados pela
Constituição - que considera inoportuna a criação de mais tribunais, diante da
insuficiência de recursos orçamentários para os próximos exercícios, já
apontada pela equipe econômica do governo, e da prioridade do aprimoramento das
estruturas já existentes, como a dos Juizados Especiais Federais, que já
absorvem 830 mil processos, além das varas tradicionais e os cinco TRFs já em
funcionamento? Que sentido tem, por exemplo, criar-se um tribunal federal
regional no Amazonas, que ocupa o 20.° lugar no ranking dos Estados com maior
volume de processos - com 40.844 feitos em andamento - enquanto São Paulo, com
apenas um tribunal, tem um acervo de 1,22 milhão de ações?
Bem é de ver, por outro lado, que, por sobre as questões da estrutura física e
da disponibilidade de pessoal, seja nos juízos singulares, seja nos tribunais,
há vários outros gargalos - legislativos e, especificamente, processuais - que
entravam a Justiça brasileira, o que vale para a Federal e as demais. E isso,
que é capítulo essencial da tão comentada e prometida - mas nunca concluída -
Reforma do Judiciário -, é muito mais relevante do que esse frenesi pela
"ampliação" da Justiça, especialmente em vista dos espúrios
propósitos eleiçoeiros, aqui mencionados.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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ECONOMIA |
16/10/2003 |
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Legislação foi modificada para reduzir juros de empréstimos e permitir a
recuperação das empresas
JAMES ALLEN
BRASÍLIA – Em tramitação desde 1993, o projeto que altera a Lei de Falências
foi aprovado ontem na Câmara, por 245 votos a favor e 24 contrários. O texto
institui novos procedimentos para recuperar as empresas em vez de liquidá-las,
como determina a atual legislação, em vigor desde 1945. Defendida pelo ministro
da Fazenda, Antônio Palocci, como forma de reduzir os juros dos empréstimos dos
bancos às empresas, o projeto vai agora ao Senado para votação.
“Será uma lei de recuperação empresarial e não uma lei de falências”,
comemorava ontem o deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), relator do projeto desde
1995. O texto votado, juntamente com as mudanças no Código Tributário Nacional
para permitir a flexibilização do pagamento das dívidas tributárias, estabelece
a recuperação extrajudicial e judicial e um processo falimentar rápido para
tentar evitar a destruição do patrimônio das empresas e de modo a assegurar a
preservação de empregos e da estrutura produtiva, segundo a avaliação dos
integrantes da equipe econômica.
A possibilidade de a nova Lei de Falências influir na redução dos juros
cobrados nos empréstimos às empresas – o spread bancário – tem causado polêmica
desde que o governo anunciou ser esta a principal vantagem das novas regras. O
secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa,
afirma que as novas regras permitirão reduzir a insegurança sobre empréstimos
bancários, garantindo crédito mais barato para as empresas.
O ex-economista-chefe do Banco Central e hoje executivo do Banco Itaú Sérgio
Werlang afirma que “mais de um terço do spread é explicado pela inadimplência”.
Os outros dois terços seriam compostos pela incidência de impostos indiretos,
diretos, despesas administrativas e um lucro líquido de 18%. Werlang argumenta
que a inadimplência no Brasil é muito mais alta que em outros países. “O
resultado é que os bancos acabam repassando os riscos dos empréstimos para os
bons pagadores”, afirmou Werlang.
O plano de recuperação das empresas determinará a forma e os meios de pagamento
dos débitos da empresa, dando prioridade para as dívidas com os empregados, sem
limite de valor. O mesmo critério valerá para a fase de falência. A
possibilidade, no entanto, de a empresa em recuperação judicial pagar
primeiramente as Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC), usados nas
operações de exportações, por acordo ou por decisão da Justiça, levou parte do
PT a votar contra. Os deputados – entre eles o ex-líder Walter Pinheiro (BA),
Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP) – afirmam que a regra “sepulta
possibilidades de vitória dos trabalhadores na prioridade para os créditos
trabalhistas”.
De acordo com o vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS), a principal
vantagem da lei é a possibilidade de impedir que os empresários utilizem
recursos judiciais para protelar o processo falimentar.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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POLÍTICA |
16/10/2003 |
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Brasília, 16 de
Outubro de 2003 - Depois de dez anos de tramitação, projeto vai agora ao Senado.
A Câmara dos Deputados aprovou ontem por volta das 22h a nova lei de falência.
Quando a aprovação parecia certa, mudanças de última hora no texto feitas pelo
relator levaram a oposição a pedir o adiamento da votação. Mas afinal houve o
consenso e o projeto foi aprovado com 245 votos a favor, 24 contra e 7
abstenções.
O projeto da nova lei de falência estava na Câmara desde 1993 e no governo
petista foi alçado a prioridade como forma de modernizar a microeconomia do
País, evitar o desemprego e contribuir para a redução do spread bancário por
diminuir o risco de inadimplência das empresas ao sistema financeiro.
Inovações
A principal inovação da nova lei de falência, cujo relator é o deputado Osvaldo
Biolchi (PMDB-RS), é a criação da recuperação judicial, um mecanismo que
permite às empresas em dificuldade financeira montar um plano de reestruturação
de sua dívida com os credores, com prazos e regras livremente negociadas.
Apenas os créditos trabalhistas mantêm a preferência, como manda a lei atual, e
precisam ser pagos em 12 meses. Para evitar que o processo se arraste
indefinidamente, como ocorre nos processos de concordata atuais, o empresário e
todos os seus credores têm 180 dias para fechar esse acordo de pagamento. Se
não for possível, a falência da empresa será decretada imediatamente.
O novo projeto também limita o prazo do processo falimentar a cinco anos. A
nova lei ainda traz uma inovação para o pagamento dos créditos tributários em
caso de falência das empresas. Na lei antiga, ainda em vigor, os créditos
tributários devem ser pagos logo após a quitação dos créditos trabalhistas. Os
demais credores disputam o restante dos recursos da empresa.
Com a nova lei, o governo concordou que os créditos com garantias reais
(empréstimos bancários, por exemplo) disputem em igualdade de condição o
pagamento com os tributários, na proporção de um para um. Ou seja, para cada R$
1 pago à Fazenda pública, outro R$ 1 deve ser entregue aos bancos ou a quem
tenha garantia real.
Esse formato permite que o setor privado resgate parte do que emprestou ou
investiu na empresa falida, o que diminui o risco de calote aos bancos e ao
setor financeiro em geral.
No caso da recuperação judicial, o governo abriu mão de estabelecer preferência
sobre os demais credores (fornecedores e banos, por exemplo) e disputará com
fornecedores e bancos o pagamento de suas dívidas.
Forma de pagamento
A única restrição é na forma de pagamento. O empresário deverá quitar suas
dívidas tributárias conforme lei específica que será elaborada especialmente
para o caso das recuperações judiciais. Uma das grandes disputas durante a
negociação do projeto foi a preferência do Adiantamento de Contrato de Câmbio
(ACC). Ganhou a versão do governo, que estabelece que os ACC são exigíveis a qualquer
tempo por não pertencerem ao empresário. A regra só vale para os contratos
originais. Em caso de remarcação da data de vencimento, o contrato passa a
concorrer pelo pagamento com os demais créditos.
Segundo o governo, a vantagem no recebimento dos ACCs se dá porque o capital
recebido antecipadamente pelo empresário não lhe pertence e, por isso, deve ser
prontamente pago.
O projeto também prevê algumas regras para aumentar a segurança dos credores de
que receberão. Primeiro, tenta desembaraçar o processo de venda de parte ou da
empresa inteira. Em caso de venda de bens, o valor levantado fica indisponível
por um ano, e findo esse prazo, deve ser usado para quitar dívidas do falido.
Esse dispositivo tenta impedir que o empresário se aproprie de recursos com os
quais deveria pagar seus credores.
O projeto também prevê que empresas atualmente em processo falimentar ou
concordatárias podem aderir a nova lei desde que cumpram critérios previstos na
lei. O prazo para a opção é de 120 dias após a sua promulgação.
kicker: O governo disputará com fornecedores e bancos o pagamento de suas
dívidas
(Gazeta Mercantil/Caderno A7)(Clarice Brandão)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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1º CADERNO |
16/10/2003 |
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César Felício,
De Brasília
A Câmara aprovou ontem, por 245 votos a 24, o texto principal do projeto que cria
uma nova Lei de Falências, depois de dez anos de tramitação na Casa. A proposta
de 225 artigos, que segue para o Senado, é prioridade na pauta do Ministério da
Fazenda no Congresso desde o início do ano, porque facilita o recebimento dos
créditos de garantia real, do sistema financeiro.
Com isto, a expectativa é que se reduza o spread bancário, já que o risco da
inadimplência diminuiria. A previsão de sua aprovação consta na carta de
intenções ao FMI enviadas pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em
fevereiro deste ano. Todos os destaques foram rejeitados.
Pela nova lei, o mecanismo da concordata é substituído pelo processo de
recuperação judicial. Em seis meses, a empresa que requerer esta condição
precisa apresentar um programa de recapitalização para pagar sua dívida em
quatro anos.
O plano deve ser aprovado pelos credores, divididos em três categorias: com
garantias reais, trabalhadores e sem garantias. Em caso de insucesso, a empresa
fale e os ativos são vendidos para os pagamentos dos credores, sem que o
comprador herde as dívidas tributárias.
Dentro da base governista, a maior polêmica no projeto ontem se referia ao
pagamento dos adiantamentos de contratos de câmbio e outras restituições de
garantias reais em caso de falência. De acordo com o texto do relator Osvaldo
Biolchi (PMDB-RS), estes contratos podem ser considerados extra-concursais em
caso de falência ou de recuperação judicial, ou seja, são pagos antes de todos
os credores.
A condição é que não tenha havido no contrato alteração da data de vencimento
original. Vinte e quatro deputados do PT votaram contra a proposta por não
aceitar o dispositivo, por entender que ele prejudica a preferência garantida
ao crédito trabalhista tanto em caso de recuperação judicial quanto em caso de
falência.
Entre os oposicionistas, a maior resistência ao projeto estava na manutenção do
crédito trabalhista como privilegiado, mesmo em caso de recuperação judicial. A
empresa que reestruturar sua dívida dentro do novo modelo terá que destinar o
primeiro dos quatro anos do reescalonamento para saldar sua dívida trabalhista.
"O único crédito privilegiado na recuperação judicial é o
trabalhista", destacou Biolchi, ao encaminhar a votação. O relator fez
algumas mudanças de última hora. Determinou, por exemplo, a conversão para o
real dos créditos em moeda estrangeira no momento da falência, e não da
recuperação judicial. Para viabilizar a votação de ontem, a Câmara dos
Deputados aprovou horas antes, por 316 votos a três, o projeto que muda o
Código Tributário Nacional. Esta mudança foi feita por um projeto de lei
complementar, de status superior à Lei de Falências, que não poderia alterar um
Código. A proposta acaba com o mecanismo de sucessão tributária, a regra pela
qual o comprador de uma massa falida ou de bens de uma empresa em dificuldades
herda as dividas com o fisco do antigo controlador.
Sem a mudança no Código Tributário, a nova Lei de Falências ficaria
comprometida, já que seu objetivo central é facilitar a recuperação de créditos
amparados em garantias legais (majoritariamente do sistema financeiro) e
créditos trabalhistas, o que não seria possível mantendo caráter privilegiado
para os créditos da Receita. Com este projeto , quem arrematar em leilão uma
massa falida não herda as dívidas fiscais do antigo controlador.
A falta de acordo entre governo e oposição prejudicou a tramitação do projeto
que acabou com a sucessão tributária. O parecer inicial, do relator Aroldo
Cedraz (PFL-BA), criava um limite para o pagamento de créditos trabalhistas em
caso de falência da empresa. Por 224 votos a 77, o texto foi rejeitado.
Foi aprovado então um texto alternativo do vice-líder do governo, Beto
Albuquerque (PSB-RS), não só retirando a menção ao limite de pagamentos
trabalhistas como dando também tratamento privilegiado em caso de falência para
o pagamento das indenizações por acidente de trabalho. A proposta aprovada
ainda iguala em caso de falência o tratamento dos créditos tributários aos
créditos com garantia real, na ordem de prioridade de pagamentos.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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LEGISLAÇÃO&TRIBUTOS |
16/10/2003 |
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As médias empresas, sem os mesmos recursos para investir em intrincados
planos de recuperação, ficarão engessadas
Por Julio Kahan
Mandel
Após quase seis décadas desde sua promulgação - considerando o dinamismo da
sociedade e principalmente do comércio nestes anos -, não há discussão quanto à
urgência por mudanças na legislação falimentar brasileira. Mas, ao que tudo
indica, o projeto de lei em debate no Congresso Nacional para atualizá-la e
atender às expectativas do mercado corre o sério risco de causar uma grande
decepção assim que entrar em vigor.
O Governo Federal está apoiando efusivamente a aprovação de uma nova legislação
com o argumento de que uma maior proteção ao crédito bancário através da nova
Lei de Falências provocaria queda nos juros. Em minha opinião a premissa é
incorreta. O que inflaciona a taxa de juros não é o risco de inadimplência,
como defende o Governo Federal, mas sim a taxa atraente que ele, governo, paga
a seus credores, fazendo uma concorrência desleal com o mercado produtivo.
A reforma precisa ser efetuada baseada unicamente em critérios técnicos, ser
profícua para todo tipo de empresa (e não somente para as grandes) e sempre
levar em conta o tamanho continental de nosso país e as diferenças culturais e
financeiras de cada região.
Os muitos anos de experiência atuando exclusivamente no ramo e a oportunidade
de ter participado de parte dos trabalhos da comissão ministerial que elaborou
o anteprojeto da nova lei me asseguram algum crédito na certeza de que o atual
projeto, apesar de muito estudo, tem equívocos cruciais: técnico e político.
Entre os aspectos técnicos que merecem criticas estão as disposições
processuais e a ordem de preferência dos créditos. O legislador, inspirado em
anseios do Banco Mundial por uma legislação global unificada para todos os
países, criou a maravilhosa figura do plano de recuperação. Certamente este
ponto deverá beneficiar as grandes empresas, que poderão aderir à opção. Mas,
por outro lado, as médias empresas, sem os mesmos recursos para investir em
intrincados planos de recuperação, ficarão engessadas. Sem contar que no atual
projeto em discussão o futuro das médias empresas ficaria totalmente dependente
das decisões dos maiores credores - na maioria instituições financeiras que já
gozam de maior proteção na atual legislação se comparada aos credores comuns.
Outro ponto de suma importância, e que se não alterado deverá comprometer a
eficácia da nova lei falimentar para a sociedade, é a ordem de pagamento dos
créditos. O fisco não pode querer continuar a deter privilégios que não
condizem com o mundo moderno, onde as Fazendas se colocam em posição inferior
aos fornecedores. A opção é uma medida salutar para recuperar o crédito do
mercado, capaz de fomentar a circulação de riquezas e conseqüentemente
arrecadar novos impostos. Muitas empresas quebram não por estarem insolventes,
mas pela falta de liquidez. Em processo de recuperação, quando pressionadas por
uma alta carga de impostos, elas não resistem às execuções fiscais.
Somando-se, o atual projeto dificilmente será aprovado na íntegra pelas
pressões políticas que o relator vem enfrentando. Uma nova lei, que altera
integralmente a antiga, provoca uma verdadeira guerra de lobbies, na busca de
proteger determinados interesses de classe. Apesar de não haver nada mais
saudável do que a discussão para uma democracia, a experiência demonstra que
acabaremos herdando uma legislação complexa, de difícil aplicabilidade, e que
sacrifica os mais fracos, como é o caso das médias empresas e fornecedores, e
protege os mais fortes, bancos e governo.
Para se privilegiar a sociedade como um todo, não há necessidade de se alterar
toda a legislação atual, que traz termos e princípios consagrados. Vale sim
rever artigos que a atual jurisprudência já o fez e consolidá-los como lei com
base nas decisões jurisprudenciais existentes sobre a matéria. Como, por
exemplo, ampliar o prazo da concordata, criar a figura da desistência do
benefício, modernizar e atualizar os crimes falimentares e suas penas e
finalmente criar um novo dispositivo, que permita ao juiz homologar uma
proposta diferenciada de pagamento aos credores, desde que aprovada por pelo
menos 80% dos credores (em valores de créditos), respeitando a igualdade entre
os da mesma classe.
Nosso país merece uma lei mais simples, adequada a todos os tipos de empresas.
Capaz de ser aprovada imediatamente, atendendo a urgência do mercado e da
sociedade. Sem deixar brechas para grandes alterações do projeto através de
emendas e com tratamento às médias empresas coadunante com a realidade do país.
Mas, infelizmente, simplicidade e objetividade não têm entrado na pauta das
discussões no Senado Federal. Nem técnicas nem políticas.
Julio Kahan Mandel é sócio do escritório Mandel Advocacia e membro da comissão
de estudos legislativos sobre falência e recuperação de empresas da seccional
paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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AGRONEGÓCIOS |
16/10/2003 |
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Leila Coimbra e
Sergio Leo, De Brasília
O governo Lula terá uma reunião decisiva na terça-feira para estabelecer o
texto da lei que regulará a política oficial para os organismos geneticamente modificados
no Brasil. A lei, com normas genéricas sobre o assunto, determinará quem terá
autoridade para permitir as pesquisas, plantio e comercialização de
transgênicos. Em reunião, ontem, no palácio do Planalto, os ministros receberam
a minuta do projeto elaborado pela Casa Civil da presidência, e pediram um
prazo para formular sugestões. Lula quer enviar o projeto ao Congresso na
própria terça-feira.
Lula determinou aos ministros sigilo total sobre o assunto. A principal
divergência está no papel da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio), ainda o principal órgão regulador do assunto, com poder de decisão
sobre a questão.
Há propostas distintas sobre qual será o papel e a composição da comissão. O
projeto da Casa Civil estabelece que um Conselho de Ministros terá a decisão
final sobre os assuntos relativos aos transgênicos, a partir dos pareceres da
CTNBio. Depois da decisão do CTNBio sobre a pesquisa e o plantio de sementes, o
Ibama faz o licenciamento ambiental e a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura emitem seus próprios pareceres
técnicos.
A CTNBio tem hoje 18 membros titulares e 18 suplentes, onde seis ministérios
têm representação: Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Saúde, Educação,
Relações Exteriores e Agricultura. Compõem o conselho da comissão oito técnicos
cientistas, membros da sociedade civil (direitos do consumidor) e do setor
empresarial.
O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João
Paulo Capobianco, disse que o objetivo do projeto é reorganizar toda a
legislação referente aos transgênicos. "Esse projeto vai estabelecer o
marco regulatório adequado sobre a questão, sem margem à dúvida". Ele
participou da reunião no Palácio do Planalto ontem. Ele disse que o projeto não
trata só de transgênicos, mas também de biossegurança e biotecnologia. "A
minuta do projeto foi apresentada aos dez ministros presentes, e eles
solicitaram tempo para análise e sugestões", afirmou o secretário.
Participaram da reunião o vice-presidente José Alencar, os ministros José
Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Marina Silva (Meio
Ambiente), Roberto Rodrigues (Agricultura), Miguel Rossetto (Desenvolvimento
Agrário), Luiz Gushiken (Comunicação), Antonio Palocci (Fazenda), Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Humberto
Costa (Saúde), além de Álvaro Ribeiro da Costa (Advocacia-Geral da União).
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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AGRONEGÓCIOS |
16/10/2003 |
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De São Paulo
Pode gerar ainda mais confusão judicial a proibição aos transgênicos aprovada
pela Câmara Legislativa do Paraná na quarta-feira. Para alguns especialistas, a
medida é inconstitucional, pois descumpre uma lei federal.
"Existe uma lei no Brasil que estabelece normas e fiscalização e,
portanto, autoriza a biotecnologia no país", afirma a advogada Patricia
Fukuma, especialista no assunto, referindo-se à Lei de Biossegurança. Mesmo
contestada pela Justiça, a lei que estabelece os poderes da Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio) continua em vigor.
Segundo a advogada, os Estados da federação também podem legislar sobre os
assuntos que dizem respeito à produção agrícola, mas apenas de forma restritiva
e se possuem alguma particularidade. Nesse caso, poderia ser, por exemplo, uma
espécie nativa de soja. "Não é o caso do Paraná", diz a advogada.
Mas o deputado estadual Elton Welter (PT), autor da lei, defende que não há
inconstitucionalidade, porque os Estados podem legislar de forma complementar.
"Adotamos o princípio da precaução. Há uma restrição no mercado consumidor
para grãos transgênicos e para carnes de animais alimentados com esses grãos",
afirma o deputado. Ele acredita que haverá vantagens comerciais no médio e no
longo prazos para o Paraná por ser uma área livre de transgênicos. "É um
selo de qualidade para a nossa produção", defende Welter.
O Paraná adotou uma moratória para o plantio e a comercialização dos
transgênicos até 31 de dezembro de 2006. A medida não impede que a soja
transgênica gaúcha, liberada pela Medida Provisória 131 na safra 2003/04,
transite pelo Estado. Mas veta a exportação desse grão pelo porto de Paranaguá,
o mais utilizado no país para os embarques de soja. "Não queremos
transgênicos no nosso porto", diz Welter.(RL)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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POLÍTICA |
16/10/2003 |
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A Câmara
aprovou, ontem por 316 votos a três, alterações no Código Tributário Nacional
(CTN) para adequá-lo à nova Lei de Falências. Até o fechamento dessa edição, o
projeto de lei ainda não havia sido votado, mas o líder do PFL, José Carlos
Aleluia (BA), informou que um acordo entre a oposição e o governo
possibilitaria a votação dos destaques ao CNT e da Lei de Falências.
A nova lei tramita há 10 anos na Câmara e somente este ano o governo ensaiou
três vezes antes de conseguir colocá-la em votação. O principal avanço da lei é
a substituição da concordata pela recuperação judicial. Enquanto, as empresas
passam anos em concordata sem pagar seus credores até que seja definida a
falência, na recuperação judicial, o devedor tem até seis meses para construir
um plano de recuperação – com calendário de pagamentos – que agrade a pelo
menos os credores de metade da dívida de cada classe, trabalhistas, de crédito
e sócios.
No caso do plano ser recusado pelos credores, o juiz poderá decretar a execução
do plano se metade de todos os credores aceitarem ou definir a falência. Nesse
caso, durante o processo de falência os ativos da empresa serão alienados. De
acordo com o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), a transferência de bens
durante o processo de falência será crime. Os trabalhadores terão prioridade no
recebimento das dívidas seguidos das dívidas tributárias.
O GLOBO
RIO
Prefeitura retoma convênio com governo estadual
O ESTADO DE S.
PAULO
CIDADES
Investigador é transferido para presídio de Avaré
Rebelião na Febem acaba após cinco horas
CORREIO
BRAZILIENSE
CIDADES
Na frente da fila
Uma lei para o trabalho penal
Mais de 500 presos esperam benefício
Promotor exige escolta para Tomás
Justiça ouvirá condenados
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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RIO |
16/10/2003 |
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Gustavo Goulart
O coração do prefeito Cesar Maia está saindo do poço de mágoas em que se
encontrava desde o mês passado. Na noite de anteontem, numa reunião com o
secretário estadual de Administração Penitenciária, Astério Pereira, no
Planetário da Gávea, o prefeito decidiu retomar o convênio assinado em maio com
o governo do estado para projetos voltados para o sistema penitenciário. O
acordo prevê a liberação de R$ 57 milhões para uma série de projetos, incluindo
a construção de presídios. Cesar, no entanto, fez uma ressalva: quer obras com
licitação e não realizadas em caráter emergencial, como vinha ocorrendo.
Segundo Astério, ficou acertado na reunião que, no lugar de cinco presídios com
capacidade para 2.880 internos, serão construídas quatro unidades para 3.104
presos, além de dois hospitais em Bangu.
No encontro, Cesar Maia não teria feito referência a um outro convênio, ainda
não assinado com a Secretaria de Segurança, para a liberação de R$ 43 milhões —
totalizando investimentos de R$ 100 milhões no estado — para a construção de um
batalhão da PM na Barra e a compra de armas e uniformes. Em setembro, depois de
o secretário de Segurança, Anthony Garotinho, reclamar da prefeitura por não
ter repassado o dinheiro para as obras, Cesar suspendeu os dois convênios.
Astério se disse contente com a retomada do convênio, mas ressaltou que o
caráter emergencial dado inicialmente às obras fora pedido pela secretária
municipal de Habitação, Solange Amaral. Segundo ele, Solange argumentava que
tinha pressa na empreitada (com os novos presídios, o plano é desativar o
complexo da Frei Caneca, cujo terreno será cedido à prefeitura para a
construção de um condomínio).
Também ficou acertada, segundo Astério, uma fiscalização conjunta em todas as
etapas do convênio.
Cesar, por e-mail, comentou a iniciativa. “Decidiu-se que o convenio poderia
ser reativado desde que as penitenciárias fossem licitadas usando o processo de
orçamentação da prefeitura (...) e com acompanhamento e fiscalização conjuntos.
Para isso, o convênio, que era omisso nessas questões, terá que ser aditado”,
diz o e-mail.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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O investigador Ivan Raymundi Barbosa foi
transferido para o Penitenciária de Avaré, no interior, onde estão acusados de
tráfico, roubo a banco, seqüestro e assassinato, entre outros crimes. O
policial, que foi preso acusado de envolvimento com o contrabandista Roberto
Eleutério da Silva, o Lobão, vai ficar isolado no Regime Disciplinar
Diferenciado (RDD). Ivan é o primeiro policial civil transferido para um
presídio comum. Ele teria ainda, do Presídio da Polícia Civil, ameaçado uma
testemunha, usando um celular.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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ASSINA/ASSINADurou cinco horas a rebelião
iniciada pelos 98 internos da unidade 22 da Fundação Estadual do Bem-Estar do
Menor (Febem), na Rodovia Raposo Tavares, na noite de anteontem. Os
adolescentes fizeram seis monitores reféns. Funcionários dizem que três foram
agredidos, mas a informação não foi confirmada.
O principal motivo para a rebelião foi o anúncio da transferência de dois
internos para Franco da Rocha. A unidade 22 tem infratores que cometeram
delitos graves. Os jovens também queriam visitas íntimas, refrigerantes de
melhor qualidade e fim dos uniformes.
A rebelião começou às 21 horas, quando três internos, incluindo os dois que
seriam transferidos, dominaram seis monitores. Eles tomaram as chaves e
libertaram os demais.
PMs foram para lá e o diretor da unidade, Carlos Roberto Robles, conduziu as
negociações. Às 22h30, um refém foi libertado. À 1 hora, chegou a Tropa de
Choque, que entrou duas horas depois e libertou os reféns. (José Luís
Dacauaziliquá)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Assassinos do índio pataxó ganharam benefício aguardado por 538 condenados que
estavam em condições de trabalhar fora da prisão. Aumenta o debate sobre
aplicação de penas para reinserção social
As imagens do passeio de três condenados do
caso Galdino pelas ruas de Brasília acirraram um amplo debate sobre a aplicação
e fiscalização das penas de reinserção social para presos. Max Rogério Alves,
Eron Oliveira e Antônio Novely, criminosos condenados a 14 anos em regime
fechado pela morte do índio pataxó, gozam de um benefício aguardado por 538
réus punidos pela Justiça. Passaram na frente de uma fila de condenados que
aguardam uma chance para se reintegrar à sociedade. O diretor da Fundação de
Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), Adalberto Monteiro, justifica o benefício
concedido pelo perfil socioeconômico dos assassinos de Galdino. O mesmo perfil
que até dois dias atrás lhes permitia dirigir com carros próprios, tomar
cervejas em bares no Plano Piloto e freqüentar faculdades. Embora os advogados
de defesa aleguem uma ‘‘fraqueza humana’’, os três rapazes cometeram um
flagrante desvio de conduta e desobediência à lei. E por isso perderam
provisoriamente o benefício a que tinham direito. ‘‘Houve uma distorção.
Vivemos hoje um novo momento no Brasil. É um período de obediências às normas
jurídicas. O que houve foi um retrocesso a isso’’, condenou Marco Aurélio de
Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal. Exatamente para evitar abusos como
os cometidos pelos algozes de Galdino, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara
dos Deputados estuda a aprovação de um projeto que regulamente o trabalho
externo e interno de presos. O cumprimento das execuções também passa pela
fiscalização: hoje o sistema penitenciário nacional carece de meios para
verificar o que fazem criminosos no horário do expediente longe dos presídios.
A 560 quilômetros de Salvador (BA), a família de Galdino Jesus dos Santos teve
um reencontro com a dor de perder um parente. Na aldeia que abriga 425
famílias, Minervina Maria de Jesus, mãe do pataxó assassinado em Brasília,
visitou o túmulo de Galdino. E chora pela tragédia que vitimou o filho. ‘‘Eu
gostaria que eles (os assassinos) viessem aqui para conversarmos. Queria que
eles ouvissem e soubessem o vazio que sinto’’.
NA ESPERA
538 presos aguardam a oportunidade de trabalhar fora do presídio 12 condenados
em regime fechado desfrutam do benefício no Distrito Federal
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Presidente da Comissão de Direitos Humanos
da Câmara dos Deputados propõe criação de projeto único para evitar distorções
na aplicação de benefícios a presos. Maior dificuldade é fiscalizar aplicação
de penas
Thiago Vitale Jayme e Ana Helena Paixão
Da equipe do Correio
Estarrecida com os abusos cometidos pelos assassinos do índio pataxó Galdino
Jesus dos Santos, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
resolveu agir. Na próxima semana vai iniciar um esforço para aprovar projeto de
lei que regulamente melhor os trabalhos externo e interno dos presos
brasileiros.
‘‘O episódio demonstra o estado preocupante do sistema prisional no Brasil,
onde a política de trabalho dos presos é definida de acordo com a força de
influência econômica ou política, como acontece neste caso’’, disse o
presidente da comissão, deputado Ênio Bacci (PDT-RS).
O parlamentar diz que a idéia de definir uma nova legislação para o trabalho
dos presos não é nova. Várias denúncias semelhantes de distorções chegaram à
comissão. Há quase duas dúzias de projetos na comissão que tratam do assunto.
‘‘Mas com a reportagem publicada por vocês (Correio/Estado de Minas), isso será
acelerado. Já estamos com uma série de projetos em mãos e vamos iniciar os
esforços o mais rápido possível. É preciso acabar com os privilégios.’’
A comissão seguirá o exemplo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
Câmara na questão do desarmamento. Num primeiro momento, os deputados analisam
os projetos da pauta. Em seguida, discutem os pontos de consenso para juntá-los
em um único projeto, que será votado e encaminhado ao plenário.
Crimes mais leves
Ênio Bacci criticou a forma como os autores do crime contra Galdino eram
tratados com regalias. ‘‘Não somos contra o serviço dos presos. É um direito
deles. Mas tenho certeza que há muita gente na fila para ganhar o direito de
trabalhar e estudar fora. E a maioria deve ter crimes até mais leves do que os
deles’’, afirmou.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello aprova a idéia
de se fazer uma nova lei para regular melhor a questão do trabalho dos presos.
‘‘Mas não podemos fazer uma legislação simbólica, que fique apenas no papel.
Precisamos de uma concretude. Às vezes, queremos dar uma resposta à sociedade a
determinados episódios. Mas precisamos saber se a estrutura prisional tem
capacidade para se adequar à lei.’’
O ministro criticou a atitude dos assassinos. ‘‘Houve uma distorção. A falta de
fiscalização é grave. Vivemos hoje um novo momento no Brasil. É um período de
obediências às normas jurídicas. O que houve foi um retrocesso a isso’’, disse
Marco Aurélio.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
também criticou o episódio. ‘‘O controle material da legalidade do cumprimento
das penas é fundamental. Sem esse controle, a lei de execuções penais se torna
uma obra de ficção, como se vê nesse caso concreto’’, disse. Bastos é defensor
aberto da necessidade urgente de uma reforma no sistema Judiciário brasileiro.
Decisão correta
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo, Carlos
Miguel Aidar, elogiou a revogação dos direitos feita pelo juiz Aimar Neres de
Matos. ‘‘Foi uma decisão bastante correta.’’ O jurista disse que a fiscalização
cabe ao Estado. ‘‘Quem tem de verificar se tudo está indo bem é o diretor do
presídio e o juiz de Execuções Criminais. O problema é que falta estrutura’’,
afirmou.
Sobre a decisão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de aprovar nove
legislação para o trabalho prisional, Aidar reclamou. ‘‘Estamos sempre correndo
atrás do prejuízo, né? Sempre. Mas isso é possível. Podemos criar normas mais
rígidas, reduzir o horário de permanência fora da prisão, por exemplo.’’ Assim
como o ministro Marco Aurélio, Carlos Aidar pede que seja primeiro verificado
se há condições de obedecer às novas normas.
O presidente do STF, Maurício Corrêa, preferiu não falar sobre o assunto.
‘‘Isso é um problema eminentemente do juiz da Vara de Execuções que eu não
opino’’, disse.
Principais pontos do Caso Galdino
Novely e Eron se encontravam com amigos e namoradas quando estavam fora do
presídio. Atos desobedem determinação da Justiça
CONDENAÇÃO
No dia 10 de novembro de 2001, o Tribunal do Júri do Distrito Federal votou
pela condenação de Antonio Novely Cardoso de Vilanova, Max Rogério Alves, Eron
Chaves de Oliveira e Tomás de Oliveira pela morte de galdino. O júri concluiu
que eles cometeram homicídio triplamente qualificado (crime hediondo), por
motivo
torpe (diversão), de forma cruel (uso de fogo) e covarde, sem dar chance de
defesa à vítima.
O índio Galdino Jesus dos Santos morreu quando estava dormindo, no dia 20 de
abril de 1997. A juíza Sandra de Santis fixou a pena em 14 anos, em regime
fechado.
REGALIAS NO PRESÍDIO
O Correio publicou reportagem no dia 26 de setembro de 2001 em que os quatro
condenados recebem tratamento privilegiado no então Núcleo de Custódia de
Brasília (NCB). Eles cumpriam pena numa biblioteca desativada transformada em
dormitório desde 1997. Tinham banheiro com chuveiro de água quente e vaso
sanitário. As outras celas têm apenas um buraco no chão.
PERMISSÃO PARA TRABALHAR
No dia 26 de abril de 2002, o Tribunal de Justiça do DF concedeu permissão para
que os condenados trabalhem fora do presídio O juiz Eduardo Henrique Rosas,
titular da Vara de Execuções Criminais (VEC) do Distrito Federal em 2002 —
responsável pelo acompanhamento das sentenças —, resistiu a dar os benefícios.
Mas os rapazes recorreram. O caso foi parar na segunda instância do TJDF.
PERMISSÃO PARA ESTUDAR
Tomás e Eron começaram a estudar na Universidade Católica de Brasília (UCB),
com bolsa integral no início deste ano. Cursavam Administração e Engenharia
Ambiental, respectivamente. É um benefício concedido normalmente pela UCB a
outros presos. Em maio deste ano, o Ministério Público conseguiu reverter a
decisão do TJDF alegando erro processual. A autorização para Tomás e Eron foi
cancelada. Max Alves e Antônio Novely ainda têm autorização para estudar.
AS SAÍDAS DOS ASSASSINOS
O Correio divulgou na terça-feira imagens exclusivas em que três dos quatro
assassinos do índio pataxó entram e saem do presídio da Papuda sem revista nem
escolta. Eles também freqüentam bares, bebem cerveja e encontram-se com amigos
e namoradas. Os condenados voltam para o presídio da Papuda no final da noite dirigindo
os próprios carros. Novely é filho de juiz federal. Max é enteado de
ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eron e Tomás são filhos de
funcionários públicos. Os quatro condenados pela morte do índio Galdino
trabalham em órgãos públicos, em funções administrativas.
A SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO
O juiz Aimar Neres de Matos, da Vara de Execuções Criminais, suspendeu na
terça-feira, em caráter provisório, os benefícios concedidos pela Justiça aos
condenados. Na decisão, motivada por matéria publicada pelo Correio na edição
do mesmo dia, o juiz ressaltou que as condições impostas aos três condenados
pela morte do índio Galdino Jesus dos Santos foram descumpridas.
AS INVESTIGAÇÕES
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal instaurou na terça-feira
sindicância para apurar irregularidades no cumprimento dos benefícios judiciais
concedidos aos quatro assassinos. As investigações serão feitas pela
Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF e acompanhadas por um promotor de
Justiça do Ministério Público do DF. No dia 14 de dezembro, a subsecretaria
terá de apontar quais as infrações cometidas e os nomes dos responsáveis pelo
desvio do trajeto obrigatório dos detentos: prisão-trabalho-faculdade-prisão.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Os assassinos do pataxó faziam parte do restrito grupo de 12 apenados do
regime fechado que trabalham
Ana Helena
Paixão e Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
Até a última terça-feira, Eron Chaves, Max Rogério Alves e Antônio Novely
Vilanova gozavam do benefício de estudar e trabalhar fora do Complexo
Penitenciário da Papuda. Eles ganharam uma autorização que é aguardada por 538
condenados que também estavam em condições de concorrer por uma vaga em
trabalho externo. Max, Eron e Novely aproveitaram a chance para tomar cerveja,
namorar e passear pelas ruas de Brasília nos intervalos entre trabalho e estudo
Com a suspensão provisória dos benefícios, os três assassinos de Galdino
desperdiçaram uma chance de reinserção social extremamente disputada no sistema
penitenciário. Nada menos que 538 detentos dos regimes semi-aberto, liberdade
condicional e prisão domiciliar esperam há anos a oportunidade de voltar ou
ingressar no mercado de trabalho.
‘‘Eles (os três rapazes) conquistaram as vagas na frente dos demais porque têm
um bom nível de escolaridade e conhecimento em informática’’, explicou
Adalberto Monteiro, diretor-executivo da Fundação de Amparo ao Trabalhador
Preso (Funap). De acordo com o diretor, esses eram os pré-requisitos exigidos
pelos empregadores dos rapazes. ‘‘Nem todos os apenados que esperam uma vaga
atendem a esses requisitos. Além da posição na fila de espera, o perfil define
o escolhido.’’
Sem substituto
Pelo menos 38 presos do regime semi-aberto já poderão se candidatar aos cargos.
Eles concluem o curso de informática ministrado pela fundação — requisito
indispensável aos sucessores de Eron, Novely e Max. As direções do Hospital
Regional da Asa Norte (ran), Ministério do Trabalho e Companhia de Saneamento
do Distrito Federal (Caesb) ainda não pediram substitutos para ocupar as vagas
abertas pelos três, depois que a Vara de Execuções Criminais (VEC) suspendeu o
benefício.
Até o benefício dos três rapazes ser suspenso pela Justiça, anteontem, somente
12 presos do regime fechado eram beneficiados com autorizações para trabalhar
ou estudar fora da prisão. No DF, existem 3,5 mil condenados em regime fechado.
Mas dificilmente eles terão a chance conferida aos 12 companheiros. De acordo
com Monteiro, há um ano o juiz Eduardo Rosas, então lotado na VEC, determinou
que nenhum condenado ao sistema integralmente fechado receba o benefício
enquanto houver detentos do semi-aberto a espera de oportunidade de emprego.
Quando os assassinos de Galdino conseguiram trabalho, passaram na frente de 50
candidatos, como informou ao Correio Adalberto Monteiro, em reportagem
publicada ontem. Segundo ele, a fundação tem ingerência apenas no caso das
vagas para os presos em regime semi-aberto.
A assistente técnica e estudante de Direito Alessandra de Souza, 31 anos, tem
um parente preso há quatro anos no Centro de Detenção Provisória. Condenado há
14 anos, por roubo, em regime inicialmente fechado, ele está há dois anos no
semi-aberto. ‘‘São dois anos de espera. Até hoje, ele não conseguiu benefício
algum, nem mesmo trabalhar dentro da cadeia. A gente fica revoltada.”
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Titular da promotoria de Execuções Criminais pede a convocação de um policial
para acompanhar o quarto condenado pela morte do pataxó. Juiz da VEC reconhece
falta de condições para acompanhar presos
Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
Daniel Ferreira
O Ministério Público do Distrito Federal quer um policial na cola de Tomás
Oliveira de Almeida, 25 anos, toda que vez que ele deixar o Centro de Detenção
Provisória (CDP) para trabalhar. Ao contrário dos demais condenados pela morte
do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, impedidos pela Justiça de terem
atividades externas, Tomás ainda mantém o benefício. O promotor de Execuções
Penais Rodrigo Fudoli, porém, entende que ele deve ser vigiado para continuar a
usufruir do direito.
‘‘Ou ele passa a ser acompanhado por um policial sempre que sair da
penitenciária, ou perde o direito ao trabalho fora’’, defende Fudoli. Desde
junho do ano passado, Tomás cumpre estágio no Centro de Documentação e
Informação (Cedin) do Ministério do Trabalho de segunda-feira a sexta. No
trajeto prisão-serviço-prisão, nunca foi vigiado. O pedido de escolta para o
detento foi ajuizado ontem na Vara de Execuções Penais (VEC).
O argumento do promotor é a Lei de Execuções Penais. A legislação admite a
ocupação externa para quem cumpre pena em regime fechado, mas as exigências são
rigorosas: somente em serviços ou obras públicas realizados por órgãos da
administração direta ou indireta, ‘‘desde que tomadas as cautelas contra a fuga
e em favor da disciplina’’, com cumprimento rigoroso da jornada de trabalho. É
preciso também que se tenha cumprido um sexto da pena.
Assim como Tomás de Almeida, os demais assassinos do índio Galdino — Eron
Chaves, Max Rogério Alves e Antônio Novely, todos com 26 anos — ganharam da
1ªTurma Criminal do Tribunal de Justiça do DF (TJDF) o direito a trabalhar fora
em junho de 2002. A decisão judicial os dispensou de escoltas de policiais ou
agentes penitenciários nos deslocamentos até os locais de serviço.
À época, o presidente da 1ªTurma Criminal era o desembargador Pedro Aurélio
Rosa de Farias, que pediu aposentadoria em agosto. Procurado pelo Correio, ele
não quis se manifestar sobre o caso.
Decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçam a tese do
Ministério Público: em casos de condenados por crimes hediondos, como dos
rapazes que atearam fogo no índio Galdino, é possível se conceder o benefício
desde que haja escolta. Diante da dificuldade de se destacar um policial para
acompanhar o preso todos os dias, o STJ costuma negar tais pedidos. Segundo a
interpretação dos ministros da Quinta Turma, ‘‘é incompatível a execução do
trabalho externo e a necessária vigilância’’.
Atividades externas
No Distrito Federal, há registro de exceções entre os 3,5 mil condenados do
regime fechado. Na terça-feira, quando foram publicadas as denúncias de que
Eron, Max e Novely mantinham uma rotina de atividades externas não-autorizadas
pela Justiça, havia um total de 12 detentos em sistema fechado com direito ao
benefício de trabalhar ou estudar fora.
‘‘Infelizmente, a administração pública não tem condições de providenciar um
policial para acompanhar cada preso que sai da cadeia para trabalhar’’, disse o
juiz substituto da VEC Fábio Martins de Lima. O magistrado não quis se
manifestar sobre os habeas corpus do Tribunal de Justiça que permitiram aos
quatro rapaz sair da prisão para a atividade externa.
Independentemente do pedido ajuizado pelo Ministério Público na VEC, Tomás de
Almeida não compareceu ontem ao serviço no Centro de Detenção Penitenciária do
Ministério do Trabalho, onde faz estágio das 8h às 17h, com uma hora de almoço.
Segundo o advogado Raul Livino, o rapaz teve uma indisposição logo cedo e, por
recomendação médica, passaria o dia em repouso. O pedido do MP não inclui os
outros três rapazes porque eles tiveram o benefício de trabalho externo
suspenso na terça-feira pela VEC.
VIGILÂNCIA
‘‘Ou ele (Tomás) passa a ser acompanhado por um policial sempre que
sair da penitenciária, ou perde o direito ao trabalho fora do presídio’’
Rodrigo Fudoli,
Titular da promotoria de Execuções Criminais
‘‘Infelizmente, a administração pública não tem condições de providenciar um
policial para acompanhar cada preso que sai da cadeia para trabalhar’’
Fábio Martins de Lima,
juiz substituto da Vara de Execuções Criminais
Defesa pedirá atividade em presídio
Ana Helena Paixão
Da equipe do Correio
Heraldo Paupério pretende agir rápido. O advogado de defesa de um dos quatro
assassinos do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos pedirá ainda hoje à Vara de
Execuções Criminais (VEC) o restabelecimento de benefícios a Antônio Novely
Vilanova no interior do Centro de Detenção Provisória (CDP). Paupério entende
que os benefícios devem ser estendidos a Eron Chaves e Max Rogério Alves, que
também perderam a chance de trabalhar e estudar fora da prisão. ‘‘Eles têm
direito ao trabalho interno e ao contato familiar’’, afirma o criminalista.
Novely, Eron e Max conquistaram em junho de 2002 uma autorização judicial para
deixar o Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da
Papuda, e trabalhar em órgãos públicos do Distrito Federal e da União. Mas,
desde os primeiros meses de cadeia, eles já trabalhavam no interior do
presídio. Um luxo concedido a poucos. Em 1997, quando receberam o benefício,
apenas 2,2% dos detentos do CDP, antigo Núcleo de Custódia de Brasília,
participavam de atividades laborais internas.
‘‘Eles sempre colaboraram. Devido ao grau de instrução e conhecimento em
Informática, desempenhavam funções administrativas e também trabalhos braçais,
como ajudar a colocar as grades que dividem as alas’’, informa Heraldo
Paupério. ‘‘O direito de trabalhar no presídio deve ser restituído agora. Eles
não podem ficar ociosos. Não há nada pior do que não ter o que fazer na cadeia.
Isso prejudica todo o processo de reinserção social.’’
Tão logo os assassinos do índio pataxó chegaram ao Complexo Penitenciário,
explica o advogado, a direção estabeleceu horários específicos para as visitas
de seus familiares. Horários estes diferentes dos demais parentes de presos,
sob a justificativa de preservar a integridade física dos pais dos quatro
jovens — todos de classe média e alta, incluindo um juiz federal.
‘‘Como eles saíam para trabalhar e estudar, seus pais não iam mais ao presídio.
Agora, é preciso restabelecer o contato familiar, direito de qualquer detento,
em dias e horários seguros. Também vou pedir isso à VEC e a administração’’,
garante Heraldo Paupério. O advogado de Eron Chaves, Raul Livino, também quer
que seu cliente tenha estes direito. Mas acredita que não será necessário um
pedido formal.
Os dois advogados vão esperar o fim dos trabalhos para pedir mais uma vez à
Justiça que seus clientes freqüentem faculdades particulares do DF. Segundo
informações de Raul Livino, Eron está muito deprimido. Ontem não quis receber a
visita de um dos advogados de defesa. Evangélico, o rapaz teria passado o dia
lendo a Bíblia.O advogado e padrasto de Max Rogério, Walter Medeiros, não foi
localizado para comentar o caso.
O QUE QUEREM OS ADVOGADOS
Após a suspensão das atividades externas de três dos quatro assassinos do índio
Galdino Jesus dos Santos, os advogados de defesa querem garantir a manutenção
dos benefícios no interior do complexo penitenciário. Saiba o que a defesa
reivindica:
Benefícios
Retorno imediato ao trabalho interno, em atividades braçais e administrativas.
Restabelecimento das visitas familiares, em horários e dias diferentes dos
demais detentos.
Justificativas
Atividade laboral é importante para processo de reinserção social e afasta
risco de depressão por ociosidade. Além disso, eles têm histórico de
colaboração e bom desempenho em atividades internas, o que deve ser levado em
conta pela direção do presídio.
Além de ser saudável e contribuir para a recuperação do detento, contato
familiar é direito de qualquer presidiário. As visitas devem ocorrer fora dos
horários tradicionais para garantir integridade física dos parentes — pessoas
de classe média e alta, inclusive um juiz federal.
Apresentação dos pedidos
Heraldo Paupério, advogado de Antônio Novely Vilanova, pretende entrar com estes
pedidos até amanhã.
Raul Livino, advogado de Eron Chaves, vai esperar que administração do complexo
penitenciário convoque os três condenados para atividades internas, sem a
necessidade de requerimento. Também acredita que partirá da administração a iniciativa
de restabelecer as visitas familiares para todos.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Assassinos do índio pataxó terão de se explicar ao titular da Vara de
Execuções Criminais no dia 22
Fabíola Góis
Ana Helena Paixão
Da equipe do Correio
O juiz Aimar Neres de Matos, titular da Vara de Execuções Criminais (VEC),
interroga na próxima quarta-feira, dia 22, os quatro condenados pela morte do
índio Galdino Jesus dos Santos. A audiência será por meio de videoconferência,
em que os presos não precisam deixar a prisão para falar com o juiz. Aimar quer
saber por que Max Rogério Alves, Antônio Novely e Eron Chaves Oliveira não
cumpriram determinação judicial e desviaram do itinerário permitido:
penitenciária-trabalho-faculdade-penitenciária.
Na terça-feira, o Correio divulgou imagens exclusivas em que três dos quatro
assassinos do índio pataxó entram e saem do presídio da Papuda sem o menor
constrangimento. Max, Novely e Eron também freqüentam bares, bebem cerveja e
encontram-se com amigos e namoradas como se fossem cidadãos comuns.
No mesmo dia, o juiz Aimar suspendeu o benefício dos presos e iniciou um
procedimento judicial para apurar a falta disciplinar. Tomás não foi punido,
mas será ouvido mesmo assim.
O Ministério Público do DF juntou as fitas de vídeo ao processo criminal dos
condenados. Promotores começam a estudar o caso. O promotor Maurício Miranda,
que atuou no julgamento dos rapazes, disse que as imagens servem como prova.
‘‘Nesse caso não é necessário autorização judicial para as filmagens.’’
Apenas Max e Novely tinham permissão para estudar fora da penitenciária. Eron e
Tomás tiveram o benefício suspenso a pedido do Ministério Público do DF.
Maurício Miranda lembra que antes de matar o índio, dois dos condenados não se
interessavam muito pelo estudo. Eron, aos 18 anos, fazia supletivo no Centro de
Ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb) por ter repetido séries. Novely foi
expulso do Colégio Marista por indisciplina e, aos 19 anos, só havia completado
o 1º grau.
Sindicância
O procurador-geral do MPDF, Eduardo Sabo, ainda não decidiu qual promotor
deverá acompanhar a Comissão de Sindicância criada pela Secretaria de Segurança
Pública do DF (SSP/DF) para apurar o envolvimento de três dos quatro assassinos
de Galdino em atividades não autorizadas pela Justiça. O nome mais cotado é o
da promotora Alessandra Queiroga. Ela acompanha o processo de dois dos
condenados e retorna de férias amanhã.
A SSP/DF prefere manter em sigilo as investigações. De acordo com o assessor de
comunicação da secretaria, coronel João Vítola Coelho, o subsecretário do
Sistema Prisional e coordenador da Comissão, Raimundo Damasceno, só vai
comentar o caso no dia 14 de dezembro, quando termina o prazo prorrogado para a
conclusão da sindicância.
O Tribunal de Justiça do DF e a SSP/DF requisitaram ao Correio cópia das
imagens de Eron, Novely e Max em atividades fora da prisão. Nas investigações
que ocorrerão nos dois foros, serão ouvidas testemunhas, envolvidos e
supervisores do cumprimento das penas. Servidores que colaboraram para o
descumprimento da determinação judicial responderão a processos administrativos.
Segundo o advogado de Eron, Raul Livino, os presos podem ser advertidos ou ter
alguns benefícios suspensos.
Flagrante em cinco dias de filmagem
Da Redação
Os três dos quatro condenados pela morte de Galdino dos Santos desrespeitaram a
Justiça em todos os dias que foram flagrados pela reportagem. As filmagens em
vídeo foram feitas em cinco dias, escolhidos aleatoriamente no período do dia
24 de setembro e 9 de outubro.
Eron Chaves Oliveira foi acompanhado um dia, na saída do Ministério do
Trabalho, ao fim do expediente, no dia 24 de setembro. Sua saída era aguardada
desde as 17h, mas ele deixou o trabalho quase às 18h. Max Rogério Alves foi
acompanhado durante dois dias. No dia 1º de outubro, desde sua chegada ao
trabalho até o retorno à prisão por volta da meia-noite. No dia 2 de outubro,
acompanhamento ocorreu minutos após Max Rogério deixar o trabalho no final da
tarde.
A reportagem acompanhou Antonio Novely Cardoso desde a saída do Hospital
Regional da Asa Norte (Hran), ao fim do expediente, no dia 8 de outubro. Ele
ficou no local até 19h30, quando, após deixar o bar Bedrock na quadra comercial
204 da Asa Norte, dirigiu-se até a quadra residencial 107 Norte, onde comeu um
cachorro-quente numa barraca. No dia seguinte, 9 de outubro, foi acompanhado desde
a saída do trabalho até o caminho que levava ao presídio da Papuda pouco depois
das 22h30.
A reportagem decidiu seguir os passos dos condenados na morte do índio Galdino
após receber extra-oficialmente a informação de que eles não estariam cumprindo
a pena como determina a lei, deixando inclusive de dormir na prisão. Não houve
registro dessa última irregularidade nos três dias em que foi feito o
acompanhamento até a entrada do presídio da Papuda. Também não foi localizado o
quarto condenado, Tomás Oliveira de Almeida, no trabalho nem o veículo que
poderia estar usando. Diante da gravidade do material já apurado, optou-se pela
publicação da reportagem na última terça-feira.
O ESTADO DE S.
PAULO
CIDADES
Acusados de orgia: mordomias na cadeia
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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CIDADES |
16/10/2003 |
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Por causa das regalias, vereadores e empresário de Porto Ferreira são
transferidos
PORTO FERREIRA - Quatro vereadores e um
empresário, presos sob acusação de aliciamento de meninas e participação em
orgias em Porto Ferreira, na região de Ribeirão Preto, foram transferidos ontem
para uma penitenciária de Sorocaba. Estavam presos em Descalvado. A juíza Sueli
Juarez Alonso determinou a transferência porque recebeu denúncia de que eles
tinham regalias.
"Só tinham cela separada e horário de banho de sol diferente por
determinação judicial. Além do mais, os outros presos não aceitam esse tipo de
acusação", disse um funcionário.
Pela denúncia que chegou à juíza, os vereadores Luiz Gonzaga Mantovani Borceda
(PSDB), Luís César Lanzoni (PTB), presidente da Câmara de Porto Ferreira, João
Lázaro Batista (PSDB) e Edivaldo Biffi (PL), além do empresário Luiz Dozzi
Tezza, tinham até cozinheiro particular na cadeia.
Eles também recebiam parentes fora do horário de visitas.
Dos 13 homens que tiveram a prisão decretada, dois foram libertados: o vereador
Gerson João Pelegrini (PV) e o empresário Carlos Alberto Rossi.
José Carlos Terassi é o único foragido. (Brás Henrique)
O GLOBO
MÁRCIO MOREIRA ALVES
Será que não dá certo?
OPINIÃO
Verdade dos fatos
FOLHA DE S.
PAULO
BRASIL
Nicolau não terá foro privilegiado, diz STJ
Viegas diz que críticas de famílias são injustas
O ESTADO DE S.
PAULO
NACIONAL
Abin se prepara para reforma e quer mais poder
Como cada país opera sua área de inteligência
Acesso a alguns dados 'nem depois de 200 anos'
Relator da ONU vai ouvir juízes no Brasil
Nova ministra do STJ é contra inspeção da ONU
VALOR
ECONÔMICO
CLÁUDIO COUTO
Um Poder mais igual do que os outros
1º CADERNO
Concurso abre 7.577 vagas em agências
Governo vai fortalecer serviço de Inteligência
CORREIO
BRAZILIENSE
OPINIÃO
Aliança reforçada
JORNAL DE
BRASÍLIA
EDITORIAL
A visita da senhora Jahangir
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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MÁRCIO MOREIRA ALVES |
16/10/2003 |
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Não vai dar certo, dizia o professor
Wanderley quando, finalmente, encontrei a turma da barraca do Diógenes tomando
chope no Lucas, escorraçados que foram da praia por um mau tempo horroroso.
Indaguei o que não iria dar certo, e ele respondeu que era a acumulação de
tarefas políticas e administrativas na Casa Civil do governo Lula. Explicou:
— Nunca um presidente encarregou um só ministro de fazer a coordenação política
juntamente com a administrativa. O Sarney, que gosta muito da costura política,
tinha como coordenador das relações com o Congresso e com os governadores,
primeiro, o Oscar Dias Correa, ministro da Justiça. Quando Oscar pediu demissão
com medo de levar pedradas na rua por causa da inflação de 14% ao mês, entrou
no seu lugar o Saulo Ramos, que é um malabarista das leis, capaz de redigir
qualquer coisa, contra ou a favor. Ficou até o fim, com 79% de inflação ao mês.
Quem coordenava a administração era o Ronaldo Costa Couto, ministro da Casa
Civil. Com o Fernando Henrique foi a mesma coisa. O presidente comandava as
articulações políticas, em parceria com o Luis Eduardo, presidente da Câmara,
ou o Inocêncio de Oliveira. Os ministros da Casa Civil, primeiro o Clovis
Carvalho, depois o Pedro Parente, só cuidavam da administração. Eram executivos
experientes e nunca deram palpite na política. A essa altura, o Ministério da Justiça estava politicamente
tão desmoralizado que até o Íris Rezende foi ministro. Agora, o que se está
fazendo com o Zé Dirceu chega a ser maldade. Cai tudo nas suas costas. Não
admira que faça grosserias com todo mundo e deixe o Gabeira tomando chá de
cadeira na ante-sala de seu gabinete. Dizem que ainda vão passar a coordenação
dos programas sociais para o Zé Dirceu. Isso não pode dar certo.
Sabóia, o financista, deu palpite na conversa de política, o que quase nunca
faz. É que qualquer pessoa acha que entende de política, como também acha que
entende de futebol. Disse:
— Não é só falta de educação do Zé Dirceu. É o velho autoritarismo da esquerda.
Primeiro, escolhem a classe operária como motor da história. Depois, decidem
que quem representa a classe é o partido. No partido, quem manda é o comitê
central, o diretório nacional, no caso do PT. O comitê central é dominado pelo
secretario- geral, ou pelo presidente, que é quem decide. O presidente foi
primeiro o Lula, depois o Zé Dirceu, hoje o Zé Genoino. Os três ainda se
entendem, mas a regra é um mandar fuzilar o outro. É difícil imaginar
fuzilamentos no Brasil, mas é fácil ver que partiram para o fuzilamento
político de quem não concorda com eles. Vão expulsar os deputados rebeldes, a
senadora Heloisa Helena, expulsaram o Gabeira por desprezo. Não só não o
ouviram na caso da MP dos transgênicos como, depois, ainda lhe deram uma
bofetada pública, deixando-o tomar chá de cadeira na ante-sala do Super Dirceu.
— Essas observações são típicas de um reacionário de quatro costados como você,
replicou Momó, o radical. Não que eu esteja de acordo com o que acontece no PT
e no governo. Estou muito mais com o Gabeira que com o Zé Dirceu. Eu também não
renunciei aos meus sonhos, mas concordo com o Gabeira quando diz que sonhamos o
sonho errado. Tudo isso é o resultado da herança maldita que recebemos do
governo FH, com o acordo que assinou com o FMI. É o que corta o dinheiro para
políticas de saúde e de educação.
— Não fale do que não entende, Momó, retrucou o Sabóia. Não fosse o acordo com
o FMI e teria havido um caos financeiro em janeiro, com a inflação pulando para
40% ao ano, o dólar batendo em quatro reais. Quem sabe teríamos de declarar a
moratória da dívida externa, o que nos isolaria do mercado financeiro
internacional, acabando até com o crédito para as exportações. O problema é
sair dessa camisa-de-força, o que pode acontecer ainda este mês, com as novas
negociações com o Fundo.
Seu Alquicionides, que distribuía generosas doses de cachaça de Salinas, entrou
na conversa, dizendo que há gente que não consegue ver o que acontece às suas
barbas. Não falou de política. Disse:
— A maioria das pessoas nem sabe que estamos em plena safra da jabuticaba. Tem
jabuticaba em todas as feiras livres e até nos supermercados, que não costumam
oferecer a fruta por ser muito perecível. E não tem nada melhor para estimular
o otimismo que chupar jabuticaba.
Entrei na onda do Alquicionides. Contei:
— Jabuticaba é uma estranha paixão. Tenho um amigo que comprou uma velha
fazenda de café em Vassouras. Ganhou de lambuja um pomar com quase mil
jabuticabeiras. O chão fica uma lama preta de frutas caídas. Pois não é que ele
ficou tão pão-duro que nem retorna recados deixados no seu celular, de medo que
lhe peçam para ir comer jabuticaba na fazenda?
Foi quando o coronel Tucídides, que não sei como encontrou a turma no chope do
Lucas, jogou sobre a mesa um exemplar da “Veja”, com uma águia americana gigantesca,
olhando para um pintinho parrudo com o boné do Brasil, que lhe dava uma banana.
Era o anúncio de um artigo contra a altiva posição do Itamaraty nas negociações
da Alca. O coronel interpelou-me:
— Olhe só como vocês, jornalistas, vêem o Brasil. Um pintinho metido a besta. E
acham uma estupidez o Itamaraty defender o interesse nacional. O que vocês
querem é o país de cabeça baixa, dizendo amém a tudo o que os americanos
exigirem.
— Eu, coronel? Não tenho nada com isso. Escrevo no GLOBO. E não acho que todos
os jornalistas querem para o país isso que o senhor está dizendo. E, pessoal,
até um domingo de sol. Tchau.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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OPINIÃO |
16/10/2003 |
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ANTÔNIO CARLOS AMORIM
O governo Lula está mesmo decidido a reformular o Judiciário. Ainda que
passando por cima de todos os princípios, entre eles o da soberania nacional, para
permitir que a ONU “inspecione” esse poder da República. O ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, justifica
a iniciativa afirmando que o Judiciário brasileiro “não é aquele de nossos
sonhos” e por isso precisa ser reformado, como se o Executivo e o Legislativo
tivessem alcançado grau mais elevado de excelência, e atendessem às
expectativas da sociedade, o que, todos sabemos, de forma alguma corresponde à
realidade histórica.
Pergunta-se o que pode haver por trás desse reiterado desejo do governo de se
intrometer no Judiciário. Esse propósito se revela tão flagrante que o leva,
como frisou o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Nilson
Naves, a se “valer de voz estranha ao país”, para atacar, mais uma vez, os
poderes constituídos. Revelam-se sintomáticas, também, as inúmeras sugestões
formuladas, desde o início do mandato, em janeiro, para se impor controle
externo à magistratura.
A Justiça é lenta, reconhece-se. Mas assim também o é no mundo inteiro, e a
morosidade decorre, entre outros motivos, de leis processuais que dão margem a
uma vasta gama de recursos. Lembre-se, todavia, que desses recursos lança mão,
sobretudo, o próprio Executivo, diretamente ou por meio de autarquias e
empresas por ele controladas, para postergar decisões que lhe sejam
desfavoráveis, ainda que plenamente justas. O problema é agravado pelo enorme
déficit de magistrados, que, por sua vez, necessitam de melhor estrutura física
para funcionar normalmente.
A solução dependeria de mais recursos para investimento em informática,
construção e ampliação de Fóruns e, principalmente, para realização de novos
concursos públicos para contratação de juízes: decisões políticas que cabem ao
Executivo, na definição de sua dotação orçamentária, e não ao Judiciário.
Fica claro, portanto, que a morosidade da Justiça não decorre do descaso ou da
inépcia dos juízes, ora utilizados como falso pretexto para ludibriar os
ingênuos. Pode-se até admitir que a representante da ONU, muito distante de
nossa realidade, faça o diagnóstico equivocado, ainda que de boa-fé. O que não
se concebe é que o nosso próprio governo ignore tal quadro — e o exercício do
cargo exige discurso honesto e coerente, que respeite a verdade dos fatos.
ANTÔNIO CARLOS AMORIM é ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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FREDERICO VASCONCELOS
DA REPORTAGEM LOCAL
A Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu, por maioria,
que o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto não tem direito a foro
privilegiado para julgamento de recurso contra a decisão que o condenou à
prisão por lavagem de dinheiro e tráfico de influência no caso do Fórum
Trabalhista de São Paulo.
A apelação contra a sentença do juiz Casem Mazloum, que condenou Nicolau e
absolveu o senador cassado Luiz Estevão e os sócios da construtora Incal, será
julgada pelo TRF (Tribunal Regional Federal), em São Paulo, considerado o foro
competente pelo MPF (Ministério Público Federal).
No julgamento de ontem, os advogados de Nicolau, de Estevão e dos
ex-proprietários da Incal (José Eduardo Teixeira Ferraz e Fábio Monteiro de Barros)
sustentaram que aquela lei, por ser uma norma procedimental, teria efeito
imediato. Defenderam que a competência para julgar seria do STJ, uma vez que
Nicolau era juiz trabalhista de segunda instância.
O representante do MPF sustentou que a ação chegou ao STJ
"equivocadamente", pois a condenação de Nicolau e a absolvição dos
acusados de corrupção ativa foi proferida em setembro de 2002, enquanto a lei
10.628 foi promulgada em dezembro. Ou seja, o juiz Mazloum já havia prolatado a
sentença quando foi promulgada a lei criando o foro de prerrogativa de função.
O representante da Advocacia Geral da União defendeu que "a lei que altera
a competência para julgamento de ex-ocupantes de cargos públicos tem efeito
imediato, mas não retroativo".
O relator da ação no STJ, ministro Peçanha Martins, votou pela remessa dos
autos ao TRF paulista. Dos 19 ministros que participaram do julgamento, 12
acompanham o relator.
O subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves havia pedido a declaração
de inconstitucionalidade do foro privilegiado para Nicolau, o que não foi
analisado pelo STJ. Há centenas de ex-ocupantes de cargos públicos pretendendo
o direito ao foro privilegiado criado pela lei 10.628, editada às vésperas do
Natal de 2002, que altera o Código de Processo Penal. A tese do foro
privilegiado não tem a unanimidade no STF (Supremo Tribunal Federal), mas já
foi acolhida em decisões pelos ministros Nelson Jobim, Gilmar Mendes e Ellen
Gracie, principalmente em ações cíveis.
Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o foro especial, proposta pelo MPF
e pela Associação dos Magistrados Brasileiros não teve o mérito julgado pelo
STF.
Agora, caberá ao TRF-3 avaliar o pedido do MPF para que seja integralmente
reformulada a sentença proferida em junho de 2002 condenando Nicolau e
absolvendo os demais acusados.
A Procuradoria da República pede a condenação de todos os acusados às penas em
patamares "próximos do máximo legal" e a prisão imediata dos réus
"tão logo concluído o julgamento".
O recurso do MPF foi oferecido em setembro do ano passado. Em junho deste ano,
Mazloum entendeu que Nicolau tinha direito ao foro privilegiado e enviou os
autos ao STJ sem que o MPF fosse informado da decisão. O MPF entrou com mandado
de segurança, indeferido pelo desembargador Nelton dos Santos, e com pedido de
correição (rejeitado, porque os autos já estavam no STJ).
Mazloum havia considerado que o MPF não oferecera provas suficientes de que
Nicolau recebera dinheiro de Estevão em troca de vantagens na construção do
prédio do TRT. O juiz chegou a considerar como prova lícita documentos
comprovando que Estevão enviara US$ 1 milhão de suas contas em Miami para a
conta bancária de Nicolau, na Suíça.
Depois, acolhendo recurso do senador cassado, entendeu que as provas eram
ilícitas, pois fruto de quebra de sigilo não autorizado pela Justiça. Em
outubro, a Advocacia Geral da União recorreu, juntando aos autos requisição
firmada pelo próprio Mazloum ao Ministério da
Justiça, em agosto de 2000, em que pedia diligências para
identificar as contas bancárias de Estevão nos EUA.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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BRASIL |
16/10/2003 |
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DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro da Justiça, José Viegas, disse que são injustas as críticas dos
parentes de desaparecidos políticos à decisão do governo de criar uma comissão
interministerial para localizar as ossadas de integrantes da Guerrilha do
Araguaia, ignorando a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos criada por
lei em 95.
"Não é justo que uma comissão recém-designada e que ainda não começou a
trabalhar tenha contra si o espírito negativo ou espírito de encobrir, porque
essa não é a verdade das coisas", disse Viegas.
Segundo o ministro, o caráter sigiloso dos trabalhos da comissão -uma das
críticas feitas pelos parentes em carta divulgada na última segunda-feira- tem
o objetivo de proteger as testemunhas.
"As investigações têm de ser sigilosas, na medida em que buscamos
encontrar condições, se é que essas condições existem, para localizar as
ossadas. Para isso, nós precisamos colher depoimentos, ouvir testemunhas. Essa
averiguação se faz na vigência da Lei de Anistia. Por isso, nós tomamos o
cuidado de proteger as testemunhas, para que elas possam prestar depoimento sem
o risco de se auto-incriminarem. É um procedimento natural, ortodoxo",
afirmou Viegas.
"Não significa que a comissão vá esconder coisas. Eu acredito que a nação
brasileira tem todas a razões para confiar no trabalho da comissão, composta
por homens públicos da maior dignidade e competência", acrescentou o
ministro, que também integra a comissão interministerial.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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NACIONAL |
16/10/2003 |
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Atividade de inteligência será discutida com setores da sociedade
LUIZ RILA
BRASÍLIA - Integrado por muita gente fichada e até mesmo perseguida pelos
serviços de informação do regime militar, o governo Lula pretende reformular a
área oficial de inteligência e, para tanto, vai adotar um método tipicamente
petista: a consulta à sociedade. Representantes da Agência Brasileira de
Inteligência (Abin) e da Secretaria-Geral da Presidência vão discutir as
mudanças com parlamentares, empresários, sindicalistas, dirigentes de ONGs,
professores universitários e diretores de organizações como a Associação
Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento dos Sem-Terra (MST). A cúpula da
Abin entra no debate disposta a convencer os interlocutores de que os serviços
de informação precisam ser fortalecidos com a ampliação de seus poderes, hoje
limitados por uma legislação que os integrantes da agência consideram rigorosa
demais.
Entre os procedimentos de trabalho que a Abin está proibida de adotar e julga
conveniente ter à mão, figura a gravação clandestina de conversas telefônicas.
Pelas regras em vigor, apenas as polícias estaduais, a Polícia Federal e o Ministério Público podem
praticar o chamado "grampo", sempre com a devida autorização
judicial. Quando precisa "monitorar" ligações, a Abin recorre a um
parceiro capaz de obter o aval da Justiça, em geral a PF.
Apesar do estigma alimentado pelo uso muitas vezes indevido dessa prerrogativa,
o recurso a gravações telefônicas, alegam os membros da comunidade de
informações, é consagrado internacionalmente, por ser em alguns casos a única
forma de desbaratar atividades criminosas como o narcotráfico e o terrorismo. O
que a agência quer é a possibilidade de fazer diretamente seus
"grampos", sempre após receber o sinal verde emitido por um juiz.
Quarto andar - As discussões sobre os rumos da Abin devem durar até o fim do
ano e foram inauguradas ontem com um encontro que, se fosse realizado durante o
regime militar, tinha tudo para não acabar bem: um grupo de jornalistas foi
convidado a conversar com os chefões da área de inteligência. A reunião ocorreu
numa sala do quarto andar Palácio do Planalto e foi aberta pelo ministro-chefe
do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Felix, a quem a
Abin é subordinada, e pelo secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci.
"Serviços de inteligência são usuais e essenciais em países
democráticos", disse Dulci. O general Felix completou: "Precisamos
desmistificar a questão e construir uma boa agência de informações."
Outros instrumentos do ofício com os quais a Abin deseja contar são o acesso a
informações protegidas pelo sigilo fiscal ou bancário e a possibilidade de
interceptar correspondências. O comando da agência garante que só age dentro da
lei, e planeja continuar a agir dessa maneira, seja qual for o resultado do
debate que está sendo lançado pelo governo. "Temos vivido um processo de
modernização com ênfase na ética", afirmou a diretora-geral da Abin,
Marisa Del-Isola Diniz. "Não fazemos uso de nenhum procedimento que não
tenha base legal." Um dos objetivos da discussão, vê-se, é reduzir o que
os profissionais da área de inteligência consideram a fama injusta da
profissão, confundida habitualmente com procedimentos escusos praticados por
"arapongas" pérfidos.
O general Felix ressaltou que é preciso discutir se os serviços de informação
devem ser usados como apoio a empresas brasileiras em disputas comerciais no
exterior, como já é usual em outros países, mas não no Brasil.
Dulci acrescentou que também se deve debater as formas de controle das
atividades de inteligência. Os movimentos sociais como o MST, ficou claro, não
são mais vistos como "forças adversas", pois refletem, nas palavras
do general Felix, "anseios legítimos da sociedade". Mesmo assim,
segundo o militar, cabe ao governo acompanhar esses movimentos e agir sempre
que for necessário evitar conflitos.
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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NACIONAL |
16/10/2003 |
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BRASÍLIA - Um levantamento feito pelo diretor
de Planejamento e Coordenação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin),
Athos Irigaray, mostra como variam, de país para país, o grau de investimento
nos serviços de informação e, o que é mais peculiar, a definição oficial de
suas atribuições. Confira alguns exemplos:
Estados Unidos - Mantêm cerca de 15 mil funcionários sob a sigla da CIA, que
consome investimentos anuais de US$ 4 bilhões. A lista de objetivos da CIA
inclui "apoiar o presidente e os órgãos que elaboram e executam a política
externa e de segurança nacional" e "conduzir atividades de
contra-inteligência no exterior".
Israel - Agrupa no Mossad algo em torno de 1,3 mil agentes e não revela os
gastos com os serviços de inteligência, cuja missão, entre outros pontos, prevê
"controlar as atividades da colônia árabe" e "promover ações de
contra-terrorismo e ligações secretas com países, organizações e personalidades
com os quais Israel não mantém relações oficiais".
Argentina - Planeja aplicar neste ano US$ 80 milhões na chamada SI, que conta
com 2,5 mil funcionários. Entre as tarefas da SI, figura elaborar estratégias
em áreas como "economia, política, tecnologia e movimentos
insurrecionais".
França - Sob a sigla DGSE, reúne 6 mil servidores. Gasta certa de US$ 500
milhões anuais com missões como "neutralizar, fora do território nacional,
atividades de espionagem dirigidas contra os interesses franceses".
Já a Abin tem pouco mais de 1,6 mil funcionários. Até setembro, o orçamento da
agência previa gastos da ordem de R$ 120 milhões, aproximadamente US$ 40
milhões. Seu objetivo formal, segundo a lei que a criou em 1999, é
"obtenção, análise e disseminação de conhecimentos" que tenham
"influência sobre o processo decisório e a ação governamental e a
segurança da sociedade e do Estado". (L.R.)
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Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação Social |
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