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WEBCLIPPING – 18/12/2003 - PRIMEIRA EDIÇÃO |
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MJ-CIDADANIA |
· Site de militares reage a discurso e chama presidente de 'beócio' - O ESTADO DE S. PAULO
· Carlos Lamarca - O ESTADO DE
S. PAULO
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MJ-COLUNAS |
· BOECHAT - JORNAL DO BRASIL
· INFORME ECONÔMICO - JORNAL DO BRASIL
· INFORME JB - JORNAL DO BRASIL
· PANORAMA POLÍTICO - O GLOBO
· PANORAMA ECONÔMICO - O GLOBO
· ANCELMO GOIS - O GLOBO
· PAINEL S/A - FOLHA DE S. PAULO
· PAINEL - FOLHA DE S. PAULO
· DORA KRAMER - O ESTADO DE S. PAULO
· BRASÍLIA - DF - CORREIO BRAZILIENSE
· CLÁUDIO HUMBERTO - JORNAL DE
BRASÍLIA
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MJ-CONCORRÊNCIA |
· EUA selam acordo comercial - JORNAL DO BRASIL
· Viagem e comércio - JORNAL DO BRASIL
· Fusão Varig-TAM: modelo sai em janeiro - O GLOBO
· Camex amplia garantias às exportações - O ESTADO DE S. PAULO
· Ministro argentino ameaça impor restrições a produtos brasileiros - O ESTADO DE S. PAULO
· EUA fecha acordo com 4 países da América Central - O ESTADO DE S. PAULO
· Cade: Bompreço pode comprar a rede G. Barbosa - O ESTADO DE S. PAULO
· Esse Mercosul, tão desequilibrado - O ESTADO DE S. PAULO
· Vence prazo para emendas - GAZETA MERCANTIL
· BNDES tenta liberar ações da AES Tietê para nova empresa - GAZETA MERCANTIL
· MAE pré-qualifica para leilão - GAZETA MERCANTIL
· Operação entre Royal Ahold e G.Barbosa sofre restrições - GAZETA MERCANTIL
· Labnew vai à Justiça contra o Cade - GAZETA MERCANTIL
· Um brasileiro entre quatro está equipado com celular - GAZETA MERCANTIL
· A BrT inicia campanha para recuperar o crédito perdido - GAZETA MERCANTIL
· Cade desemperra venda do Bompreço - VALOR ECONÔMICO
· Financiamento - VALOR ECONÔMICO
· Costa Rica - VALOR ECONÔMICO
· Brasil obtém progressos com Mercosul e com G20 - VALOR ECONÔMICO
· Brasil cedeu, mas reforçou o Mercosul - VALOR ECONÔMICO
· Varig e TAM vão ao Cade para manter code-share - VALOR ECONÔMICO
· Coimex quer dobrar exportação de soja e faturamento - VALOR ECONÔMICO
· Varig fecha 2003 no azul - CORREIO
BRAZILIENSE
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MJ-CONSUMIDOR |
· No varejo, taxa segue acima de 100% - FOLHA DE S. PAULO
· Blitz do Procon em shoppings autua
46 lojas - JORNAL DE BRASÍLIA
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MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
· 74% querem redução da maioridade
penal - O ESTADO DE S. PAULO
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MJ-EXECUÇÃO PENAL |
· Para Aldaíza, Chalita quer 'guerra política' - O ESTADO DE S. PAULO
· Sindicância apura suposto desfalque
em CDP de Osasco - O ESTADO DE S. PAULO
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MJ-INSTITUCIONAL |
· O caminho de volta - O GLOBO
· Encerrada a grevedos policiais federais - O GLOBO
· A grandeza de Josef Stálin - FOLHA DE S. PAULO
· Militares do DF fazem ato por salários - JORNAL DE BRASÍLIA
· Oito anos para Luiz Estevão - JORNAL DE
BRASÍLIA
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MJ-SEGURANÇA PÚBLICA |
· Greenhalgh abandona - JORNAL DO BRASIL
· Transplantes GDF busca doadores - JORNAL DO BRASIL
· Trânsito - JORNAL DO BRASIL
· Encerrada a grevedos policiais federais - O GLOBO
· Justiça afasta policiais envolvidos no esquema - O GLOBO
· Ex-mulher de juiz se complica ao depor na CPI da Pirataria - O GLOBO
· Justiça condena Arcanjo a 37 anos de prisão e passa seus bens para a União - O GLOBO
· Delegado vai cumprir pena em liberdade - O GLOBO
· Justiça manda prender de novo Pitta e Martins - O GLOBO
· Governo quer tirar o depoimento de suspeitos do inquérito policial - FOLHA DE S. PAULO
· Polícia Federal indicia 27 pessoas - FOLHA DE S. PAULO
· Juíza manda afastar delegado e agente federal - FOLHA DE S. PAULO
· Juiz absolveu doleiro que elogia em gravações - FOLHA DE S. PAULO
· Governo Lula é bem avaliado por 41%, diz Ibope - FOLHA DE S. PAULO
· Ex- auditora reconhece ter sonegado renda - FOLHA DE S. PAULO
· A escolha do portfólio - FOLHA DE S. PAULO
· Leilão de aviões - O ESTADO DE S. PAULO
· Justiça decreta afastamento de Herman da PF - O ESTADO DE S. PAULO
· Norma chegou a ter no banco mais de R$ 800 mil - O ESTADO DE S. PAULO
· Justiça manda 5 de volta para a cadeia no caso dos fiscais - O ESTADO DE S. PAULO
· Ex-mulher de juiz na CPI - CORREIO BRAZILIENSE
· Mazloum mal na fita - CORREIO BRAZILIENSE
· PF indicia 27 pessoas por tráfico
de órgãos - CORREIO BRAZILIENSE
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MJ-CIDADANIA |
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 18/12/2003
Site de militares reage a discurso e chama presidente de 'beócio'
LUIZ MAKLOUF CARVALHO
Especial para o Estado
O site Terrorismo Nunca Mais, que representa interesses da direita militar e de
militares que atuaram na repressão durante a ditadura (1964 a 1985), qualifica
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "beócio" e "sujeito
inculto e despreparado", por ter usado a expressão "bando de
general" em discurso segunda-feira, no almoço de fim de ano com 140
oficiais. Os militares que ouviram seu discurso, entre eles os ministros, são
chamados de "bando de cordeiros" no site. "O beócio aproveitou
sua fama de só falar besteiras, em improvisos, para praticar uma covarde
agressão."
Há cinco anos na internet (www.ternuma.com.br), onde disponibiliza documentos
internos dos órgãos repressivos e ataca com virulência ex-militantes da
esquerda que estão no poder, o Ternuma, como é conhecido, não identifica os
editores responsáveis. Um de seus alvos preferidos é o hoje ministro da Casa
Civil, José Dirceu, chamado, entre outras coisas, de
"brasileiro-cubano".
Os ministros José Viegas (Defesa), Dilma Roussef (Minas e Energia) e Antônio
Palocci (fazenda) e o secretário dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, também
são atacados. A Lula, o site dedica um "festival de micos e
mancadas", intitulado "Cala a boca, Magda!"
O Ternuma reuniu nos últimos dois meses pronunciamentos de grupos militares
descontentes com o governo - entre eles o último manifesto do Grupo Guararapes,
que diz estar "vivo" e "representar 233 civis, 23
oficiais-generais, 212 oficiais superiores e 28 capitães e tenentes".
Identificam-se pelo grupo, todos reformados, o tenente-brigadeiro Rodopiano de
Azevedo Barbalho, o general-de-divisão Francisco Batista Torres de Melo, e os
generais-de-brigada Luciano Salgado Campos Luiz Henrique de Oliveira Domingues.
O texto critica, entre outras coisas, a condecoração com a Medalha do
Pacificador do presidente do PT, José Genoino, que lutou na guerrilha do
Araguaia. O presidente do Clube Militar, general da reserva Luiz Gonzaga
Schroeder Lessa, protestou contra a homenagem.
O protesto, "Campanha contra as Forças Armadas - Alerta!", está no
site, assim como o manifesto de oficiais da turma de 58 da Academia Militar das
Agulhas Negras. Lessa critica "as vultosas indenizações aos 'perseguidos',
muitos dos quais traidores ou terroristas", a distribuição de
"salários vultosos" e a outorga de "honrarias e condecorações, a
mais das vezes injustificadas, com ampla divulgação da mídia".
O ESTADO DE S. PAULO | FÓRUM DE LEITORES | 18/12/2003
Carlos Lamarca
Causa-me extrema revolta a
decisão do ministro Celso Mello, do STF, em defesa da promoção de Carlos
Lamarca a tenente-coronel. Como promover um desertor? Um desertor é um covarde
que abandonou a Força em que servia para lutar contra a Nação - além de ladrão,
pois roubou armas do Exército. Quanta insensatez! Luiz M. Leitão da Cunha Viera
Souto Costa (lleitaodacunha@aol.com), São Paulo Como contribuinte, sinto-me
revoltado com a possibilidade de o desertor e assassino Carlos Lamarca ser
promovido pós-morte a tenente-coronel. Francamente, discordo também da pensão
que a família recebe, sei lá desde quando, tanto quanto da
"indenização" paga. Suas vítimas tiveram o mesmo tratamento? Duvido.
A maioria da sociedade creio que também não aceita. E daí? São tantas as contas
estapafúrdias que pagamos...
André Charles Frohnknecht, São Paulo Pergunto ao sr. ministro da Justiça se
houve promoção e indenização aos familiares do guarda-civil Orlando Pinto
Saraiva, do tenente Alberto Mendes Jr. e do agente da PF Hélio Carvalho de
Araújo, mortos pelo guerrilheiro Lamarca. Quanto a achar que o sr. Apolônio de
Carvalho é "herói", isso é uma questão de ótica. Para muitos, Hitler,
Guevara, Saddam - e tantos outros - também são heróis. Joana D'Arc Rondine
(jorondine@estadao.com.br), São Bernardo do Campo
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MJ-COLUNAS |
JORNAL DO BRASIL | BOECHAT | 18/12/2003
Passeio furtivo
O juiz Afonso Henrique Castrioto
Botelho, de Vassouras, mandou ofício, ontem, à Polinter, com uma reclamação:
Diz que viu o carro onde era conduzido o preso Júlio Avelino de Oliveira Neto,
que iria depor, numa área completamente fora do caminho do Fórum.
Avelino, acusado de dois homicídios, teria feito uma espécie de tour pelas
terras de sua de sua família na região.
Aparecido
A cirurgia a que foi submetido José Aparecido de Oliveira, ontem, durou seis
horas.
Correu tudo muito bem.
Os médicos prevêem a alta para breve.
Ribalta
José Louzeiro toma posse, dia 5, na presidência da Associação Brasileira dos
Autores Teatrais, cheio de gás.
Ontem, ele convidou a atriz Jacqueline Laurence para presidir o Instituto
Chiquinha Gonzaga, criado para tocar projetos culturais.
Loucura
Sem autor conhecido, um detalhe incluído na Reforma da Previdência aumentará o
teto salarial dos servidores em 10%, talvez a partir de amanhã.
A pancada nas contas públicas será indigesta.
O texto pirata está no artigo 8º.
Ele diz que durante a transição para a implantação da Reforma, o vencimento
máximo do funcionalismo será igual à ''maior remuneração atribuída por lei a
ministro do STF''.
Dessa forma, o teto atual incorporará R$ 1.700 de uma gratificação hoje
exclusiva do presidente do Supremo.
Nem o STF terá como barrar legalmente a decisão do Congresso.
Popular
Está desde ontem nas mãos do presidente Lula a proposta do Ministério das
Cidades para a implantação da Política Nacional de Saneamento Ambiental.
Um de seus artigos cria subsídios para que a população de baixa renda tenha
descontos ou até fique isenta do pagamento das contas de água e esgoto.
Pente fino
Até março, as bagagens de passageiros que vão do Brasil para o exterior
passarão por máquinas de raios X nos aeroportos, tal como acontece com as
valises de mão.
A medida, de segurança, foi um dos temas discutidos na reunião ocorrida ontem,
no Rio, entre representantes do DAC, da Infraero e de empresas aéreas.
Verde-e-rosa
Lula ganha amanhã, no Palácio do Planalto, uma das cinco medalhas de ouro
cunhadas para comemorar os 75 anos da Mangueira.
Na alegria em que anda, ele talvez até arrisque um samba.
O presidente da escola, Álvaro Caetano, que irá a Brasília receber a Ordem do
Mérito Cultural, entregará o mimo.
Em baixa
A indústria farmacêutica fechou ontem sua última estimativa do ano.
A produção deve ficar em 5% negativos.
O pior resultado dos últimos sete anos.
Banho de espuma
O Ministério Público vai abrir processo contra o prefeito de Campos, Arnaldo
Viana.
A razão foi a construção de um banheiro público, de apenas 9 metros quadrados,
na cidade por R$ 30 mil.
Por este preço, os promotores querem saber aonde foi parar a jacuzzi.
Efeito político
Uma peça cujo pano de fundo ousará comentar o primeiro ano do governo Lula.
É assim que o escritor e produtor Flávio Marinho define a história de Um
caminho para dois, seu novo espetáculo.
A exemplo de Abalou Bangu, em cartaz no Rio, a comédia romântica terá apenas
dois atores no palco.
- Estou adorando trabalhar com equipe pequena.
A estréia é em julho do ano que vem.
Retrato
Mais da metade dos homossexuais (60%) já foi agredida, por preconceito, e a
grande maioria (83,3%) votou em Lula.
As revelações estão numa pesquisa feita com 500 pessoas na Parada do Orgulho
Gay do Rio, em junho, que será lançada dia 9 de janeiro e repetida na festa do
ano que vem.
Até lá, o presidente Lula corre o risco de perder seu lugar de darling entre os
gays.
- As ações, até agora, foram muito tímidas - reclama Cláudio Nascimento, do
Grupo Arco-Íris, que fez, com a Uerj e a Cândido Mendes, o levantamento.
Casa própria
O embaixador Tilden Santiago esteve com Oscar Niemeyer, ontem, no Rio, tratando
da nova Embaixada brasileira em Cuba.
Fidel Castro já doou o terreno para a obra.
Com a sede própria, o governo brasileiro economizará US$ 11 mil mensais, gastos
nos aluguéis dos imóveis onde hoje ficam a chancelaria e a residência do
embaixador.
Xii!!!!
A última reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente, ontem, acabou antes da
hora.
Uma ONG pediu verificação de quórum.
Presentes, só 45 pessoas, quando o mínimo legal é 55.
Acabaram não sendo debatidos temas importantes, como as normas para a dragagem
de portos.
Para todos
A Confederação Brasileira de Atletismo tornará mais justo, este ano, o
antidoping na Corrida de São Silvestre.
Os 10 primeiros colocados (cinco homens e cinco mulheres) farão exames de
sangue e urina, sejam brasileiros ou não.
Antes, os estrangeiros estavam livres dos testes.
Lance Livre
Hoje, às 19h, na ABI, palestra da indiana Mohini Panjab, coordenadora para as
Américas da Brahma Kumaris, uma das maiores organizações pacifistas do mundo. A
atriz Cássia Kiss apresentará a visitante ao público.
Logo mais, na Laura Alvim, estréia Avalanche, com os atores Julia Carrera e
Bruce Gomlevsky, que também produziu e dirige a peça.
Uma tarde de autógrafos de livros de Sonia Barros encerra sábado a série de
oficinas gratuitas para crianças da mostra Cenas Infantis, esculturas de Sandra
Guinle.
Também sábado, às 9h, começa a mostra O Brasil de Portinari, no Sesc
Teresópolis.
Ainda sábado, a El Paso inaugura uma nova iluminação na Catedral de São Pedro
de Alcântara, em Petrópolis.
O almirante Roberto Beckman tomou posse, ontem, na chefia do Centro de Perícias
Médicas da Marinha.
E por falar em almirantes médicos: Ruben Andrade Arruda é o novo mordomo do
Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia.
Com Ronaldo Herdy e Telma Alvarenga
JORNAL DO BRASIL | INFORME ECONÔMICO | 18/12/2003
Choque de Natal
A Eletrobrás anunciou a conversão
dos empréstimos compulsórios em ações. Na prática, a base de troca envolve um
desconto elevado, de quase dois terços do valor de face. Bancos e corretoras,
regra geral, gostaram da medida, tanto que os papéis da estatal subiram bem na
Bovespa.
Para a conversão, as ações partirão do valor patrimonial, de R$ 124 o lote de
mil. Mais de três vezes o valor de mercado. Dado o montante do débito, a liberação
do caixa da estatal presidida por Luiz Pinguelli Rosa pode chegar a R$ 2
bilhões.
Mais do que suficiente para compensar a diluição dos minoritários pelo aumento
do volume de ações em mercado, o free float.
Cabeceando o teto
O corte de um ponto percentual na taxa Selic indica que o Banco Central teme
estar chegando no limite da redução dos juros. Para compensar cresce a
possibilidade de redução do recolhimento compulsório sobre os depósitos
bancários, hoje de 45% em média.
O que aumentaria a oferta de crédito, barateando as taxas para indústrias e
varejo.
Um susto a menos
Bancos de investimento paulistas trabalhavam com a informação de que a
Globopar, controladora da Net, conseguira a rejeição na Justiça americana do
pedido de falência formulado contra ela.
Milagre fiscal
O aperto da fiscalização está reduzindo negócios no paralelo. Quem procura
dólares em cifras vistosas no câmbio negro recebe a recomendação de esperar até
janeiro. O caixa 2, quem diria, está desviado para a produção.
Missão secreta
O chefe da Casa Civil, José Dirceu, encarregou dois parlamentares e um
ex-deputado de excelente trânsito no Supremo Tribunal Federal de sondar as
reações às ações diretas de inconstitucionalidade movidas pelo PSDB e pelo PFL
contra as medidas provisórias do setor elétrico.
Em pelo menos um caso, pelo que advertiu um dos ministros do STF ouvidos, os
dispositivos contrariam jurisprudência do tribunal quanto aos limites para as
MPs.
Topo do ranking
Com valorização de 524,24% ao longo do ano, os ADRs da Braskem ocupam o topo da
lista elaborada pelo Bank of New York. Quem quiser conferir, pode acessar o
link: http://www.adrbny.com.
Será que agora vai?
A Confab repetiu ontem o desempenho registrado no último dia 10. A empresa
fechou o dia em alta de 7,45%, tendo negociado 1, 271 milhão de ações, quando a
média dos últimos 30 dias é de 391 mil ações/dia. Mais uma vez, os rumores
sobre novas encomendas de tubos de aço soldados animaram os investidores.
Disputa em duas frentes
A Telos aposta que o consórcio formado por Brasil Telecom, Telemar e Telefonica
vai enfrentar, na disputa, outro problema além da necessidade de garantir que a
compra da Embratel não infringe a Lei Geral de Telecomunicações e a legislação
anti-truste.
A fundação, que formalizou proposta pela patrocinadora, lembra que as fixas
terão ainda que convencer o governo de que são empresas de controle nacional.
A Telefônica é 100% espanhola e a Brasil Telecom tem forte presença da Telecom
Itália, aponta o fundo de funcionários da Embratel, até a semana passada
presidido por Solange Vieira.
Otimista, mas nem tanto
O americano Bear Stearns elevou o preço-alvo da Eletrobras em 2,1% e o ganho
por ação, ano que vem, em 2,3%. A recomendação para as ações da empresa ainda é
de venda.
Pulo do gato
Minoritária na Tele Centro Oeste Celular, a JGP descobriu um furo na avaliação
da compradora, a Telesp Celular. O ágio na compra da Global Telecom foi
diferido, mas o ativo incorporado de uma só vez ao patrimônio líquido da Telesp
Celular.
Com Carla Falcão
JORNAL DO BRASIL | INFORME JB | 18/12/2003
Centralismo
BELISA RIBEIRO
Causa espanto ver comunistas históricos indignados com a atitude - e bota
atitude nisso - do PT em relação a seus radicais. Integrantes do bom e velho
partidão, que inegáveis serviços prestaram à reconquista da democracia na
nação, chegavam a pedir, e consideravam normal pedir, permissão ao partido para
se separar de suas esposas. Invariavelmente negada a opção do divórcio (na época,
aliás, desquite), os mais afoitos chegavam a ter relacionamentos paralelos ao
casamento falido, mas por períodos curtos e fora da vista da Direção, com D
maiúsculo. Prazer insuportável era expressão usada com freqüência pelos
senhores que hoje, em busca de uma ideologia no melhor estilo Cazuza, renegam a
decisão do partido que, sem jamais se ter apregoado marxista, de braços abertos
os recebeu, quando se viram sem pai nem mãe.
Mesmo Gramsci, o ideólogo italiano que os desculpou da rejeição ao centralismo
democrático - modo assumido de controle do PC desde sempre e em todo mundo -,
não ficaria surpreso com o que o poder pode. Estar no governo de um país como o
Brasil, no mundo globalizado de hoje, é perder a pureza seringal e conciliar.
Assim fez FH 1 e 2. Os que não o fizeram, como Jânio Quadros e João Goulart,
tiveram o destino que sabemos. Foi, aliás, esta a tese do PC contra todos os
movimentos guerrilheiros desde sempre. Chegar ao poder, custe o que custar em
termos de aliança. Por que criticar Lula? Todos sabemos que, como bem frisou a
cabeça mais partidão da direita em todos os tempos - por sua disciplina,
respeito à hierarquia e capacidade de seguir a cartilha que adotou -, o
ex-ministro da Fazenda e todo-poderoso da ditadura Delfim Netto, não dá para
fazer omelete sem quebrar os ovos.
Para todos
Todo contente. Assim o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se define depois da
aprovação no Congresso de seu projeto de Renda Mínima, que prevê proventos a
brasileiros de qualquer faixa de renda, a começar pelos mais pobres. José
Dirceu, o superpoderoso da Casa Civil, garantiu ontem a ele que o presidente
Lula sanciona a lei na primeira quinzena de janeiro.
Para todas
Boa nova para futuras mães. Aprovado ontem no Senado, projeto da senadora Ideli
Salvatti (PT-SC), com relatório da senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE),
concede às gestantes, perante o SUS, direito a acompanhante durante a
internação para o parto. Ideli argumenta que, com a mudança, as mulheres
confiarão mais no parto normal, diminuindo gastos do sistema com cesarianas.
Haja sapato
Não acredite. João Paulo Cunha (PT-SP) tem gastado tempo desmentindo e-mail que
afirma ter a Câmara contratado serviços de engraxataria no valor de R$ 3
milhões por 12 meses. Equivale a R$ 261 mil por mês ou R$ 8.700 por dia, igual
à alimentação de 174 famílias em um mês, pelas normas do Fome Zero. O
presidente da Câmara faz questão de lembrar que deputados, mesmo pagando, só
podem deixar sapatinhos luzindo no Senado. A Câmara não tem e não terá
engraxates.
Professor Alceu
O deputado Alceu Collares (PDT-RS) oferece curso de educação a distância sobre
ciência política, finanças públicas e marketing político. Com direito a
respostas on-line do ex governador gaúcho, o curso, totalmente gratuito, anda
provocando a ira dos marqueteiros profissionais.
Um pouco mais
O vice-presidente José Alencar participou ontem da entrega da Medalha do
Conhecimento a dez empresários na CNI. Só para variar, combateu juros altos e
custo idem da produção. Disse que faz críticas de coração aberto porque é amigo
do presidente Lula. E fechou a fala com a seguinte pérola, arrancando
gargalhadas dos empresários:
- Já tenho tudo na vida, que posso querer? Bem, talvez mais umas três ou quatro
eleições.
Plano Varig 1
Depois do BNDES, será a vez do Ministério da Defesa analisar o plano de
reestruturação da Varig. Derrubada a fusão com a TAM, o porta-voz dos
funcionários da empresa, Márcio Marsillac, apresenta a proposta hoje ao ministro
José Viegas. O encontro foi articulado pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS)
e o plano será levado ainda a Antonio Palocci e José Dirceu.
Plano Varig 2
Os funcionários da Varig buscaram ajuda junto ao consultor Paulo Rabello de
Castro. Defenderão a tese de que a empresa aérea é viável e rentável, porém
precisa de reestruturação. Sugerem redução do número de gerências e das
comissões de vendas e reforço nas operações de carga, em rotas-chave como Nova
York.
Beijo no coração 2
A senadora Heloísa Helena desejou feliz Natal em plenário, ontem, repetindo
beijo no coração, com ressalva a este informe.
- Disseram que a Xuxa é que usa esta expressão. Imagina a neguinha aqui
imitando a galega!
JOGO RÁPIDO
Depois de receber, das mãos de Kofi Annan, o maior prêmio ambiental do mundo,
no valor de US$ 200mil, concedido pela ONU, Dener Giovanini, coordenador- geral
da Renctas, a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de animais silvestres, vai
receber o título de cidadão paulistano e brasiliense e abrir sua ONG para
projetos sociais e culturais.
Componente do leque de estratégias do Plano Nacional de Reforma Agrária, será
assinada sexta-feira portaria de criação de novo projeto de assentamento para
áreas de floresta. A nova modalidade será implantada no Acre, Amazonas e
Rondônia e tem como objetivo aliar produção familiar e preservação do meio
ambiente.
Com Doca de Oliveira e Bruno Arruda
O GLOBO | PANORAMA POLÍTICO | 18/12/2003
Entes distintos
O balanço do primeiro ano de
governo que o presidente Lula faz hoje com todos os seus ministros é para o
público externo. Ninguém imagina que algum ministro fará autocrítica nos
balanços de gestão encaminhados ao Planalto. Para consumo interno, o balanço é
outro e coincide com revelações da pesquisa CNI/Ibope: Lula continua pairando
acima de seu governo. Mantém a popularidade enquanto a aprovação do governo
decai.
Este descompasso pode sustentar-se durante algum tempo mas nunca durante o
mandato inteiro. Também por isso, e não apenas para integrar o PMDB ao governo,
Lula terá que fazer mudanças no Ministério, alterando também seu perfil
administrativo. No Planalto faz-se esta conta: é preciso aproximar as
avaliações, puxando para cima os índices de desempenho do governo.
Enquanto a aprovação pessoal de Lula variou de 69% para 66%, o julgamento de
seu primeiro ano de governo mereceu a aprovação (bom e ótimo) de 41% contra 43%
dos que optaram pela nota regular. É o ceticismo começando a crescer sobre o
otimismo.
No balanço que fará hoje, Lula usará os argumentos que já vem surrando para
manter viva a chama da esperança: até aqui o governo consumiu-se em esforços,
que impuseram sacrifícios ao país, para abrandar temores e desconfianças do
mercado, reduzir o risco-país, debelar o risco inflacionário e aprovar as
reformas. Afora o destaque que dará à política externa, será pálido o balanço
das ações setoriais, poucas delas merecedoras da promessa de mudança.
Até aqui, a população parece estar aceitando bem a argumentação de que mais não
foi feito porque era preciso arrumar a casa. Para 84% dos entrevistados na
pesquisa CNI/Ibope, 2004 será um ano bom ou muito bom, melhor do que este que
se encerra.
Aldo Rebelo, líder do governo na Câmara, destaca outra revelação da pesquisa
como a mais importante, do ponto de vista da força politica de Lula junto à
população. A de que, se a eleição fosse hoje, ele ainda ganharia, e no primeiro
turno, por 53% dos votos. O tucano José Serra teria 18% dos votos, Garotinho,
9%, e Ciro Gomes, 7%.
Este é de fato um dado relevante. As coisas ficam ruins mesmo é quando o
eleitorado começa a achar que fez a escolha errada. Pelo visto, ainda está
longe de chegar a este ponto mas isso não significa que a indulgência vá durar
para sempre. Até porque as desculpas que serão usadas hoje não terão mais
validade daqui a um ano.
Dinheiro para o Rio
Tardou mas o governo Lula deu as castanhas de Natal prometidas ao governo do
Rio de Janeiro. No fim da manhã, os senadores Renan Calheiros e Sérgio Cabral
Filho reuniram-se com o ministro Palocci e o secretário do Tesouro, Joaquim
Levy, para bater o martelo. A União antecipará R$ 1 bilhão ao governo do Rio
por conta dos CTFs (certificados do Tesouro) que tem em carteira, tendo como
garantia a receita de royalties do petróleo. Hoje mesmo serão liberados os R$
400 milhões para a folga de caixa, em janeiro saem mais R$ 150 milhões, o mesmo
valor em 2 de julho, R$ 100 milhões no segundo semestre e R$ 250 milhões em
janeiro de 2005.
Mais tarde, tudo foi politicamente sacramentado numa conversa entre o
secretário Garotinho, Renan e o ministro Dirceu.
Hora H
O governo recusou-se até o momento a negociar o teor da MP da Cofins mas agora
terá que ceder. Os dias estão contados e, por conta de medidas sujeitas à anualidade
fiscal, a MP tem que ser aprovada até o dia 31. O acordo deve sair hoje,
reduzindo a alíquota de 7,6% para alguns setores.
— Não estamos pondo a faca no pescoço do governo mas sem concessão não
votaremos — diz o líder do PFL, José Carlos Aleluia.
Sementes
O embaixador em Havana, Tilden Santiago, está no Brasil para passar o Natal,
trazendo boas notícias para o amigo Lula. Os acordos com a ilha começam a
produzir resultados. A Petrobras receberá dois blocos para exploração de
petróleo no Golfo do México. A Andrade Gutiérrez, em consórcio com uma empresa
espanhola, já prepara a implantação de usinas para produzir álcool hidratado em
Cuba.
José Richa
José Richa, falecido ontem, descobriu há dez anos que havia vida fora da
política e não se candidatou mais. Ontem, “o turco” foi lembrado o dia todo no
Senado, onde deixou amigos, lições políticas e histórias deliciosas. Lutou
pelas diretas como governador, ajudou a eleger Tancredo e elegeu-se para a
Constituinte. Ali, espremido entre o fogo da direita aglutinada no Centrão e a
guerrilha da esquerda dispersa entre vários partidos, organizou o Grupo dos 32,
negociando com uns e outros para evitar alguns desatinos da futura
Constituição. Nem todos. O grupo era obstinado mas pequeno naquele universo.
O MINISTRO Ciro Gomes não foge de briga e às vezes compra uma. Ontem
reuniu-se longamente com a ministra Dilma Roussef e saiu como seu escudeiro,
disposto a combater tucanos e pefelistas em defesa do novo modelo do setor
elétrico.
O GLOBO | PANORAMA ECONÔMICO | 18/12/2003
Calote de Itararé
Na última reunião do Copom no
ano, os juros consolidaram a queda de dez pontos percentuais do nível mais alto
em que estiveram. Uma queda forte, mas insuficiente para impedir que o ano
termine com crescimento zero. A dívida/PIB caiu um pouco no ano, mas permanece
alta demais, em parte, pelo custo excessivo provocado pelos juros altos. O
Banco Central melhorou a composição da dívida. Caiu o volume de títulos
corrigidos pelo dólar e aumentou o de papéis prefixados.
No fim do ano passado, o país não conseguia rolar sua dívida, o mercado não
aceitava correr risco de emprestar para o governo. A venda de títulos de
curtíssimo prazo era apenas com papéis pós-fixados, aqueles nos quais os juros
pagos são os do dia do vencimento. Isso significa, em outras palavras, que a
expectativa era de que os juros subiriam. Além disso, 40% da dívida eram
corrigidos pelo dólar. Em resumo: dívida de vencimento curto, protegida pelo
câmbio e, mesmo assim, com juros a fixar no dia do vencimento. Todos sinais de
medo de que algo fosse acontecer com a dívida.
Superado o risco do calote, o Banco Central começou uma lenta caminhada para a
normalização. Não completada, mas já com alguns sinais bons. Veja os gráficos
abaixo feitos pelo Banco Central.
Primeiro, a queda dos títulos corrigidos pelo dólar, que são problemáticos em
época de crise. Se o dólar dispara — como já aconteceu várias vezes nos últimos
anos — a dívida fica instantaneamente mais cara. O BC foi reduzindo o total da
rolagem, resgatando um pouco a cada vencimento. Aumentou o volume de resgate
durante o ano. Isso evitou que o real subisse muito e reduziu este ponto de
vulnerabilidade. Agora, o volume de papéis cambiais é de 24% do total.
Segundo, a alta do volume de venda de títulos prefixados, dando mais um sinal
de que o mercado prevê a queda dos juros nos próximos meses.
Terceiro, a queda dos juros privados. Nas operações de 360 dias que têm impacto
nos custos de financiamento das empresas, os juros vêm caindo mais fortemente
do que as taxas do Banco Central.
A taxa Selic com que se encerra o ano de 2003 é a menor desde abril de 2001.
Nos últimos anos, os juros têm sido altos e com oscilações bruscas. O ano de 99
começou com um mega-choque de juros para enfrentar a desvalorização. Chegou a
45%. Depois foi caindo ao longo do ano e fechou em 19%. Nos dois anos
seguintes, ficou relativamente estável. No ano passado, começou o novo choque
de juros que vem sendo desfeito este ano. Em outubro foi de 18% para 21% e
continuou subindo até à segunda reunião do Copom de 2003 quando atingiu os
26,5%. Em junho, começou a lenta queda que, em sete meses, derrubou a taxa em
dez pontos percentuais. O Banco Central aproveitou a onda de melhora — após o
sucesso na política antiinflacionária — para mudar a composição da dívida.
Ainda há uma enorme estrada no trabalho de tornar a dívida mais barata,
reduzi-la como proporção do PIB, ter taxas compatíveis com o crescimento,
diminuir os juros para as empresas e pessoas físicas, diminuir as enormes
diferenças cobradas pelos bancos entre as taxas de captação e de empréstimo,
aumentar o volume de crédito na economia. Passos fundamentais para que o Brasil
tenha uma economia normal. Hoje ainda não tem. O que se fechou ontem, com
sucesso, foi o processo de superação da gravíssima crise de confiança que fazia
com que, há pouco mais de um ano, os relatórios dos bancos apostassem no calote
brasileiro. Não houve calote e os juros caíram dez pontos percentuais em 2003.
Isso não resolve a aflição da falta de crescimento, mas encerra de forma
positiva o ano.
O BANCO do Brasil concluiu ontem a sua mais longa captação no mercado
internacional desde 1997: foram US$ 250 milhões com prazo de 10 anos e spread
de 2,92%. Segundo o vice-presidente da área internacional, Rossano Maranhão,
“um sinal inequívoco de que a tendência é reduzir cada vez mais o spread e
aumentar o prazo”. No total, o BB captou este ano US$ 940 milhões, quase o
dobro da meta inicial.
O GLOBO | ANCELMO GOIS | 18/12/2003
Base ou topo
Aloizio Mercadante foi o
convidado de honra do almoço de fim de ano, ontem, da bancada de senadores do
PMDB.
No discurso, o líder do governo elogiou o partido e brindou:
— Ao PMDB, importante partido da base do governo!
No que José Sarney retrucou:
— Só que, ao invés de base, preferimos ser topo...
Amigo da Coca-Cola
Este fiscal aposentado Eduardo Bastos Campos, um dos três acusados de ter
recebido R$ 700 mil da Elma Telecomunicações, foi quem aprovou, no final de
2000, o perdão de uma dívida da Coca-Cola com o governo fluminense no valor R$
468 milhões.
Na época, era subsecretário de Administração Tributária da governadora Benedita
da Silva.
A morte do provão
Paulo Renato acha que Cristovam Buarque quis ser esperto:
— Anunciou que não ia acabar com o provão, recebeu elogios e, na hora H,
extinguiu o exame.
O ex-ministro vai estrilar.
Zuzu bem... hic...
Tudo bem que o teste foi no local do crime. Mas, terça à noite, na estréia da
campanha de fim de ano do Detran-RJ em bares da Lapa, do Baixo Gávea e da Cobal
do Humaitá, só um motorista entre 200 — só unzinho! — passou no teste do
bafômetro.
Cena carioca
O bacana no banco de trás do Mercedes LBH 8137, novinho, jogou lixo pela janela
ontem, veja só que sujismundo, em plena Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, por
volta das 16h. Mas, doutor...
Cine Rio
O grupo Severiano Ribeiro vai recuperar o velho Cine Palácio, na Rua do
Passeio, no Centro do Rio, para fazer dele um local de eventos como é hoje o
Odeon BR, na Cinelândia, ali pertinho.
Muito legal.
Portela no Planalto
Amanhã, Lula premia com a Ordem do Mérito Cultural um punhado de artistas.
Entre eles, a minha, a sua, a nossa Velha Guarda da Portela, a escola trocada
pela Gaviões da Fiel na viagem do presidente às Arábias. Parece um delicado
pedido de desculpas.
Aliás...
A lista de premiados por Lula inclui ainda Herbert Viana, a turma do Casseta
& Planeta e, entre outros, Chico Buarque.
Mas Chico, discreto, agradeceu e, por puro recato, disse que não vai. Ele pode.
Golpe duro
A indústria fonográfica sofreu uma baita derrota na reunião do Conselho dos
Secretários de Fazenda esta semana.
O Confaz diminuiu em 42% a parte do ICMS que as gravadoras aplicam em projetos
de incentivo à MPB. Os artistas temem que as empresas parem de investir no
produto nacional.
O caso Leal
O STJ volta hoje a discutir o destino do ministro Vicente Leal, acusado de
vender hábeas-corpus para a quadrilha do traficante Leonardo Dias de Mendonça,
preso na “Operação Diamante”.
Leal foi afastado de suas funções há oito meses com os votos de 30 ministros
(ao todo, são 33).
QG
Hoje vai ter festa no Hotel Glória ou no Copacabana Palace.
O senador Marco Maciel montou seu QG no Glória para aguardar o resultado da
eleição na Academia Brasileira de Letras.
Já Fernando Morais sentou praça no quarto 855 do Copacabana Palace.
Gêmeas
No carnaval de 2004, a Mocidade vai trazer quatro duplas de gêmeas no seu carro
abre-alas.
Entre elas, as gauchinhas Deisi e Sarah, capas da “Playboy” brasileira de
fevereiro.
Desculpa
O petista Carlos Minc reconhece que furou a fila do lançamento do livro de Frei
Betto:
— Mas foi só para dar um abraço e não para pegar autógrafo.
Ah, bom!
De volta à escola
Valéria Francisco de Melo, Daniela Muzzi e Jacira Siqueira Rezende, internas do
Presídio Talavera Bruce, em Bangu, no Rio, recebem hoje, às 9h, diplomas do
Ensino Médio.
São as primeiras alunas do presídio a ganhar o canudo.
UMA MISSA amanhã, às 11h, na cripta da Catedral do Rio, marcará a
despedida dos cariocas aos restos mortais de Arthur Bispo do Rosário. A ossada
estava no Cemitério do Pechincha, e será transferida para a cidade natal do
artista, Japaratuba, em Sergipe. Lá, dia 4, Bispo do Rosário receberá a
homenagem dos conterrâneos, com direito à presença do ministro Gil. Hoje
cultuado em países como França, Holanda e Alemanha, o artista viveu muitos anos
internado como louco na Colônia Juliano Moreira. O deputado Otávio Leite, sergipano
como ele, é quem organiza o translado
Gustavo Leonardos assume hoje a presidência da Associação Brasileira da
Propriedade Intelectual.
Às 20h, será lançado “Epidemia indetectável”, com textos de Liv Sovik, Mauro
Ventura, entre outros, no Solar da Imperatriz.
A Amaerj inaugura hoje a sala Ministro Waldemar Zveiter, na 25 Vara Cível.
É hoje a entrega do II Prêmio Star One para os melhores projetos de satélite do
país.
O Bloco Carmelitas lança hoje sua camiseta no Parque das Ruínas.
Hoje, Dener Giovanini (Renctas) fala no programa de Sheila Moura, às 11h, na
Rádio Nacional.
COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MÁRCIA VIEIRA E MARCEU VIEIRAE-mail para esta
coluna: ancelmo@oglobo.com.br
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL S/A | 18/12/2003
Pré-datados...
A movimentação de cheques
pré-datados deve crescer 7% neste Natal sobre 2002, segundo a Abracheque. A
entidade prevê a emissão de 145 milhões de pré-datados entre os dias 1º e 25 de
dezembro.
...em alta
Ainda segundo a Abracheque, 72,5% dos cheques no varejo são pré-datados. As
regiões de maior inadimplência são Nordeste (8,2%) e Norte (7,8%).
Novo posto
Henri Philippe Reichstul foi convidado (e aceitou) ser membro do conselho de
administração da Prisma Energy International, empresa com sede em Houston (EUA)
formada pelos credores da Enron, que faliu após a descoberta de fraudes em seu
balanço. A Enron é dona, no Brasil, da distribuidora Elektro.
Barreira quebrada
O patrimônio do BB Fund, o fundo "offshore" da BB distribuidora com
sede em Cayman, quebrou a barreira dos US$ 2 bilhões. No início do ano, o fundo
registrava US$ 300 milhões de patrimônio. O BB Fund já é, desde outubro, o
maior fundo "offshore" do país.
No ar
Um grupo de parlamentares acompanha hoje os trabalhadores da Varig na reunião
com José Viegas (Defesa). Eles buscam apoio à proposta de reestruturação da
empresa que está sendo analisada pelo BNDES.
Exportações
A Couromoda, feira do setor de calçados e artefatos de couro, lança o Couromoda
Exporter, programa de incentivo às exportações. Em 2003, as exportações do
setor atingiram R$ 3 bilhões.
Restauração
A Caixa Econômica inaugura hoje nova agência em Higienópolis, num prédio de
1922 tombado pelo Patrimônio Histórico e cuja restauração levou nove meses. A
agência vai receber as contas de 9.000 clientes que eram atendidos na unidade
antiga da Caixa no bairro, aberta há 21 anos.
Fogueira das vaidades
A Receita Federal destruirá hoje, no aeroporto de Guarulhos, centenas de
carteiras e canetas Montblanc falsificadas. A carga, procedente de Hong Kong,
foi apreendida no começo do ano.
Aposta
Os encargos do Balance Transfer, AmexPlan, PayFlex e Cash by Phone, da American
Express, estão menores durante este mês. A empresa aposta em um crescimento de
15% na utilização do cartão em dezembro e no aumento do uso de produtos de
financiamento.
Filantropia
O fundo Ação Social do HSBC Investment Bank doou R$ 26 mil ao Centro de Audição
da Criança, entidade filantrópica da PUC-SP. A cada R$ 50 mil de receita com a
sua taxa de administração, o fundo destina metade a uma instituição de crianças
carentes.
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL | 18/12/2003
Grade de programação
O governo, que planejava colocar
Lula em rede de TV e rádio no dia 22, agora estuda fazê-lo no dia 29. O
discurso, na linha do programado para hoje no Planalto, afirmaria que as
prometidas mudanças já começaram. O presidente ainda não decidiu se fará o
pronunciamento.
Retrospectiva 2003
Na Câmara está definido: o presidente João Paulo Cunha falará em cadeia de
rádio e TV na próxima segunda. O petista destacará o trabalho da Casa na
aprovação das reformas e do Estatuto do Desarmamento.
Gerenciamento de crise
O "prêmio espontaneidade" de 2003 vai para a imagem do ministro da
Previdência Social, Ricardo Berzoini, beijando uma idosa na testa durante
solenidade no Banco do Brasil.
Bom velhinho
Informado de que o PV não tem verba para produzir os dois minutos de propaganda
reservados ao partido em 25 de dezembro, Duda Mendonça procurou Zequinha Sarney
e ofereceu seus serviços gratuitamente.
Novos estudos
O ministro Cristovam Buarque (Educação) assinou portaria autorizando a abertura
da primeira faculdade de teologia umbandista do país. Funcionará em São Paulo a
partir de 2004.
Clima pesado
De Roberto Requião (PMDB) para o desafeto Cássio Taniguchi (PFL), prefeito de
Curitiba, segundo testemunhas presentes ao velório de José Richa: "Espero
estar no teu enterro". A assessoria do governador do Paraná não confirma
nem desmente.
Mocinho e bandido
Em faixas espalhadas pelo Congresso, sindicatos de servidores pedem votação
urgente da PEC paralela da Previdência. Os mesmos sindicatos haviam colocado em
outdoors fotos de deputados favoráveis à reforma.
Dói no bolso
De acordo com levantamento realizado pelo PSDB, o Orçamento de 2004 provocará
aumento de R$ 19,2 bilhões na arrecadação tributária, equivalente a 1,13% da
carga atual. A proposta orçamentária do petista Jorge Bittar (RJ) deverá ser
votada amanhã no Congresso.
Escalada
O estudo tucano aponta que a elevação da carga tributária virá principalmente
do acréscimo da Cofins (R$ 15 bilhões) e do PIS (R$ 2,5 bilhões). O percentual
da arrecadação tributária no Orçamento saltará dos atuais 23,13% para 24,26% no
ano que vem.
Virou fumaça
A Comissão de Orçamento vetou uma emenda de R$ 850 milhões que seria destinada
à Aeronáutica para a compra de novos aviões de defesa. A menos que o governo
promova um remanejamento na proposta, não haverá recursos para o programa no
ano que vem.
Tudo no papel
O deputado Vander Loubet, sobrinho de Zeca do PT, será o candidato do partido à
prefeitura de Campo Grande (MS). Coordenando a campanha do tio em 1998, ele
prometeu 53 cargos no governo a empresários em troca de apoio. O acordo foi
registrado em cartório.
Encrenca sem fim
A Fundação Oswaldo Cruz enviou à Câmara carta sugerindo que a CTNBio só dê
pareceres conclusivos na análise de transgênicos para reprová-los. No caso de
aprovação, o parecer seria consultivo, ou seja, dependeria da posição de outros
órgãos.
Terra de ninguém
Pernambuco foi o Estado recordista em invasões de terra nos primeiros 11 meses
do ano. Foram 61 ocorrências -cerca de 30% do total de todo o país.
O ESTADO DE S. PAULO | DORA KRAMER | 18/12/2003
Uma reforma na aliança
A conversa é preliminar, pontual
e feita ainda em caráter exploratório. Mas já se começa a falar seriamente no
primeiríssimo escalão federal numa reforma na base de sustentação política do
governo.
Um resumo simplificado desenharia a troca de aliados, digamos, conservadores -
como PTB e PL - por parceiros de perfil mais afinado com o PT, como parcelas do
PMDB e do PSDB.
Pela análise dos ideólogos dessa mudança, a agenda com os chamados setores
atrasados - sim, é assim que são referidos internamente - teria se esgotado com
a aprovação das reformas previdenciária e tributária e com a sustentação
política neste primeiro ano de conquista e afirmação da confiança externa.
Daqui em diante, se quiser assumir a pauta do crescimento com justiça social e,
portanto, distribuição de renda, o governo terá de se desvencilhar da dinâmica
fisiológica na relação com o Congresso e criar vínculos fortes com o setor
produtivo, cuja representação está primordialmente no PSDB.
Mas o primeiro passo em direção à troca não está na aproximação com os tucanos,
intento de difícil execução prática.
O início dar-se-ia pela entrada no ministério do PMDB, o maior interessado em
se associar a qualquer projeto nacional que lhe permita ter alguma consistência
no diálogo com a sociedade.
Mas, a fim de que isso não represente um aprofundamento do acerto com o atraso
feito para sustentar a arrancada inicial, é preciso fazer a aproximação com o
PMDB, "por aquilo que o partido tem de melhor", para usar as palavras
ditas nas internas governamentais.
E por "melhor", entenda-se a busca de figuras cujos passados não são
questionáveis. Considerando a ausência desse pré-requisito em boa parte dos
atuais interlocutores pemedebistas com o governo, é de se supor que a
acomodação do PMDB na aliança não seja feita em apenas uma etapa.
De fato, pelo projeto esboçado nas cabeças reformistas, trata-se de uma
articulação demorada, para ser posta em prática ao longo do "primeiro
governo Lula".
Exatamente por representar uma profunda alteração na composição da elite
política, trata-se de um projeto fadado ao enfrentamento de fortes
resistências. À direita e à esquerda.
O aparentemente mais óbvio dos obstáculos a uma aproximação entre petistas e
tucanos - as disputas eleitorais - não seria um grande problema na visão dos
formuladores dessa teoria.
Na realidade, já têm havido conversas no eixo Brasília-São Paulo no sentido de
construir essas pontes. Nelas não entra a questão eleitoral, porque é um tema
que divide e, por ora, vai continuar dividindo. A junção de interesses seria em
outra esfera, a da condução de uma política de desenvolvimento e da execução de
vários projetos que passam ao largo de contendas partidárias.
Por exemplo, sobre a questão do estabelecimento de regras claras para o setor
de infra-estrutura, o chamado marco regulatório. Do lado do governo haveria
disposição - por enquanto teórica - de ouvir reservadamente o que gente do
PSDB, de ligações estreitas com o setor produtivo, teria a dizer sobre o
assunto.
Da parte dos tucanos, o PT poderá encontrar - e de certa forma até já tem
encontrado - uma boa receptividade a esse debate. Mas é provável também que se
depare com bravas resistências.
Por vários motivos. Entre eles, a ausência de unanimidade em torno da tese de
que disputas eleitorais devem ficar em segundo plano.
Além disso, devem ser poucos os tucanos hoje apaziguados o suficiente para
aceitar ajudar o PT a melhorar sua composição política e ativar sua operação
administrativa. Ainda mais fazendo isso na penumbra do bastidor, depois de o
PSDB ter apanhado por oito anos na cena principal e debaixo da luz do mais
forte refletor.
Prudente recuo O Planalto demonstrou senso de autopreservação ao mudar o formato
da cerimônia de balanço de primeiro ano de governo, a ser realizada hoje de
manhã.
Antes concebida como uma reunião ministerial onde cada titular falaria sobre as
realizações de sua pasta, a solenidade ficou resumida à exibição de um vídeo e
a um pronunciamento do presidente da República.
O primeiro formato, divulgado por um auxiliar direto de Lula no início do mês,
no qual os 35 ministros seriam obrigados a relatar seus feitos, era um evidente
convite ao constrangimento daqueles que nada teriam a dizer.
De duas, uma O ministro Luiz Gushiken e o prefeito de Santo André, João
Avamileno, precisam entrar num acordo. Ou bem, como diz Gushiken, o caso Celso
Daniel "é um problema localizado de Santo André", ou, como diz o
prefeito, é "uma armação nacional contra o PT".
CORREIO BRAZILIENSE | BRASÍLIA - DF | 18/12/2003
Vento a favor
Arlete Salvador
arlete.salvador@correioweb.com.br
Assunto tratado como segredo de estado no Congresso, a possibilidade de reeleição
dos presidentes da Câmara e do Congresso caminha a passos largos nos
bastidores. Um dos maiores obstáculos para a tese da reeleição, que exige
mudança na Constituição, era o senador Renan Calheiros, líder do PMDB no
Senado, que sonhava substituir José Sarney na presidência da Casa. Mas Renan já
disse ao próprio Sarney que, havendo reeleição, ele não disputará o posto.
A posição de Renan facilita a tramitação da proposta, já aprovada na Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara. Um líder governista garante que a proposta
pode ser votada no primeiro semestre de 2004, para não se misturar com a
confusão eleitoral do segundo. Além disso, o Planalto parece disposto a cruzar
os braços sobre o assunto. Como quem cala consente... o tema ganha fôlego no começo
do ano.
Santo André, não
As investigações sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel,
tiram o sono dos petistas. Na Câmara, armou-se uma espécie de cordão de
isolamento para evitar qualquer iniciativa da oposição para dar dimensão
nacional ao caso. Tramita por lá requerimento do deputado Luiz Carlos Hauly
(PSDB-PR) pedindo cópias e transcrições das gravações feitas pela Polícia Federal durante as investigações.
O documento passou pela Comissão de Relações Exteriores e foi empurrado para a
Comissão de Segurança Pública, onde aguarda votação. Outra versão foi
apresentada à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, onde a
oposição é maioria. Por pouco o requerimento não foi votado na segunda-feira
passada. Os governistas entraram em ação no último minuto. O presidente da
Comissão, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), pediu a suspensão da reunião.
Dona maioria
A bancada petista na Câmara formou uma comissão para preparar um projeto de
liderança, um documento de compromissos a ser seguido pelo próximo líder da
bancada. A troca de titular só deve acontecer no ano que vem. Há dois
candidatos na disputa — Arlindo Chinaglia (SP) e Henrique Fontana (RS) —, mas
já há vozes no campo majoritário dispostos a brigar por uma candidatura mais
próxima do Planalto. ‘‘Ninguém consegue ser líder se não representar a
maioria’’, explica uma dessas vozes.
Ajuda familiar
Relatora do projeto que trata da Mata Atlântica, a senadora Roseana Sarney
(foto), do PFL do Maranhão, conseguiu fechar um acordo para a aprovação da
matéria ainda hoje, no Senado, com pequenas modificações. Pouco familiarizada
com questões ambientais, ela atendeu a um pedido do irmão, o deputado Sarney
Filho (PV-MA), que estava preocupado com a possibilidade de o assunto empacar
no Senado, depois de 11 anos de tramitação na Câmara.
O acordo para aprovação estava fechado. O que fizemos foi economizar uns 20
discursos
José Agripino Maia (PFL-RN), sobre a rapidez na votação da reforma tributária.
Novos aliados
Juntar PT e PMDB nas eleições municipais de 2004 não será tarefa fácil,
principalmente nas capitais. Em Campo Grande, Mato Grosso, onde o deputado
federal Vander Loubet venceu as prévias petistas para disputar a prefeitura da
cidade, o PMDB é adversário visceral. Por lá, para vencer, o deputado terá de
fazer o que Lula fez: buscar alianças à direita, com PP, PL e PTB.
Portas abertas
O PTB faz uma grande reunião amanhã, em Cuiabá, como parte da estratégia de
reorganização partidária para a disputa das eleições municipais e para
enfrentar a cláusula de barreira de 2006. Este ano, o PTB aderiu à base
governista e aumentou em mais de 100% a sua bancada na Câmara — saltou de 26
para 56 deputados federais. O partido, que inchou em cima, quer aumentar os
filiados embaixo.
Outra reforma
O auditório do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares irá se transformar em estúdio
da TV Câmara. Usado para palestras, cursos e exibição de filmes, a sala manterá
as atividades, tornando-se espaço multiuso. Ganhará revestimento acústico e
outras modificações para servir de cenário para debates como
o Câmara ao Vivo, realizado às sextas-feiras, e até programas de auditório.
Com klecius Henrique
klecius.henrique@correioweb.com.br
JORNAL DE BRASÍLIA | CLÁUDIO HUMBERTO | 18/12/2003
“A reforma tributária mantém os dois monstrengos arrecadatórios”
Senadora Heloísa Helena (AL),
sobre a CPMF e a Desvinculação de Receitas da União (DRU)
Governo autorizará 3 cassinos
Decidido a legalizar o jogo, o governo federal ignora os protestos e ameaças do
governador do Paraná, Roberto Requião, e finaliza a minuta do projeto que
autoriza o funcionamento de cassinos no Brasil. A princípio serão três
concessões, mediante concorrência pública internacional, em localidades
turísticas: Foz do Iguaçu (PR), Costas do Sauípe (BA) e no Amazonas. A
legislação será tão severa quanto a americana.
Tudo armado
Em nome do PTB, Eduardo Ferrão, conhecido advogado de Brasília, finaliza a ação
declaratória de inconstitucionalidade do Estatuto do Desarmamento. Será
protocolada no STF tão logo o presidente Lula sancione a lei.
Nem te ligo
O Tribunal de Contas da União ainda aguarda informações solicitadas sobre a
contratação de 21 assessores pelo presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli
Rosa. Mais de quinze nem sequer pertencem aos quadros da estatal.
Olho gordo
O ministro José Graziano e Antonino Trevisan, da ONG que apóia o Fome Zero,
vestiram as camisetas alusivas ao programa, num evento em São Paulo, no camarim
das modelos. Mas juram que fecharam os olhos.
Sem compromisso
Ou o responsável pelo site dormiu no ponto ou o conselho diretor trabalha
pouco: na página da Agência Nacional de Telecomunicações na internet, o último
evento na agenda do presidente Luiz Schymura foi no dia 24/10. E Luiz Tito
Cerasoli, coitado, só trabalhou em 16 de abril.
Agências eleitorais
A prefeitura de São Paulo é a origem da proposta de criação das agências
municipais de empregos com recursos do FAT. De olho nas eleições de 2004, o PT
quer concorrer com agências de empregos do governo de São Paulo e da Força
Sindical, adversários do PT e de Marta Suplicy.
Sentença
George War Bush garante que Saddam será julgado como criminoso de guerra. Ok.
Mas se for como tratam os prisioneiros de guerra que estão em Guantánamo, pode
ser que o ex-ditador morra bem antes do julgamento.
Comemoram o quê?
Antes do próximo auto-elogio, Lula deveria lembrar um dado aterrador do IBGE:
nos primeiros dez meses do seu governo, o rendimento médio da população caiu
15,2%. Mais que estagnação, isto é recessão.
Tragédia social
Entre os trabalhadores sem carteira assinada, a queda do rendimento foi de
22,1%, até outubro de 2003. Dados do IBGE citados pelo economista Gilson
Schwartz, ontem, num seminário do jornal “A Tribuna”, em Vitória (ES).
Caso único
Adotando soluções óbvias, como o combate à sonegação e à corrupção, acabando
com o achaque a empresários, o governador capixaba Paulo Hartung comemora a
virada do ano com um crescimento nominal de 30% na receita do Estado. Até ele
se espantou: “eu não esperava tanto”.
Divisão eletrificada
Governo unido é outra coisa: no dia em que Lula e a ministra Dilma Rousseff
(Minas e Energia) lançavam em Brasília o tal “novo modelo do setor elétrico”,
considerado inócuo por especialistas, o presidente da Eletrobras, Luiz
Pinguelli Rosa, estava em Milão, e o da Agência Nacional de Energia Elétrica,
Mario Abdo, não conseguia se livrar de uma reunião.
Disk-marqueteiro
Ainda sem a sua própria agência de propaganda, o ministro da Cristovam Buarque
(Educação) está solicitando que uma das agências que o atende, e ainda
licitadas na gestão de Paulo Renato, contrate o marqueteiro Einhardt Jácome,
cunhado de Ciro Gomes, para cuidar de sua imagem.
Jornalismo investigativo
Mário Augusto Jakobskind lança hoje às 17h30, na ABI, o livro-reportagem
“Dossiê Tim Lopes - Fantástico Ibope” (ed. Europa). A extensa pesquisa revela
como todo mundo embarcou numa só versão do assassinato do repórter: a da TV
Globo. O prefácio é de José Louzeiro.
Posição consensual...
A cúpula do TST – Francisco Fausto, Vantuil Abdala e Ronaldo Lopes Leal – apóia
a criação do Conselho Nacional da Magistratura, para o controle administrativo
do Judiciário, mas diverge quanto à sua composição.
...e visões divergentes
Os ministros Francisco Fausto e Vantuil Abdala defendem o conselho com
magistrados, um representante da OAB e outro do Ministério Público. Já o
corregedor-geral do TST, Ronaldo Lopes Leal, quer só juízes no conselho.
Picanha e picadinho
Quando o PT diz que vai cortar na própria carne, ninguém sabe se é o expurgo
dos rebeldes ou se é o churrasco do próximo fim de semana.
Pensando bem...
...Saddam foi o vencedor do BBB (Big BrotherBush)!
Por dois votos apenas
Em viagem ao Japão com a mulher, em plena campanha eleitoral de 1990, o jurista
Dalmo de Abreu Dallari acabou impedido de retornar a tempo de votar no filho,
vereador Pedro Dallari (PT) candidato a deputado estadual, em São Paulo.
Telefonou-lhe explicando o impedimento, e o filho brincou: - Tudo bem, pai. Mas
se eu não for eleito por dois votos, é melhor o senhor arrumar uma boa
universidade em Osaka para ser reitor...
|
MJ-CONCORRÊNCIA |
JORNAL DO BRASIL | ECONOMIA | 18/12/2003
EUA selam
acordo comercial
Costa Rica fica fora de
acerto com países da América Central
WASHINGTON - O governo americano
selou ontem acordo comercial com quatro países da América Central, numa nova
ofensiva para reforçar sua visão para criação da Área de Livre Comércio das
Américas. Reunidos em Washington com o representante comercial dos Estados
Unidos, Robert Zoellick, ministros de El Salvador, Guatemala, Honduras e
Nicarágua acertaram os termos finais do acordo, que aumentará o acesso de
alguns de seus produtos, como açúcar e têxteis, ao mercado americano. O tratado
deverá ser assinado pelos presidentes das nações envolvidas em abril do ano que
vem e precisará ser ratificado pelo Congresso dos EUA.
Os planos dos EUA, no entanto, foram frustrados pela desistência da Costa Rica
de fechar o acordo nos moldes apresentados. O país pediu mais tempo para
negociar melhores condições para seus produtos agrícolas e por discordar das
exigências de abertura dos setores de telecomunicações e seguros.
A Costa Rica foi um dos países da região que, atraídos pelo canto da sereia do
acesso privilegiado ao mercado americano, acabou se alinhando à visão de Alca
dos EUA e abandonando o G-20, grupo de países em desenvolvimento liderado por
Brasil, China e Índia que briga por melhores termos nas negociações da
Organização Mundial do Comércio.
JORNAL DO BRASIL | GILBERTO AMARAL | 18/12/2003
Viagem e comércio
Lula vai à Rússia em abril ou maio. Este será um dos temas do encontro do presidente com o ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país, nesta sexta, no Planalto. Com o ministro Furlan, Igor Ivanov falará das exportações de carne de vaca, porco e frango numa tentativa de equilibrar a balança comercial entre os dois países. Ivanov compareceu a reunião do Mercosul, em Montevidéu, e levou carta lida por ele do presidente Wladmir Putin. A Rússia quer incrementar seu comércio exterior.
O GLOBO | ECONOMIA | 18/12/2003
Fusão Varig-TAM: modelo sai em janeiro
SÃO PAULO e ESTOCOLMO (Suécia). O
vice-presidente comercial da TAM, José Wagner Ferreira, disse ontem que a
análise da fusão entre as companhias aéreas Varig e TAM ficará pronta em
janeiro, quando o banco Fator entregará os documentos para as empresas e o
governo. Segundo o executivo, não foi feita qualquer mudança desde o
compromisso de fusão, anunciado no inicio deste ano, e as análises sobre a
operação continuam.
— Isso de falar que a fusão acabou não existe. O Fator está na fase final de
modelagem e entregará os documentos em janeiro — disse Ferreira.
O executivo participou em São Paulo do lançamento de um cartão de crédito com
bandeira Credicard, que receberá das duas empresas R$ 3 milhões em
investimentos. Varig e TAM estão operando desde março em regime de
compartilhamento de vôos ( code share ). O programa foi autorizado pelo
governo, que exigiu em troca a fusão das empresas.
— O code share é algo que está beneficiando a indústria como um todo, pois o
mercado ficou mais racionalizado — afirmou Ferreira.
O executivo da TAM afirmou ainda que os indicadores da economia são animadores
para 2004 e que se o PIB do setor industrial crescer 3,5%, conforme apontam as
projeções, o segmento aéreo poderá crescer entre 7% e 10%.
Já a aliança de empresas aéreas Star Alliance — que está planejando a compra
conjunta de aeronaves, num negócio avaliado em US$ 9 bilhões — reduziu a lista
de possíveis fornecedores, segundo anunciou ontem em Estocolmo o presidente da
companhia escandinava SAS, Jorgen Lindegaard.
Embraer na briga por encomenda de 100 aviões
Formada pela Varig, Air Canada, Lufthansa, SAS e Austrian Airlines, a Star
Alliance examina as propostas dos principais fabricantes de aviões do mundo:
Embraer, Boeing, Airbus e Bombardier. A Star Alliance espera decidir o
fabricante das 100 aeronaves, com 70 a 110 lugares, até o fim do ano. As
empresas têm opções de compra de mais 100 jatos.
As companhias aéreas decidiram especificações comuns para as aeronaves, como
corredores, lavatórios e luzes, para ajudar a reduzir o preço da encomenda.
Apesar disso, elas farão pedidos separados de aviões.
Lindegaard disse que as empresas aéreas estão, nesta fase, negociando os preços
com as fabricantes das aeronaves. Segundo ele, não há pressa para fazer os
pedidos.
— Não precisamos deles agora — disse.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 18/12/2003
Camex amplia
garantias às exportações
Organismos financeiros
internacionais podem participar do Proex-Equalização
JOSÉ RAMOS
BRASÍLIA - A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou ontem seis medidas de
apoio ao financiamento e garantia das exportações brasileiras.
Uma delas foi a autorização para que recursos do Programa de Financiamento das
Exportações (Proex) sejam destinados também a grandes empresas no âmbito de
projetos co-financiados pela Corporación Andina de Fomento (CAF). A Resolução
33, de dezembro de 2002, destina os recursos do Proex prioritariamente a micro,
pequenas e médias empresas, e deixava as grandes companhias para serem
atendidas pela unidade de fomento às exportações do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES-Exim. A Camex autorizou ainda o uso
de recursos do Proex para obras resultantes de acordos governamentais que não
possam ser financiadas pelo BNDES.
Outra medida da Camex foi a inclusão de organismos financeiros internacionais
no programa Proex-Equalização. Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, estas operações são pagas à vista pelo organismo
financeiro e com isso o Brasil poderá ser beneficiado com milhões de dólares em
exportações, sem assumir risco de inadimplência dos países destinatários dos
projetos.
A Camex também alterou as regras de Convênio de Crédito Recíproco (CCR),
mecanismo que financia e garante operações de comércio na América Latina com
garantia dos bancos centrais. A primeira medida foi a determinação de que todas
as exportações garantidas pelo CCR e financiadas pelo Proex ou BNDES serão
consideradas de risco 1, o mais baixo de uma escala de 1 a 7, para efeito de
seguro. Outra medida foi a revogação das limitações de valores e prazos nas
alterações do CCR. Até então, o mecanismo financiava operações de US$ 100 mil
com exigência de depósito prévio e com prazo de 360 dias. Com a mudança, o
governo espera um crescimento de US$ 3 bilhões nas exportações de máquinas,
equipamentos e serviços no próximo ano.
As duas medidas restantes aprovadas na Camex foram a criação do Comitê de
Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) e do Programa de Incentivo à
Produção Exportável de Pequenas e Médias Empresas (Propex).
O Cofig unificará competências do Comitê de Crédito à Exportação (Ccex) e do
Conselho Diretor do Fundo de Garantia à Exportação.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 18/12/2003
Ministro
argentino ameaça impor restrições a produtos brasileiros
Na mão oposta, associação
de empresas do Brasil, sediadas na Argentina, homenageia Lavagna
ARIEL PALACIOS
Correspondente
BUENOS AIRES - O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, disse esperar
que os empresários do Brasil e da Argentina "alcancem acordos
voluntários" para a auto-limitação de exportações, para evitar "a
invasão de produtos brasileiros". O ministro endureceu ao analisar o que
poderia ocorrer se esses acordos fracassarem: "Se for detectado dano em
nossa indústria, tomaremos as medidas necessárias", disse, sugerindo que,
se os acordos não prosperarem, o governo poderia recorrer a medidas para
restringir a entrada de produtos brasileiros. A União Industrial Argentina pede
aplicação de cotas e até salvaguardas comerciais.
Os empresários pressionam Lavagna há meses, pedindo medidas contra o que chamam
de 'invasão brasileira'. Mas eles fazem comparações com o ano passado, quando -
no meio do caos financeiros, econômico e social - as importações praticamente
inexistiram. Embora em alguns produtos as vendas do País para o mercado
argentino tenham aumentado até 800%, em nenhum caso as importações chegaram ao
ponto em que estavam antes da crise argentina, em dezembro de 2001.
Divergências - Na Chancelaria argentina, que tem algumas posições diferentes de
Lavagna, a irritação com aumentou vários pontos ontem à tarde. A Chancelaria
teve um tom predominantemente pró-Brasil, enquanto o ministro disparava algumas
farpas contra o Brasil.
Mas, hoje, Lavagna deixará as ameaças de lado para elogiar bastante seu maior
sócio comercial, na cerimônia do Prêmio Integração, é concedido pelo Grupo
Brasil - que reúne as 200 empresas brasileiras instaladas na Argentina - às
pessoas que lutam pela integração entre os dois países. Lavagna receberá o
prêmio na categoria 'Política'.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 18/12/2003
EUA fecha
acordo com 4 países da América Central
Mas a Costa Rica, maior
economia da região, fica de fora, criticando as exigências americanas
PAULO SOTERO
Correspondente
WASHINGTON - Os Estados Unidos, de um lado, e El Salvador, Guatemala, Honduras
e Nicaragua, de outro, anunciaram ontem um acordo de livre comércio que torna
permanente a proporção atual de produtos industriais e de consumo trocados
entre eles com tarifa zero (pouco mais de 80%) e abre os mercados dos países
centro-americanos para exportações americanas de alta tecnologia, químicos,
material de contrução, equipamentos médicos e científicos e alguns produtos
agrícolas de alta qualidade.
Mas o tratado alcançado ontem, depois de uma última rodada de dez dias de
negociações, não inclui a Costa Rica, a maior economia da região. O governo de
São José retirou-se nas negociações terça-feira queixando-se do excessos de
demandas americanas no setor de serviços e da insuficiência de concessões em
têxteis. OS EUA haviam condicionado a participação do país no fim do monopólio
estatal de telecomunicações.
O Acordo de Livre Comércio da América Central (Cafta, na sigla em inglês) não
liberalizará o comércio de produtos agrícolas considerados sensíveis por um ou
pelos dois lados, prevendo prazos de até 20 anos para a eliminação de tarifas
para laticínios, 18 anos para arroz e frango e 15 anos para a maioria dos
demais produtos. Além disso, não contempla o livre comércio de açúcar, um dos
principais produtos de exportação da América Central.
Os quatro países centro-americanos terão um aumento de sua cota atual de 111
mil toneladas para 193 mil no primeiro ano do acordo, e de 2% ao ano a partir
daí. Mas o sistema de cotas será mantido e as tarifas cobráveis acima das cotas
ficam inalteradas.
O representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, disse que o acordo
corresponde à "visão de um acordo de livre comércio moderno, de ponta,
para demolir os muros tarifários que bloqueiam o comércio entre os EUA e a
América Central, entre amigos e vizinhos". Segundo um comunicado dos EUA,
o acordo abrange acesso a mercado e regras em investimentos, serviços, compras
governamentais e propriedade intelectual e vai além dos acordos entre bilaterais
dos EUA com o Chile e Cingapura para garantir melhores condições de trabalho e
proteger o meio ambiente.
Sindicatos e organizações dos EUA lançaram ontem uma campanha para derrubar o
acordo no Congresso.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 18/12/2003
Cade: Bompreço pode comprar a rede G. Barbosa
BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem, com restrições, a operação
de compra da rede de supermercados G.
Barbosa, da Região Nordeste, pela Bompreço, do grupo holandês Ahold, iniciada
em 2001. Para que a operação seja concluída, o Cade determinou que a Bompreço
terá de vender, no prazo de dois meses, 16 hipermercados e supermercados nas
cidades de Salvador e Feira de Santana, na Bahia, e de Aracajú, em Sergipe. A
decisão deverá servir de base jurídica para a venda do próprio Bompreço pela
Ahold, que anunciou sua retirada do Brasil.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 18/12/2003
Esse Mercosul, tão desequilibrado
Desde 1998, o Mercosul permanece
travado. Na falta de progressos no processo de integração, um após o outro os
chefes de Estado do bloco vão caprichando na retórica.
Quarta-feira, por exemplo, durante a Cúpula de Montevidéu, o presidente Lula
chegou a declarar que a assinatura do limitado acordo comercial entre o
Mercosul e a Comunidade Andina (Colômbia, Venezuela e Equador) é um
"acontecimento histórico". Também disse que o Mercosul tem de pular
etapas e transformar-se em mercado comum. Mas, pelo menos desta vez, não
insistiu em que é preciso acelerar o processo de adoção da moeda única antes de
obtido um mínimo de convergência macroeconômica.
O comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, que participou do encontro
na condição de convidado especial, foi bem mais franco. Disse ao jornal
argentino Clarín que, se querem receber investimentos dos países ricos, em vez
de seguir fazendo discursos, que os membros do Mercosul tratem de aprofundar
sua integração.
O Mercosul segue tremendamente desequilibrado. De um lado, não consegue superar
as assimetrias internas, na medida em que abriga dois primos relativamente mais
pobres, o Paraguai e o Uruguai. De outro, tem um sócio falido, a Argentina, que
não tem perspectivas de sair da moratória pelo menos nos próximos dois anos.
Apoio ao calote - Os dirigentes gostam de alardear que o Mercosul é uma união
aduaneira, ou seja, um bloco comercial do segundo nível de integração, que
pressupõe uma política comercial comum.
Na prática, está longe de completar até mesmo o primeiro estágio, o de zona de
livre comércio. O fluxo de mercadorias dentro do bloco continua cheio de
bloqueios e de problemas mal resolvidos.
Às vezes, o atual governo passa a impressão de pretender costurar uma unidade
política no Mercosul sem passar pelo aprofundamento da integração econômica. É
também o que o presidente Kirchner parece procurar quando quer que os demais
chefes de Estado do Mercosul o ajudem a peitar o Fundo Monetário Internacional
e o apóiem na garfada monumental aos credores da dívida externa.
A questão da superação das assimetrias talvez mostre melhor essa contradição,
ao menos do lado brasileiro. O presidente Lula tem reclamado que os países
ricos, especialmente os Estados Unidos e a União Européia, não levam em conta
as brutais diferenças entre as partes quando propõem tratados comerciais com o
Mercosul e com outros países da América Latina. E, de fato, em nenhum momento
os países ricos se dispuseram a fazer transferências compensatórias de recursos
para os mais pobres, tais como os países mais avançados da União Européia
lograram fazer com os mais atrasados. No entanto, quando os nanicos vizinhos
reivindicam tratamento semelhante dentro do Mercosul, também não obtêm sucesso.
Nesse caso, não se trata nem sequer de transferir bilhões de dólares para
financiamento de infra-estrutura. Trata-se apenas de aceitar contrapartidas em
alíquotas temporariamente diferenciadas, de acordo com a densidade econômica de
cada sócio.
Divergências - O governo brasileiro nunca aceitou a instituição de um tribunal
de solução de controvérsias no Mercosul porque isso implica aceitar
subordinação das cortes locais às sentenças de um tribunal internacional. Por
isso, cada pendência comercial exige a interferência dos chefes de nação. É
óbvio que isso não pode seguir assim.
Sem unidade, o Mercosul vai sendo envolvido em negociações internacionais sem
ao menos ter resolvido questões básicas internas. Na Alca, por exemplo, estão
previstas negociações a respeito de liberação de negociação de serviços como o
mercado de seguros, bancos e transportes. No Mercosul, nunca se abriram
negociações sobre esse tema.
É praticamente certo, também, que o Mercosul aceitará na Alca compromissos na
área de compras governamentais (fornecimento a governos). Mas esse segmento não
foi aberto internamente. A Argentina já aceitou com outros parceiros restrições
em investimentos que o Brasil se recusa a considerar.
Se é mesmo para cuidar da integração, a hora não é de instituir, como insiste o
presidente Lula, um parlamento comum, cujas atribuições não poderiam mesmo
ultrapassar o nível simbólico. A prioridade está na derrubada das defesas
aduaneiras dentro do grupo para dar-lhe condições de atuar como verdadeira zona
de livre comércio e de aprofundar a convergência macroeconômica. No entanto,
como prosseguir se falta coragem para enfrentar as divergências internas?
GAZETA MERCANTIL | ENERGIA | 18/12/2003
Vence prazo para emendas
Brasília,
18 de Dezembro de 2003 - O relator da Medida Provisória 144, que define as
novas regras para a comercialização de energia elétrica, deputado Fernando
Ferro (PT-PE), disse que vai iniciar hoje a triagem das emendas à MP enviadas
pelos parlamentares. O prazo para apresentação de emendas venceu ontem, e mais
de cem chegaram às mãos do relator.
Segundo o deputado, as principais preocupações dos parlamentares são em relação
à gestão do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel). Outra reclamação dos parlamentares é quanto à gestão do setor
ter ficado nas mãos do Ministério de Minas e Energia. No entanto, Ferro disse
que, no geral, os agentes do setor estão gostando da medida. "Eles
preferem ter uma proposta que não gostem, do que nenhuma", disse.
(Gazeta Mercantil/Caderno A6)(Agência Brasil)
GAZETA MERCANTIL | ENERGIA | 18/12/2003
BNDES tenta liberar ações da AES Tietê para nova empresa
Rio,
18 de Dezembro de 2003 - Operação é fundamental para fechamento do acordo com
americana AES. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
negocia diretamente com investidores estrangeiros a liberação das ações da
geradora AES Tietê para que a empresa possa fazer parte da nova empresa -
temporariamente denominada Novacom - que será criada com os ativos da americana
AES Corp. no Brasil. O diretor financeiro do banco, Roberto Timotheo da Costa,
realizou ontem uma conferência telefônica com os investidores estrangeiros,
liderados pelo Bank of America, para tentar convencê-los a liberar as ações,
com o argumento de que a empresa estaria mais segura dentro da Novacom que se
continuar na sua condição atual.
A liberação da geradora, dada pela AES em garantia de um empréstimo de US$ 300
milhões nos Estados Unidos, é fundamental para o fechamento do acordo de
renegociação do débito de US$ 1,2 bilhão da AES com o BNDES, segundo o Timotheo
da Costa. Além disso, o banco também apresentou à Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) o que o executivo classifica de "condições atuais do
acordo", já que qualquer negociação terá de ser aprovada pela agência. As
informações dadas pelo diretor indicam que haverá um acerto entre as duas partes
em breve e que possivelmente o acordo comercial já foi fechado.
O BNDES, porém, prefere não confirmar o fato. "Não posso me antecipar a
informar o acordo antes de as aprovações dos órgãos reguladores serem obtidas.
Ficamos satisfeitos que a AES tenha anunciado o acordo, porque isso sugere que
aceitaram todas as nossas exigências comerciais, mas existem quesitos que ainda
não estão aparados."
Alterações no memorando
De qualquer forma, houve alterações no acordo atual em relação ao memorando de
entendimentos entre as duas partes assinado no último dia 8 de setembro. Ao
invés de pagar US$ 60 milhões no ato da assinatura do contrato, como previsto
anteriormente, por exemplo, o grupo norte-americano terá de desembolsar US$ 90
milhões. Os US$ 30 milhões a mais serão abatidos na operação de troca de parte
da dívida por debêntures conversíveis. A parcela que vai virar papel agora foi
acertada em US$ 510 milhões e não mais US$ 540 milhões, como antes combinado.
Outros US$ 600 milhões do passivo total de US$ 1,2 bilhão serão trocados por
uma participação acionária de 53% do capital total da Novacom. O BNDES não
terá, contudo, maioria do capital votante, mantendo o que foi acertado no
memorando, pelo qual a AES será controladora da nova empresa.
O prazo para o grupo AES quitar a dívida será de 12 anos. De acordo com o
Timotheo da Costa, haverá multa caso a AES descumpra os prazos de pagamento. O
BNDES admite a possibilidade de ficar com ações da controladora da AES Tietê, a
AES IHB, empresa com sede nas Ilhas Cayman. Trata-se de uma solução para ter
indiretamente as garantias da geradora.
(Gazeta Mercantil/Caderno A6)(Sabrina Lorenzi/InvestNews)
GAZETA MERCANTIL | ENERGIA | 18/12/2003
MAE pré-qualifica para leilão
18 de Dezembro de 2003 - O
Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) anunciou ontem a pré-qualificação
de três empresas interessadas em participar do sexto Leilão Público de Compra
de Energia. As proponentes vendedoras Chesf e Furnas pretendem atender à demanda
de compra da Enertrade Comercializadora de Energia S/A, pré-qualificada para
adquirir 20 lotes de energia, ou 10 MW médios. No leilão anterior, a demanda de
energia da Enertrade, que se propôs a comprar 10 MW médios (5MW médios para um
período de 6 meses, ao preço inicial de R$ 18,60 o MWh e 5 MW médios, para um
período de 11 meses, ao preço inicial de R$ 30 o MWh), não foi atendida. No
entanto, foi efetuada a compra de 15 MW médios de energia de base por 11 meses
pela CLFSC (Companhia Luz e Força Santa Cruz), ao preço de R$ 47,23 o MWh.
Pesquisas terão R$ 5,97 milhõesA Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vai
liberar R$ 2,97 milhões em recursos não-reembolsáveis provenientes do Fundo
Setorial de Energia (CT-Energ) para pesquisas. O objetivo é aperfeiçoar o
gerenciamento e a segurança do sistema de transmissão de energia elétrica. O
Operador Nacional do Sistema (ONS) também vai participar com uma contrapartida
financeira de R$ 3 milhões. O financiamento será dividido por cinco projetos,
que serão executados por quatro instituições. A Coordenação dos Programas de
Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), a Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) executarão um projeto cada uma. A Universidade
de São Paulo (USP) será responsável por outros dois.
Medidas contra a EDFA Comissão Européia adotou uma decisão tríplice contra a
Electricité de France (EDF) que obriga a empresa francesa a devolver € 1,2
bilhão de ajudas ilegais, a modificar seu sistema de pensões e a renunciar ao
sistema de garantias do Estado. O governo francês anunciou que modificará o
estatuto da estatal EDF para transformá-la em uma empresa comercial. Os dois
outros pontos da decisão da Comissão Européia são resultado de um compromisso
negociado com o governo francês. Em primeiro lugar, o governo retirará da EDF a
garantia de estado ilimitada, da qual se beneficiava a companhia elétrica
francesa, graças à sua condição de "estabelecimento público de caráter
industrial e comercial". Esta denominação permitia que a empresa obtivesse
financiamentos com custos mais baixos que seus concorrentes.
(Gazeta Mercantil/Caderno A6)
GAZETA MERCANTIL | LEGISLAÇÃO E TRIBUTOS | 18/12/2003
Operação entre Royal Ahold e G.Barbosa sofre restrições
Brasília, 18 de Dezembro de 2003
- Grupo holandês terá de vender 16 lojas compradas da rede nordestina. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) impôs restrições à participação do grupo
holandês Royal Ahold, proprietário da rede Bompreço, no setor varejista da
região Nordeste. Ontem, os conselheiros decidiram, por unanimidade, que o grupo
terá de vender a um concorrente 16 dos 32 supermercados e hipermercados comprados
da empresa G.Barbosa em outubro de 2001. As lojas ficam em Salvador (1) e Feira
de Santana (2), na Bahia, e em Aracaju (13), no Sergipe, e podem parar nas mãos
do grupo norte-americano Wal-Mart, segundo análise do mercado. Os
estabelecimentos comerciais têm de ser alienados em três blocos, um para cada
cidade, e com todos os equipamentos necessários ao seu bom funcionamento.
Segundo a decisão, a venda dos ativos será realizada por meio de leilão,
mediante a aprovação prévia das regras pelo Cade, e em um prazo máximo de dois
meses, "de modo a haver a transferência imediata de participação de
mercado e o pronto restabelecimento da concorrência", nas palavras do
relator, conselheiro Cleveland Prates Teixeira. Um mesmo comprador poderá
arrematar todas as lojas desde que convença o Cade de sua competitividade e
detenha, no máximo, 20% de participação no mercado onde está situado o bloco
adquirido. Os participantes do pregão estão liberados ainda a comprar o cartão
de fidelidade Credi-Hiper e a marca G.Barbosa.
O Cade também decidiu alterar uma cláusula de não-concorrência firmada entre os
proprietários do G.Barbosa e o grupo Royal Ahold a fim de delimitar sua
validade apenas para as cidades e para o setor onde a empresa adquirida atuava.
Pela redação original, a cláusula proíbe competição entre as partes em todo o
Nordeste, e não apenas em Sergipe e Bahia, onde operava o G.Barbosa, e até no
ramo de farmácias. O descumprimento de qualquer uma das determinações, conforme
a decisão, resultará na aplicação de pena diária de R$ 30 mil. Há ainda o risco
de outras sanções. Os conselheiros determinaram a abertura de uma investigação
preliminar, no âmbito da Secretaria de Direito
Econômico (SDE) do Ministério da
Justiça, para apurar o impacto de cláusulas impostas pelo
Bompreço aos fornecedores de produtos de supermercados na região Nordeste.
A imposição de um freio à atuação do grupo Royal Ahold no setor de varejo
nordestino era esperada. O parecer da SDE sobre o caso, emitido em setembro,
recomendava a venda das lojas em Aracaju, Salvador e Feira de Santana e sugeria
mudança na cláusula de não-concorrência. As restrições seriam necessárias
devido aos elevados níveis de concen-tração de mercado resultantes da operação,
à inexistência de concorrentes à altura nas três cidades, à existência de
barreiras, sobretudo econômicas, à entrada de novos competidores e à
possibilidade de abuso de poder de mercado pelo grupo Royal Ahold. Em Salvador,
por exemplo, os holandeses já possuíam 18 supermercados e um hipermercado e, com
o negócio, adquiriu mais um hipermercado. Segundo a SDE, a cidade contaria com
apenas um concorrente capaz de fazer frente ao Royal Ahold, a Companhia
Brasileira de Distribuição (CBD), holding que controla o grupo Pão de Açúcar e
os supermercados Extra. Antes da operação, a CBD detinha o segundo maior
market-share na capital baiana, ficando entre Bompreço e G.Barbosa. "A
concentração em análise aumenta a probabilidade de exercício coordenado de
aumento de preços", diz o parecer da SDE, sugerindo a possibilidade de
conluio entre Extra e Bompreço.No mesmo parecer, a secretaria sugeriu ao Cade a
aprovação sem restrições da compra das outras lojas do G.Barbosa, pois o Royal
Ahold não atuava nas cidades onde elas se encontram. Haveria mera substituição
de agente de mercado, no jargão da concorrência. Além disso, a SDE rechaçou
denúncias apresentadas por "terceiros" contra a operação. O
governador do Sergipe, João Alves Filho, o deputado federal Jorge Alberto
(PMDB-SE) e o Sindicato dos Empregados no Comércio de Feira de Santana acusaram
a multinacional de aumentar de forma abusiva os preços e de aumentar de forma
considerável o índice de demissões.
Para a SDE, nada ficou comprovado. Em junho deste ano, a Secretaria de
Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, que compartilha a
função de instruir os casos julgados pelo Cade, também sugeriu a venda a outro
concorrente das lojas localizadas em Salvador, Aracaju e Feira de Santana, e
basicamente pelos mesmos motivos. O discurso das secretarias mostrou-se afinado
ainda nas ressalvas. Haveria brecha para um sinal verde do Cade às operações
desde que o grupo Ahold comprovasse "que as eficiências alegadas
representam economias reais de recursos e que são específicas da
operação". Nada feito.
Mais restrições podem estar a caminha. Em outubro, a SDE divulgou parecer sobre
a compra pelo grupo Ahold, em 1999, de seis estabelecimentos comerciais da
Petipreço, localizados em Salvador e em Lauro de Freitas (BA). Recomendou a
venda da loja da segunda cidade para outro concorrente, em prazo máximo de três
meses depois do julgamento pelo Cade da operação.
kicker: Cade decidiu alterar ainda cláusula de não-concorrência firmada entreos
varejistas
(Gazeta Mercantil/Caderno A8)(Daniel Pereira)
GAZETA MERCANTIL | LEGISLAÇÃO E TRIBUTOS | 18/12/2003
Labnew vai à Justiça contra o Cade
São Paulo, 18 de Dezembro de 2003
- A Labnew Indústria e Comércio Ltda ingressou com uma ação na Terceira Vara
Federal do Distrito Federal contra o Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O objetivo é anular o último arquivamento do processo administrativo 49/92,
ocorrido em 2 de abril de 2003. Adriana de Barros Souzani, do Souzani e
Oliveira Advogados Associados, afirma que o conselheiro-relator Thompson
Almeida Andrade descumpriu determinação judicial que mandava analisar o elenco
de obrigações assumidas pela empresa norte-americana e líder de mercado Becton
Dickinson ao firmar Compromisso de Cessação junto ao Cade. A ação questiona também
a iniciativa do Cade de investigar o cumprimento do Compromisso de Cessação,
uma vez que a Lei 8.884/94, em seu artigo 14, determina que essa tarefa é de
competência da Secretaria de Direito Econômico
(SDE).
De acordo com Adriana Souzani, "esta é a segunda vez que o Cade arquiva o
processo 49/92 contra a Becton de forma irregular". A primeira vez,
segundo ela, ocorreu em dezembro de 2000, "quando o atual presidente, João
Grandino Rodas, decidiu arquivar o processo antes mesmo de esgotado o prazo de
dez dias concedido à Labnew para apresentação dos elementos de provas do
descumprimento dos termos de cessação". A advogada disse que à época
"as provas foram solicitadas pelo próprio presidente da autarquia, sob o
argumento de que precisava dar mais sustentação jurídica às decisões do
Cade".
Inconformada, a Labnew impetrou mandado de segurança, obtendo uma liminar, na
qual a Justiça Federal determinou o imediato desarquivamento do processo 49/92
e que fosse designado um conselheiro-relator para apreciar as alegações da
Labnew acerca da ruptura do contrato firmado entre o Cade e a empresa
norte-americana.
"O presidente do Cade, mesmo sabendo que recurso não tem efeito
suspensivo, não cumpriu a decisão judicial, alegando que o caso estava
encerrado e que assim que fosse intimado iria decidir se reabriria o caso ou
não." A Labnew informou o episódio à Justiça Federal que determinou que a
sentença fosse cumprida em 48 horas, sob pena de prisão. "Mesmo assim, o
processo só foi a julgamento 18 meses após a decisão judicial", esclarece.
A advogada afirma ainda que "nessa nova ação contra o Cade, a empresa
alega também cerceamento de defesa, pois o Conselho retomou a fase de instrução
do processo, ouviu apenas a Becton Dickinson e novamente arquivou o processo
sem permitir o contraditório da Labnew, adotando o mesmo expediente já
condenado pela Justiça Federal". Segundo ela, neste último julgado, o Cade
cometeu três graves equívocos, que, acredita, se constituirão em nulidades
absolutas. "O Cade ofendeu o princípio da legalidade, descumpriu sentença
judicial e cerceou o direito constitucional de ampla defesa."
(Gazeta Mercantil/Caderno A9)(Gláucia Abreu Andrade)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 18/12/2003
Um brasileiro entre quatro está equipado com celular
Brasília,
18 de Dezembro de 2003 - O mercado de telefonia móvel continua em alta no
Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número
de celulares habilitados cresceu quase 10 milhões em comparação com 2002,
passando de 33,3 milhões para cerca de 43 milhões. Com isso, a densidade da
telefonia móvel no país aumentou de 19,39 aparelhos em funcionamento para cada
100 brasileiros, para 24,32, analisando o período entre novembro de 2002 a
novembro de 2003.
Somente em outubro, o acréscimo de celulares foi de mais de um milhão. A
reguladora acredita que as metas estabelecidas nas Perspectivas para Ampliação
e Modernização do Setor de Telecomunicações (Paste) para este ano serão
superadas. O superintendente de Serviços Privados da Anatel, Jarbas Valente,
calcula que em dezembro mais 3 milhões de celulares entrem em funcionamento,
fechando o ano com um base de 46 milhões de telefones móveis.
(Gazeta Mercantil/Caderno A15)(Mariana Mazza/InvestNews)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 18/12/2003
A BrT inicia campanha para recuperar o crédito perdido
São Paulo, 18 de Dezembro de 2003
- Expectativa é contabilizar no caixa 4% de R$ 500 milhões a receber.
Inadimplência é um grande problema nos balanços das empresas de
telecomunicações, pois o índice é elevado e poucas gostam de falar a respeito.
Uma das exceções é a Brasil Telecom (BrT), que tenta mais uma vez reduzir os
cerca de R$ 500 milhões em créditos de até cinco anos a receber de 1,8 milhão
de pessoas físicas. Para isso, a empresa iniciou neste mês mais uma campanha
para regularizar a situação dos consumidores que já estão com o nome na lista
negra do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Serasa. No ano passado, a
operadora foi a campo com o mesmo objetivo, só que para assinantes com contas
com até 180 dias de atraso e teve um saldo positivo de R$ 20,7 milhões no
caixa.
Neste ano, a operadora de telefonia fixa da Região II do plano piloto – que
abrange o Centro-Oeste, Tocantins e Rondônia – pretende recuperar, pelo menos,
4% do montante a receber, informa o gerente de crédito, arrecadação e cobrança
da BrT, Eduardo Tambellini. A campanha termina dia 24.
De acordo com o executivo, os descontos podem chegar até 80% e a dívida pode
ser parcelada em seis até 14 vezes. Os descontos variam de acordo com o tempo
de atraso e a forma de pagamento. A BrT fez parceria com a CSU Credit &
Risk, empresa especializada para efetuar os acordos com os clientes. Segundo
Tambelini, que não revela os investimentos, um exército de 200 operadores em
100 posições de atendimento estarão recebendo as ligações para a negociação do
débito. A quitação pode ser efetuada em qualquer agência bancária, casas
lotéricas ou agência dos correios.
"Nossa expectativa com essa campanha é fazer com que a Brasil Telecom
continue com um dos menores índices de inadimplência do setor", diz
Tambellini. Segundo ele, o índice de inadimplência da companhia é de 2,3%,
enquanto a média do mercado de telefonia fixa oscila entre 2,5% e 3%.
A BrT possui cerca de 10,5 milhões de linhas instaladas e quase seis mil
funcionários. Sua área de atuação corresponde a 33% do território nacional,
onde residem aproximadamente 40 milhões de pessoas. A receita líquida da
companhia cresceu 12,4% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o
mesmo período de 2002, para R$ 5,84 bilhões. O lucro líquido no período
aumentou 10,4%, para R$ 285,9 milhões.
(Gazeta Mercantil/Caderno A15)(Rosana Hessel)
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 18/12/2003
Cade desemperra venda do Bompreço
Juliano Basile, De Brasília
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) do Ministério da Justiça aprovou a compra, em 2002, do G.
Barbosa pelo grupo holandês Royal Ahold com restrições, impondo a venda de 16
das 32 lojas da rede. A decisão deve destravar o processo de venda dos ativos
da multinacional no Brasil, que incluem o Bompreço e a HiperCard. Fontes
ligadas às negociações acreditam que a venda para o Wal-Mart pode ser anunciada
ainda este ano.
Embora a decisão do Cade já fosse esperada e, portanto, previamente negociada
com o grupo americano, com a definição da sentença as duas partes devem voltar
à mesa para acertar os últimos detalhes.
O Cade concluiu que a concentração de redes do varejo pelo Ahold podem
prejudicar o consumidor e a concorrência em três cidades do Nordeste: Salvador,
Feira de Santana e Aracaju. A concentração seria superior a 60% nas duas
primeiras cidades e ultrapassaria 90% em Aracaju, segundo estimativas de
mercado.
O Cade ordenou a venda de supermercados G. Barbosa em três blocos. O primeiro é
constituído por uma loja em Salvador. O segundo bloco é composto por duas lojas
em Feira de Santana. O terceiro engloba 13 lojas em Aracaju.
Os três blocos de lojas G. Barbosa poderão ser adquiridos por compradores
diferentes ou por um mesmo comprador. Também não está descartada a
possibilidade de um comprador adquirir dois blocos, deixando o terceiro a um
concorrente.
Mas, quem comprar o Bompreço não poderá ser dono de nenhum dos três blocos,
ressaltou o relator do processo no Cade, conselheiro Cleveland Prates Teixeira.
O comprador dos três blocos também não poderá ter mais de 20% do mercado
somando as participações em Salvador, Feira de Santana e Aracaju. "Quero
restabelecer as condições anteriores de concorrência", justificou
Cleveland.
O conselheiro mostrou fotos aéreas de Salvador para mostrar as zonas de
influência das redes controladas pela Ahold na cidade. Ele concluiu que o nível
de concentração se elevou muito em Aracaju com a união entre Bompreço e G.
Barbosa. O Pão de Açúcar seria a única empresa com possibilidades reais de
competição, mas tem poucas lojas, explicou Cleveland.
A decisão do Cade foi unânime. Os sete conselheiros concordaram que os blocos
serão vendidos em leilão a ser realizado dois meses depois de publicada a
decisão. Caso a Ahold não cumpra a decisão terá de pagar multa diária de R$ 30
mil.
O Cade pediu a abertura de investigação sobre os contratos de fornecimento de
produtos firmados pelo Bompreço. A rede sugeriu ao Cade a venda de cinco lojas
da G. Barbosa em Aracaju, como forma de minimizar a concentração de mercado. As
lojas em Salvador e Feira de Santana seriam mantidas por não prejudicarem a
concorrência, segundo o Bompreço. A proposta não foi aceita.
Segundo uma fonte, a Ahold teria solicitado a opção de escolher entre a venda
de lojas do Bompreço ou do G. Barbosa. O pedido também foi negado.
Com a decisão do Cade, o Ahold buscará derrubar a liminar na Justiça de
Sergipe, que proibiu, em agosto, a venda do G. Barbosa para o mesmo comprador
do Bompreço. A ação atropelou a Ahold e a obrigou a rever sua estratégia.
(Colaborou Vanessa Adachi, de São Paulo)
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 18/12/2003
Financiamento
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou ontem seis medidas de apoio ao financiamento e garantia das exportações brasileiras. As medidas haviam sido anunciadas pelo presidente da República, durante o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), em novembro. As medidas aprovadas são: a criação do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig), que terá a responsabilidade de examinar e enquadrar as operações; criação do Programa de Incentivo à Produção Exportável de Pequenas e Médias Empresas (Propex), com financiamento do Tesouro Nacional; reabertura do Proex para o financiamento de grandes empresas; revisão do seguro de crédito nas operações feitas por meio do CCR (Convênio de Crédito Recíproco), entre outras.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 18/12/2003
Costa Rica
A Costa Rica pediu mais tempo para discutir as condições do acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O principal ponto de atrito é a exigência de abertura dos setores de serviços e de telecomunicações e outros nos países da América Central, com a qual a Costa Rica discorda. Os negociadores dos EUA ofereceram pequena elevação das cotas de importação de açúcar da América Central para os EUA. Todos os acordos bilaterais que estavam sendo negociados pelos EUA em dezembro não foram concluídos e as negociações transferidas para janeiro.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 18/12/2003
Brasil obtém progressos com Mercosul e com G20
A
reunião de cúpula do Mercosul encerrada esta semana em Montevidéu consagrou
importantes avanços para o grupo, que, apesar de pronunciado morto em diversas
ocasiões por analistas respeitáveis, tem sido capaz de superar as diversas
crises recentes da economia regional graças à vontade política de alguns chefes
de governo, entre eles os brasileiros Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio
Lula da Silva.
A ênfase no desejo de fortalecer o Mercosul é um dos pontos mais positivos e
bem-sucedidos da atual política externa brasileira. Entre as razões para os
recentes sucessos está a harmonia política entre sua administração e a do
presidente argentino Nestor Kirchner. Essa identidade deverá se ampliar com a
esperada eleição do candidato da Frente Ampla na eleição presidencial do
Uruguai daqui a onze meses, que substituirá o conservador Jorge Battle, que tem
destoado das posições comuns de Brasil e Argentina em momentos decisivos da
estratégia do Mercosul.
A cúpula de Montevidéu marcou a inclusão do Peru como Estado-associado ao
grupo, mesma condição já usufruída por Bolívia e Chile, pela qual tarifas de
importação podem ser zeradas sem obrigatoriedade de adoção de uma tarifa
externa comum à dos quatro membros plenos do Mercosul. Também foi reafirmada a
base de um acordo de livre-comércio entre os sete e as outras três nações
andinas (Colômbia, Venezuela e Equador), embora as listas de produtos que terão
tarifas reduzidas ainda venham a ser objeto de negociação durante o ano que
vem.
Esses movimentos são fundamentais para o Brasil se precaver contra um eventual
cerco dos Estados Unidos, que já fecharam um acordo bilateral de livre comércio
com o Chile, deram início a negociações com Colômbia, Chile, Equador, Peru e
Bolívia com o mesmo objetivo e estão tentando atrair o Uruguai com propósito
idêntico.
Além de serem a área em que o Brasil é potência regional, os países da América
do Sul se constituem no principal destino dos produtos de maior valor agregado
da pauta brasileira de exportações e nos quais o país desfruta de preferências
tarifárias garantidas pela Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e
Integração. No caso de uma Alca fracassada ou excessivamente enxuta e de
tratados bilaterais entre EUA e nações sul-americanas, o Brasil se verá em
situação delicada caso não consiga garantir espaço para seus bens entre os
vizinhos. Ao fazer concessões para garantir a adesão dos países andinos ao
Mercosul, o Brasil tem exercido com eficiência sua condição natural de líder do
subcontinente.
Na mesma linha de ampliar alternativas de comércio internacional, o governo
Lula vai bem na articulação do chamado G-20, que ajudou a formar na reunião da
OMC em Cancún. A reunião de ministros dos países que o constituem com o
comissário europeu para o Comércio e o diretor-geral da OMC no fim-de-semana
passada em Brasília ampliou a coesão interna do grupo e alargou seu papel nas
futuras reuniões da rodada de Doha.
A fim de maximizar os benefícios dessa agilidade com parceiros diversos, o
Itamaraty precisa ser cuidadoso para não provocar eventual hostilidade do
principal comparte comercial do país, os EUA. O Brasil tem que estar preparado
para situações em que o mercado americano diminua para os seus produtos, mas
deve continuar trabalhando com o objetivo de, ao contrário, ampliá-lo, seja por
meio da Alca, da fórmula do 4+1 (Mercosul e EUA) ou até mesmo de entendimentos
bilaterais. O governo de George W. Bush, como a maioria de seus predecessores,
tem sido bastante pragmático em suas relações com outros grandes países. Com a
China, por exemplo, apesar das divergências ideológicas e desentendimentos
comerciais específicos, Washington tem tido uma vinculação política e de
negócios amplamente vantajosa para as duas partes. Pequim tem exercido
importante papel moderador na região de sua influência (em problemas como o da
Coréia do Norte), e usufruído diversas vezes da condescendência americana.
Brasília pode desfrutar de vantagens parecidas se souber aproveitar com
inteligência as oportunidades que sua categoria de líder regional lhe
proporciona na convivência com os EUA.
VALOR ECONÔMICO | SERGIO LEO | 18/12/2003
Brasil cedeu, mas reforçou o Mercosul
Como
em Las Leñas, reunião lança nova fase
A reunião de cúpula do Mercosul desta semana, em Montevidéu, está, sem
exageros, na mesma categoria da reunião de Las Leñas, de 1994, um dos momentos
fundamentais para a história econômica de Brasil, Argentina, Uruguai e
Paraguai.
Em Las Leñas, por pressão dos presidentes Fernando Collor e Carlos Menem,
abandonou-se o projeto ambicioso de fazer do Mercosul um mercado comum nos
moldes europeus (falava-se até em moeda comum, o "gaúcho") mas se
acelerou a liberalização do comércio no Cone Sul.
As decisões de Las Leñas inflaram o comércio dentro do Cone Sul, criaram o
caminho para integração dos parques automobilísticos brasileiro e argentino,
esmagaram a resistência dos produtores de trigo brasileiros à criação da
dependência que hoje existe dos triticultores da Argentino, criaram um ambiente
que permitiu aos vizinhos desencorajar duas tentativas de golpe no Paraguai. A
iniciativa ambiciosa de Collor e Menem, apresentada com a usual pompa
histriônica dos dois, foi recebida com ceticismo, na época. As atenções estavam
voltadas para as denúncias, feitas na mesma época, em Brasília, pelo motorista
Eriberto França.
Como em Las Leñas, as decisões tomadas em Montevidéu podem inaugurar uma etapa
nova do bloco. No Uruguai, ao contrário do que houve em 1994, problemas
internos relevantes não ocuparam o presidente brasileiro. Ocuparam, sim, o
argentino Néstor Kirchner, que fez um nada velado pedido de ajuda aos vizinhos,
ao alertar para o risco de crise na região caso os credores e o FMI insistam em
obter concessões que o governo da Argentina considera um convite ao rompimento.
É débil a situação financeira argentina, e a delicada situação do país torna o
governo vulnerável às pressões do setor privado - como a que está levando o
Planalto e a Casa Rosada a forçarem um acordo "voluntário" de
restrição de exportações brasileiras de têxteis ao mercado vizinho. Mas, apesar
das fragilidades no Mercosul, a reunião de Montevidéu tem o mérito de abandonar
a prática de anunciar decisões retumbantes e pouco efetivas como forma de
mascarar os impasses.
Em vez de se concentrarem em temas utópicos e espetaculares (ainda que
relevantes), como o do parlamento do Mercosul, os presidentes e ministros foram
pragmáticos. Identificaram os problemas que fazem do Mercosul uma união
aduaneira imperfeita, onde um serpentário de exceções impede que haja livre
circulação de mercadorias entre os sócios, sem barreiras ou retenções nas
alfândegas. E criaram um plano de trabalho, com responsáveis pelas tarefas e
cronogramas para acabar com as perfurações no acordo comercial dos quatro
sócios.
Como todo plano de trabalho, esse pode ser rasgado pela realidade. Apesar da
inconveniência de fortalecer o conservador presidente uruguaio, Jorge Battle,
Lula e Kirchner aprovaram uma exceção que permitirá ao Uruguai manter quase 400
produtos excluídos da tarifa externa comum, com imposto de importação diferente
do aplicado pelos sócios.
A lista de exceções do Paraguai é ainda maior. Teoricamente, essa concessão
valerá só até 2010, prazo curto em termos de comércio internacional. Uruguaios
e paraguaios argumentam que essas exceções ainda terão vida mais curta que uma
grande excepcionalidade do Mercosul, a Zona Franca de Manaus, válida até 2013.
Apesar desses recuos, será possível em breve, avaliar melhor se há chances de
sucesso para o plano, batizado "Programa de Trabalho 2004-2006". O
documento aprovado pelos presidentes traça uma coleção de tarefas a ser
apresentada já no primeiro semestre.
Uma união aduaneira deveria funcionar como estados em um país: uma vez passada
qualquer fronteira, uma mercadoria poderia transitar entre os quatro sócios do
Mercosul sem pagar tarifas adicionais, ou sofrer retenções nas alfândegas. Por
ser imperfeita, a união aduaneira do Cone Sul não só impede essa circulação
livre como cobra a tarifa externa comum dos produtos estrangeiros que passam de
um país ao outro, mesmo que a tarifa externa já tenha sido paga ao se ingressar
no primeiro país de entrada da mercadoria.
Os ministros definiram que até junho de 2004 concluirão propostas para acabar
com essa dupla cobrança da tarifa externa comum. Para isso, usarão a estrutura
montada neste ano na Secretaria do Mercosul - dirigida pelo brasileiro
Reginaldo Arcuri -, encarregada de preparar estudos e propostas sob o ponto de
vista comunitário. Os ministros decidiram também unificar, em "setores
prioritários" a serem definidos até junho, os chamados regimes especiais
de importação (mecanismos que permitem a entrada sem custos de matéria prima e
componentes para bens destinados à exportação).
No primeiro semestre, ainda, terá de ser estabelecido um "mecanismo"
para acabar com barreiras e retenções entre Brasil, Argentina, Uruguai e
Paraguai para produtos "de indiscutível produção regional", com pouco
ou nenhum componente importado. O programa 2004-2006 estabelece prazos para
definições em temas complicados como o estabelecimento de regras comuns para
proteção anti-dumping, defesa da concorrência e incentivos à produção (o que,
em tese, poderá criar limites ao apoio do BNDES para empresas brasileiras).
A falta de trânsito livre de mercadorias é um dos obstáculos ao acordo de livre
comércio entre União Européia e o Mercosul, alegam os europeus, que não têm
esse problema em seu mercado comum. Convidado a Montevidéu, o comissário
europeu do comércio, Pascal Lamy, alertou aos presidentes para não
transformarem o Mercosul em uma "meia gravidez", cedendo à tentação
de perpetuar exceções" e "compromissos ambíguos".
Lamy tem toda razão, e os diplomatas do Mercosul sabem disso. Por isso
decidiram que terão de criar, antes de 2006, regras comuns para regulamentar e
restringir essa tradição de exceções. Uma tradição que torna o Mercosul
eternamente "meio grávido" e impede o nascimento de uma verdadeira
área integrada de comércio no Cone Sul.
Sergio Leo é repórter especial em Brasília
E-mail: sergio.leo@valor.com.br
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 18/12/2003
Varig e TAM vão ao Cade para manter code-share
Vanessa Adachi, De São Paulo
Varig e TAM pretendem ir ao Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
em janeiro para evitar que o acordo de compartilhamento de aeronaves seja
suspenso.
Representantes da Secretaria de Direito Econômico
do Ministério da Justiça e da
Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda têm dito que,
se a fusão das duas companhias aéreas não sair, o code-share tem que ser
revisto e talvez até suspenso. O code-share só foi aprovado pelo Cade como um
primeiro passo rumo à criação de uma única companhia.
De acordo com uma fonte qualificada, a idéia é dizer ao Cade que o projeto de
fusão não foi abandonado e apresentar um novo cronograma de implementação.
"A idéia do Banco Fator (assessor da fusão) é estabelecer um cronograma
bem mais dilatado do que o anterior", disse a fonte. O cronograma em vigor
previa que a fusão deveria ser concluída até abril.
Mas não é só uma questão de "timing". O cronograma seria de
implementação da união em etapas. Em razão da melhora do cenário do setor aéreo
em relação ao início do ano, quanto a fusão começou a ser arquitetada, o Fator
trabalha em um novo plano de fusão, que deve ser apresentado às empresas em
fevereiro.
Há alguns modelos em estudo. Um deles seria de criação de uma holding para
abrigar as duas companhias, porém, sem fundir suas atividades num primeiro
momento. Outra possibilidade é criar consórcios para operar determinados
negócios e ampliá-los paulatinamente.
O acordo de compartilhamento de vôos ajudou Varig e TAM a melhorar seus
números, ao reduzir custos e aumentar as taxas de ocupação das aeronaves. Esse
fôlego financeiro renovado, no entanto, arrefeceu os planos de fusão dentro das
duas companhias. Além disso, a demanda reagiu em outubro e novembro. Executivos
de ambas as empresas têm sinalizado a interlocutores que a disposição de
prosseguir com a união é muito menor.
Ontem o Cade, a Seae e a SDE receberam, finalmente, cópias do plano de negócios
elaborado no meio do ano pela consultoria Bain & Company. O trabalho tem
cerca de 350 páginas.
VALOR ECONÔMICO | AGRONEGÓCIOS | 18/12/2003
Coimex quer dobrar exportação de soja e faturamento
Fernando
Lopes, De São Paulo
A Coimex Trading Company, de capital nacional, está investindo cerca de US$ 16
milhões para praticamente duplicar suas exportações de soja em 2004. Em 2003, a
empresa embarcou pelo porto de Paranaguá (PR) 635 mil toneladas até novembro
(não há novas exportações programadas para dezembro). Em 2002, foram 453 mil,
de uma exportação total de grãos de 889 mil toneladas.
Com os investimentos que estão sendo realizados, a Coimex passará a utilizar,
além de Paranaguá, também os portos de Rio Grande (RS), São Francisco (SC) e
Santos (SP) para escoar a soja. E, segundo Roger Haybittle, diretor de grãos da
trading, a meta é que os embarques por esses terminais alcancem pelo menos 600
mil toneladas no próximo ano. Pelo porto paranaense, a expectativa é que o
volume permaneça entre 600 mil e 650 mil toneladas, de acordo com Haybittle.
A diversificação de saídas para o produto faz parte de uma estratégia que
também prevê a ampliando da área de captação de soja da Coimex, hoje
concentrada no Paraná, em Minas Gerais, em Goiás e no Mato Grosso do Sul.
"Passaremos a captar também no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, Estados
que vêm registrando bons aumentos na produção de soja", diz Haybittle.
Para isso, estão sendo aplicados US$ 10 milhões em estrutura de armazenagem.
Hoje, a capacidade estática de armazenagem de grãos da Coimex é de 160 mil
toneladas. A expectativa é chegar a 210 mil toneladas em 2004. Conforme
Haybittle, outros de US$ 5 milhões a US$ 6 milhões estão sendo destinados à
aquisição de vagões e locomotivas para melhorias da estrutura de transporte da
trading brasileira.
Com o projetado avanço nas exportações de soja, a Coimex Trading Company também
prevê forte aumento em seu faturamento em 2004. A previsão é que sua receita
líquida de vendas salte para US$ 803,73 milhões, ante os US$ 455,76 milhões
previstos para este ano e os US$ 382,17 milhões apurados em 2002.
E, nas exportações agrícolas, a soja deverá desbancar inclusive o café, até
agora o carro-chefe da empresa. Haybittle lembra que a Coimex começou a
trabalhar com o grão em 1999, ano em que também estrearam suas operações com
açúcar e álcool. Em 2002, foi a vez de os embarques de carnes entrarem na
pauta.
"Para os acionistas e para o comando da empresa, de fato a soja ganhou
muita importância. Mas a companhia como um todo está em fase de expansão",
afirma. Também colaborou para o avanço observado nos últimos anos a abertura de
um escritório em Genebra, em 2000. A Europa é o terceiro principal mercado
externo para a soja da Coimex; o primeiro é a China, que absorve 15% dos
embarques, e o segundo é o Irã.
CORREIO BRAZILIENSE | ECONOMIA | 18/12/2003
Varig fecha
2003 no azul
Pela primeira vez em seis
anos, companhia aérea terá resultado positivo. Executivo diz que fusão com a
TAM pode não acontecer
Marcelo Onaga
Da Equipe do Correio
Rio de Janeiro — Apesar de não ter conseguido ainda os recursos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para sua capitalização,
a Varig vai encerrar 2003 com um bom motivo para comemorar: pela primeira vez
desde 1997 a empresa fechará o ano com resultado positivo, fruto de corte de
custos, definido pelo vice-presidente-executivo Luiz Martins como ‘‘um controle
espartano de gastos’’, da reação do mercado, da adequação do quadro de
funcionários — foram 1.800 dispensas, entre aposentadorias e demissões
voluntárias, da redução da frota e, principalmente, da operação conjunta com a
TAM, que fez com que se pusesse fim à guerra tarifária.
A empresa ainda não divulga números fechados do ano, mas faturou mais em 2003
vendendo menos passagens do que em 2002. Isso aconteceu graças à redução de
descontos — termo usado pelos executivos da companhia para justificar o que a
maioria dos consumidores chama de aumento de preços. ‘‘Nossa tarifa média está
abaixo da de 2002’’, explica Martins. A tarifa mais baixa, no entanto, está
muito acima. ‘‘Mas era uma tarifa irreal, fruto de uma guerra de preços que
levou as companhias a uma situação complicada’’, diz.
Martins não gosta de falar sobre o processo de fusão com a TAM, iniciado em
março deste ano. Diz que é possível que saia, como é viável a Varig continuar
em vôo solo. O que é indispensável, na opinião dele, são os recursos do BNDES
para capitalizar a empresa, que tem uma dívida de mais de US$ 1,8 bilhões.
Segundo o executivo — que não diz quanto é necessário para resolver os
problemas —, sem os recursos a empresa não chega até o fim do ano.
Saída honrosa
Mesmo sem admitir oficialmente, há, tanto na Varig como na TAM, pessoas que
dizem que a fusão não deverá sair mais. O que estaria sendo estudado agora é
uma ‘‘saída honrosa’’ para o governo, que no início do ano anunciou que só
liberaria dinheiro do BNDES e renegociaria dívidas de Banco do Brasil, Infraero
e BR Distribuidora com as companhias caso elas virassem uma só.
Juntas, Varig e TAM tem quase 70% do mercado nacional. Hoje, mesmo sem a fusão,
elas operam rotas conjuntamente e cobram as mesmas tarifas, o que permitiu a
redução do número de vôos e, conseqüentemente, de seus custos. E sem perder
muitos passageiros. Martins diz que, no caso de não sair a fusão, o ideal seria
a manutenção do compartilhamento dos vôos. ‘‘Se acabar, vamos nos adaptar,
cortando alguns vôos menos rentáveis’’, diz ele.
Encontro
Trabalhadores da Varig, representados pela NV Participações, se encontrarão
hoje com o ministro da Defesa, José Viegas Filho, para discutir a crise no
setor aéreo. O grupo acredita que a solução passa necessariamente pela
reestruturação da Varig e é contra a proposta de fusão com a TAM. A NV tem R$ 2
bilhões a receber em créditos junto à empresa.
|
MJ-CONSUMIDOR |
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 18/12/2003
No varejo, taxa segue acima de 100%
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a redução na Selic anunciada ontem pelo Copom (Comitê de Política
Monetária), os juros no varejo, que em novembro estavam em 105,13%, no
acumulado do ano, devem cair de forma ligeira e atingir 103,51% ao ano, em
média, em dezembro. A projeção é da Anefac, entidade de executivos de finanças.
Com isso, a queda nas taxas atinge 1,13%.
Nos bancos, os juros do cheque especial devem baixar de 173,62% em novembro
para 171,52% em dezembro, em média, ao ano por conta da redução na taxa Selic.
Com isso, haverá redução de 0,8%, de acordo com a Anefac.
Os juros cobrados pelos bancos no crédito direto ao consumidor devem sofrer
queda de 54,65% em novembro, ao ano, para 53,4% em dezembro.
A Anefac informou ontem como deve ficar, segundo estimativa, a nova taxa para
as empresas após a queda dos juros básicos. Para obter capital de giro, a taxa
vai cair para 62,15% ao ano, em dezembro. Em novembro estava em 63,46% ao ano,
em média.
Para descontar duplicatas, as empresas irão pagar agora 64,22% ao ano -em
novembro, o juro para essa modalidade de crédito estava em 65,54%.
Essas quedas geram economia muito tímida para as contas das empresas, na
avaliação de economistas da Anefac.
Queda no cheque especial
A taxa média do cheque especial caiu de 8,29% em novembro para 8,20% ao mês em
dezembro, segundo o Procon-SP. Foi a oitava queda consecutiva na taxa de juro
dessa modalidade de crédito.
Com essa redução, a taxa de juro do cheque especial atingiu o menor patamar
desde janeiro de 1995, quando a pesquisa do Procon-SP começou a ser feita.
A taxa de juro média do empréstimo pessoal também recuou. Foi de 5,49% em
novembro para 5,41% ao mês em dezembro. Foi a menor taxa registrada desde
setembro de 2001, quando o juro desse tipo de empréstimo estava em 5,28% ao
mês.
Apesar das quedas nas taxas de juros das operações de crédito, o Procon-SP
orienta os consumidores a serem cautelosos. "A captação de empréstimos só
deve ocorrer se estritamente necessária", disse Gustavo Marrone,
diretor-executivo do Procon-SP.
Marrone lembra que, em janeiro, há ampliação de gastos com impostos (IPVA e
IPTU), além da compra de material escolar e pagamento de matrícula.
O estudo, feito em 4 e 5 deste mês, constatou que os 11 bancos pesquisados
reduziram as taxas mensais de juros do cheque especial. No empréstimo pessoal,
houve redução em nove instituições.
(ADRIANA MATTOS)
Colaborou a Folha Online
JORNAL DE BRASÍLIA | CIDADE | 18/12/2003
Blitz do Procon em shoppings autua 46 lojas
Cerca
de 46 estabelecimentos comerciais já foram autuados na blitz de Natal realizada
pelo Procon-DF, desde o dia 1º deste mês. A finalidade é verificar se existem
irregularidades em relação aos preços e às promoções nos departamentos, nesta
época do ano. "Temos que constatar se o que é informado nos anúncios
corresponde à pratica dos lojistas. Além disso, pesquisamos se todos os
produtos contêm os valores especificados", diz o diretor de Fiscalização
do Procon-DF, Gilsimar Gonzaga.
Conjunto Nacional, Taguatinga Shopping, Liberty Mall, Terraço Shopping e
Alameda Shopping já foram fiscalizados. De acordo com Gonzaga, todos os
shoppings fiscalizados apresentvam alguma loja com irregularidade. Os lojistas
devem corrigir de imediato as irregularidades e têm dez dias para apresentar
uma justificativa. Depois, o valor da multa será definido de acordo com a
gravidade das constatações, reincidência e porte da empresa. Os valores podem
variar de R$ 202 a R$ 3 milhões. As blitze continuam até o dia 19 (sexta-feira).
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MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 18/12/2003
74% querem redução da maioridade penal
RENATO LOMBARDI
O levantamento CNI/Ibope revela, também, que 74% dos entrevistados são favoráveis
à redução da maioridade penal para 16 anos. Na outra ponta estão 6% para os
quais o sistema deve continuar como está - e outros 17% defendem que se
mantenha a idade atual, 18 anos, mas com a definição de penas mais severas para
os menores que cometem crimes.
Para o advogado Ariel Castro Alves, do setor de Direitos Humanos da Ordem dos
Advogados do Brasil, esses números apontam "um avanço" dos
entrevistados. "As pesquisas divulgadas antes e depois da morte do casal
atingiram números maiores do que os da CNI. É preciso mostrar à população que
existe uma legislação específica para menores, que é o Estatuto da Criança e do
Adolescente. O Estado e a sociedade precisam reagir com a razão e não com a
emoção ", afirmou Castro. A sociedade, diz ele, "deve receber mais
informações sobre as punições aplicadas aos menores infratores", pois
muitos pensam que eles "ficam impunes o que não é verdade."
O delegado Jorge Miguel, diretor do Departamento de Identificação e Registros
Diversos (Dird), pensa exatamente o contrário. Miguel quer punição adequada -
igual à do bandido maior de 18 anos -, para menor que assalta e mata,
seqüestra, estupra.
Ele disse que os menores têm acesso fácil à TV, jornais, rádio, dentro e fora
das unidades da Febem. Sabem o que podem e o que não podem. Ex-delegado geral,
que trabalhou em quase todos os setores da Pólícia Civil, ele entende que
"os bandidos maiores jogam a culpa dos crimes nos menores pois sabem que a
punição será branda".
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MJ-EXECUÇÃO PENAL |
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 18/12/2003
Para Aldaíza, Chalita quer 'guerra política'
A secretária de Assistência
Social do município, Aldaíza Sposati, disse ontem que as declarações do
secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, têm como objetivo iniciar
uma guerra política. "Acho isso porque desde março o Estado tem a proposta
de municipalização nas mãos entregue por um conjunto de organizações, como
Unicef, Ilanud, ONGs, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, e nunca,
absolutamente, houve nenhuma manifestação do secretário para
municipalizar", disse.
Na segunda-feira, o secretário afirmou que entraria na Justiça contra a
Prefeitura para obrigá-la a assumir o atendimento aos jovens em liberdade
assistida da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). A secretária
garantiu que a proposta, em que o Município assumiria gradualmente a
responsabilidade pelos adolescentes, foi entregue ao Estado em março deste ano.
"Queremos municipalizar com outra qualidade. Mas a Febem se nega a se
comprometer", disse.
Pelo projeto, o município investiria cerca de R$ 10 milhões anuais em liberdade
assistida. "A Febem coloca de um dia para o outro no colo do município a
maior fatia de responsabilidade", afirmou a secretária, que foi professora
de pós-graduação de Chalita na Pontifícia Universidade Católica (PUC). "Eu
acho que ele prefere fazer jogo de cena a se comprometer com resultados",
disse. "Respeito profundamente o governador Geraldo Alckmin, porque ele é
um homem sério, mas não me parece que o secretário da Educação esteja seguindo
o mesmo caminho." (Marcos de Moura e Souza)
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 18/12/2003
Sindicância apura suposto desfalque em CDP de Osasco
RITA MAGALHÃES
Uma sindicância administrativa investiga um suposto desfalque no Centro de
Detenção Provisória (CDP) 1 de Osasco. Auditores fiscais da Secretaria da
Fazenda ficaram três dias na unidade fazendo uma devassa nas contas do
presídio. O relatório final deve sair na próxima semana.
Funcionários da cúpula do presídio dizem que o rombo pode chegar a R$ 300 mil e
os valores foram desviados dos pagamentos de fornecedores de alimentos e
combustível. "Deixamos até de levar presos a audiências por falta de
combustível e a empresa que fornece alimentação foi trocada porque suspendeu a
entrega", disse um funcionário. O diretor-geral da unidade, José Antonio
Noronha, nega a fraude.
Anteontem, Noronha negou também a existência de sindicância contra o
ex-diretor-administrativo G.R., mas foi desmentido pela Secretaria da
Administração Penitenciária. Ontem ele admitiu a investigação dos motivos de
G.R. para descumprir solicitação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que
pediu a contabilidade de 2002. No CDP da Vila Independência, onde G.R.
voltou a atuar como agente, informaram que ele está de licença.
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MJ-INSTITUCIONAL |
O GLOBO | MÁRCIO MOREIRA ALVES | 18/12/2003
O caminho de volta
Sossega, menino, parece que tem
bicho-carpinteiro no corpo!”, ralhava minha mãe. Nunca consegui saber com
exatidão como era o tal bicho-carpinteiro. Luís da Câmara Cascudo, mestre de
sapiência maior nessas coisas do povo, nada esclarece, mas, pelo sentido da
frase, dá para entender que é alguma aflição que nos faz viver num movimento
perpétuo. Se é isso mesmo, não creio que seja defeito para um repórter. Pelo
menos, nos faz sempre voltar para a cidade de onde partimos, que é aquela cujas
esquinas conhecemos, onde esbarramos nas ruas com conhecidos ou com velhos
amigos, cujos cheiros, sons e cores nos trazem lembranças. É muito bom ter para
onde voltar, posso garantir, tendo passado tantos anos proibido de fazer esse
retorno. Joaquim du Bellay, poeta renascentista francês, nos ensina que “feliz
é quem, como Ulisses, fez uma bela viagem, e, depois, voltou, cheio de
sabedoria, viver o resto de seus dias entre os seus parentes”.
Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar. Foi antes o ar que me trouxe
da Índia de volta a Brasília, a tempo de testemunhar um dia de glória do
Congresso Nacional: a aprovação do Estatuto do Desarmamento. Essa lei, que foi
arrancada das garras do lobby da morte pela persistência de alguns patriotas e
humanistas, como os militantes do Viva Rio, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh,
presidente da CCJ da Câmara, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que tem rara coragem
cívica, será vista, no futuro, como um marco na luta contra a criminalidade e a
violência na sociedade brasileira.
É provável que outro marco a ser reconhecido no futuro seja o programa de
computador Terra Crime, desenvolvido pelo Inpe e pela Universidade Federal de
Minas Gerais. Já testado em Belo Horizonte, ele permite, entre outras coisas,
integrar informações sobre os locais de maior incidência de crimes e, portanto,
adotar políticas preventivas. Como disse o ministro Márcio Thomaz Bastos quando da apresentação
do programa: “Se o crime já está organizado, temos de ter, no mínimo, o mesmo
grau de organização para combatê-lo.”
O acesso instantâneo das polícias de um estado às informações de outros estados
é de fundamental importância para o combate ao crime. Mas, tão ou mais
importante, é garantir que os policiais que acessam tais informações não sejam,
eles mesmos, criminosos também. Nas últimas semanas parece ter havido uma
convergência de investigações sobre policiais e juízes criminosos.
Em Foz do Iguaçu, a Polícia Rodoviária teve de importar policiais de outras
regiões, porque metade de seu contingente foi presa por envolvimento com o
contrabando de sacoleiras. E esse é um contrabando pé-de-chinelo, formiguinha.
O contrabando grosso, como o de pneumáticos, que faz do Paraguai, que não tem
fábricas de pneus, um grande exportador para o Brasil, ou o de cigarros, cujo
processo é semelhante, não parece ter sido tocado.
No Rio, a exploração de uma lista de beneficiários de propinas de um bicheiro,
apreendida há anos, resultou, finalmente, no indiciamento de mais de 100
policiais dos diversos escalões da hierarquia da Secretaria de Segurança. É a
ponta de um iceberg. Cabe esperar que haja quem se interesse por conhecer o
tamanho do iceberg inteiro.
A juíza-deputada Denise Frossard não acredita nesse empenho. Depois de seu
primeiro discurso no grande expediente, seu maiden speech, como se diz no
Parlamento inglês, fez outro, no princípio do mês, também sobre a criminalidade
no Rio de Janeiro. Citou um despacho do promotor Raphael Cesário num processo:
“Chega, para mim não dá mais” e a resposta do então chefe da Polícia Civil ao procurador
Antônio Carlos Biscaia, que pedia providências contra bicheiros: “Não posso
atender porque há um acordo político entre o governo e a contravenção”, Denise
diz que um número cada vez maior de pessoas acredita ser impossível o combate
ao crime. Diz ela:
— A população sabe que as polícias, a Justiça, as instituições públicas, enfim,
têm capacidade potencial para resolver, mas não resolvem porque quem as comanda
adota políticas equivocadas, às vezes por ignorância, às vezes por má vontade,
às vezes por comprometimento com aqueles os quais deve combater.
A desconfiança popular atinge também o Judiciário, o mais opaco e impune dos
poderes. A recente Operação Anaconda, revelando a venda de sentenças em São
Paulo, é uma exceção à regra da impunidade. Os roubos cometidos pelo ex-juiz
Lalau e seu principal cúmplice, o ex-senador Luiz Estevão, deverão prescrever
em maio. Luiz Estevão conseguiu de um juiz paulista que considerasse
inadmissíveis as provas contra ele, enviadas pelo Ministério da Justiça dos Estados Unidos para o do
Brasil, em virtude de um tratado internacional, sancionado pelo Senado. E
ninguém se interessou em quebrar o sigilo bancário do tal caridoso juiz.
Essas tristes constatações não podem deixar de ser um item a influenciar os
eleitores na disputa pelas prefeituras, principalmente das capitais. Uma das
minhas resoluções de ano novo é a de verificar in loco como andam essas
disputas. Vou pôr o bicho-carpinteiro para trabalhar, a fim de que possa contar
aos leitores o que perceber.
O GLOBO | O PAÍS | 18/12/2003
Encerrada a grevedos policiais federais
RIO e BRASÍLIA. A direção da
Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) reuniu-se com o chefe da
Casa Civil, José Dirceu, e com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Os dirigentes
acertaram com o governo o fim da greve da categoria. No encontro, ficou
combinado que os seis estados que ainda não haviam suspendido o movimento
realizariam assembléias ontem para acabar com a greve. Foi o caso do sindicato
do Rio de Janeiro, que aprovou o fim da paralisação.
Os policiais reivindicam a aplicação da lei que garante a eles receberem
salários como categoria de nível superior. Apesar de o acesso aos quadros da Polícia Federal ser restrito a quem tem diploma
universitário, os salários seriam referentes a cargo de nível médio.
Ficou acertado no encontro com Dirceu que serão realizadas duas novas reuniões.
A primeira, no dia 23, com o Ministério de Orçamento e Gestão. No dia 27 de
fevereiro, a direção da Fenapef reúne-se com o grupo de trabalho formado pelo
governo. Se os policiais não concordarem com a proposta oferecida pelo
Planalto, eles podem convocar uma nova greve.
FOLHA DE S. PAULO | OPINIÃO | 18/12/2003
A grandeza de Josef Stálin
OLAVO DE CARVALHO
A Segunda Guerra Mundial foi preparada e provocada deliberadamente pelo governo
soviético desde a década de 20, naquilo que constituiu talvez o mais ambicioso,
complexo e bem-sucedido plano estratégico de toda a história humana. O próprio
surgimento do nazismo foi uma etapa intermediária, não de todo prevista no
esquema originário, mas rapidamente assimilada para dar mais solidez aos
resultados finais.
Os documentos dos arquivos de Moscou reunidos pelos historiadores russos Yuri
Dyakov e Tatyana Bushuyeva em "The Red Army and the Wehrmacht"
(Prometheus Books, 1995) não permitem mais fugir a essa conclusão.
Reduzida à miséria por indenizações escorchantes e forçada pelo Tratado de
Versalhes a se desarmar, a Alemanha sabia que, para ter seu Exército de volta,
precisaria reconstruí-lo em segredo. Mas burlar a fiscalização das potências
ocidentais era impossível. A ajuda só poderia vir da URSS.
Enquanto isso, Stálin, descrente dos movimentos revolucionários europeus,
pensava em impor o comunismo ao Ocidente por meio da ocupação militar. Nessa
perspectiva, a Alemanha surgia naturalmente como a ponta-de-lança ideal para
debilitar o adversário antes de um ataque soviético. Foi para isso que Stálin
investiu pesadamente no rearmamento secreto da Alemanha e cedeu parte do
território soviético para que aí as tropas alemãs se reestruturassem, longe da
vigilância franco-britânica. De 1922 até 1939, a URSS militarizou ilegalmente a
Alemanha com o propósito consciente de desencadear uma guerra de dimensões
continentais. A Segunda Guerra foi, de ponta a ponta, criação de Stálin.
O sucesso do nazismo não modificou o plano, antes o reforçou. Stálin via o
nazismo como um movimento anárquico, bom para gerar confusão, mas incapaz de
criar um poder estável. A ascensão de Hitler era um complemento político e
publicitário perfeito para o papel destinado à Alemanha no campo militar. Se o
Exército alemão iria arrombar as portas do Ocidente para o ingresso das tropas
soviéticas, a agitação nazista constituiria, na expressão do próprio Stálin,
"o navio quebra-gelo" da operação. Debilitando a confiança européia
nas democracias, espalhando o caos e o pânico, o nazismo criaria as condições
psicossociais necessárias para que o comunismo, trazido nas pontas das
baionetas soviéticas com o apoio dos movimentos comunistas locais, aparecesse
como um remédio salvador.
Para realizar o plano, Stálin tinha de agir com prudente e fino maquiavelismo.
Precisava fortalecer a Alemanha no presente, para precipitá-la num desastre no
futuro, e precisava cortejar o governo nazista ao mesmo tempo em que atiçava
contra ele as potências ocidentais. Tarimbado na práxis dialética, ele conduziu
com espantosa precisão essa política de mão dupla na qual reside a explicação
lógica de certas contradições de superfície que na época desorientaram e
escandalizaram os militantes mais ingênuos (como as sutilezas da estratégia do
sr. José Dirceu escandalizam e desorientam a sra. Heloísa Helena).
Por exemplo, ele promovia uma intensa campanha antinazista na França, ao mesmo
em tempo que ajudava a Alemanha a se militarizar, organizava o intercâmbio de
informações e prisioneiros entre os serviços secretos da URSS e da Alemanha
para liquidar as oposições internas nos dois países e recusava qualquer ajuda
substantiva aos comunistas alemães, permitindo, com um sorriso cínico, que
fossem esmagados pelas tropas de assalto nazistas. A conduta aparentemente
paradoxal da URSS na Guerra Civil Espanhola também foi calculada dentro da
mesma concepção estratégica.
Mobilizando batalhões de idiotas úteis nas classes intelectuais do Ocidente, a
espetaculosa ostentação estalinista de antinazismo -cujos ecos ainda se ouvem
nos discursos da esquerda brasileira, última crente fiel nos mitos dos anos 30-
serviu para camuflar a militarização soviética da Alemanha, mas também para
jogar o Ocidente contra um inimigo virtual que, ao mesmo tempo, estava sendo
jogado contra o Ocidente.
Hitler, que até então era um peão no tabuleiro de Stálin, percebeu o ardil e
decidiu virar a mesa, invadindo a URSS. Mas Stálin soube tirar proveito do
imprevisto, mudando rapidamente a tônica da propaganda comunista mundial do
pacifismo para o belicismo e antecipando a transformação, prevista para muito
depois, do antinazismo de fachada em antinazismo armado. Malgrado o erro de
cálculo logo corrigido, o plano deu certo: a Alemanha fez seu papel de navio
quebra-gelo, foi a pique, e a URSS ascendeu à posição de segunda potência
mundial dominante, ocupando militarmente metade da Europa e
aí instalando o regime comunista.
Na escala da concepção estalinista, o que representam 40 milhões de mortos, o
Holocausto, nações inteiras varridas do mapa, culturas destruídas, loucura e
perdição por toda parte? Segundo Trótski, o carro da história esmaga as flores
do caminho. Lênin ponderava que sem quebrar ovos não se pode fazer uma omelete.
Flores ou ovos, o sr. Le Pen, mais sintético, resumiria o caso numa palavra:
"Detalhes". Apenas detalhes. Nada que possa invalidar uma grandiosa
obra de engenharia histórica, não é mesmo?
Por ter colaborado nesse empreendimento, o sr. Apolônio de Carvalho foi, no
entender do ministro Márcio Thomaz Bastos,
um grande herói. Mas, se o miúdo servo de Stálin tem as proporções majestosas
de um herói, o que teria sido o próprio Stálin? Um deus?
Olavo de Carvalho, 56, jornalista e ensaísta, é autor de, entre outros livros,
o "O Jardim das Aflições" (é Realizações, 2001).
www.olavodecarvalho.orgB
JORNAL DE BRASÍLIA | CIDADE | 18/12/2003
Militares do DF fazem ato por salários
Uma
manifestação por melhores salários – além de plano de carreira e unificação das
corporações – mobilizou policiais militares e bombeiros do DF ontem, na
Esplanada dos Ministérios. As lideranças estimaram em mais de 800 o número de
militares no ato, enquanto o comando da PM calcula em, no máximo, 350 pessoas.
Os militares desejam a elevação do piso salarial, de R$ 1,4 mil para R$ 3,4
mil. "Essa disparidade entre o salário da Polícia Civil e o da Militar é
um absurdo. Eles começam ganhando R$ 3,9 mil, enquanto nós ganhamos apenas R$
1,4 mil", diz o cabo Patrício, um dos líderes dos PMs do DF.
Pela manhã, Sérgio Sérvulo, chefe de gabinete do Ministério
da Justiça, recebeu os PMs, mas deixou claro que a esfera
federal não tem poder para definir o reajuste da corporação, porque a gestão do
dinheiro é do GDF. "O problema é que não somos chamados para negociar e o
aumento sempre fica aquém da expectativa", disse Patrício.
Os manifestantes partiram, então, em direção ao Buriti, onde foram recebidos
pelo secretário de Segurança, general Athos Costa, e pela secretária de Gestão,
Cecília Landim. Uma nova reunião ficou acertada entre as partes para negociar o
reajuste do próximo ano.
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 18/12/2003
Oito anos para Luiz Estevão
O
juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal,
condenou o ex-senador Luiz Estevão a oito anos de prisão em regime semi-aberto
e a pagamento de multa em processo no qual é acusado de ter mantido depósitos
no exterior sem declará-los ao Banco Central (BC) e à Receita Federal.
Ontem, o empresário disse que ainda não havia sido informado sobre o despacho.
Como a decisão é de um magistrado de primeira instância, teoricamente os
advogados de Estevão podem recorrer. No despacho, Bastos afirma que Estevão tem
"péssimos antecedentes" e que, por esse motivo, não poderia ser
beneficiado pelo direito de ter substituída a pena privativa de liberdade por
penas restritivas de direitos.
"É primário, contendo nos autos notícia de antecedentes que o desabonam,
porquanto responde a outras seis ações penais", observou o juiz. Bastos
concluiu que Estevão promoveu evasão de divisas do País, movimentando depósitos
em dólares norte-americanos no período de agosto de 1992 a setembro de 2000.
"Restou plenamente caracterizada a evasão de divisas do País, fato que se
deu pela remessa não registrada de altas somas de dinheiro ao exterior",
afirmou o juiz. A mulher de Estevão, Cleucy Meirelles de Oliveira, também foi
denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF), mas o magistrado resolveu
absolvê-la porque concluiu que não existem provas de que ela tenha participado
dos atos.
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MJ-SEGURANÇA PÚBLICA |
JORNAL DO BRASIL | BRASIL | 18/12/2003
Greenhalgh
abandona
Advogado do PT recusa
pedido para acompanhar reabertura do inquérito
Paulo de Tarso Lyra
BRASÍLIA - O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, presidente da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, não é mais o advogado do PT nas
investigações do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Greenhalgh
acompanhou a apuração feita ano passado pela polícia de São Paulo - que apontou
crime comum praticado pela quadrilha do seqüestrador Andinho - e recusou o
pedido da direção do partido para acompanhar a reabertura do caso pelo
Ministério Público. O novo advogado do PT é o ex-procurador-geral da República
Aristides Junqueira.
- Seria hipocrisia. Avalizo as investigações da polícia. Não houve mandante,
não foi crime político. Foi crime comum - declarou Greenhalgh.
O PT já decidiu qual será a primeira missão de Aristides Junqueira no processo:
pedir a quebra do sigilo nas investigações do Ministério Público de São Paulo.
Apesar de a cúpula petista não se pronunciar oficialmente sobre o caso,
políticos ligados à legenda confirmam que a prisão do empresário Sérgio Gomes
da Silva, o Sombra, sob a acusação de mandante do crime, pode ser o começo da
apuração sobre as denúncias de um esquema de pagamento de propinas na
prefeitura de Santo André.
- De fato, acho que ele pode ter envolvimento com outras coisas. Mas até onde
isso pode chegar, não faço idéia - declarou um petista que pediu anonimato.
Junqueira criticou a decisão do Ministério Público de reabrir o caso a partir
de uma investigação paralela e secreta. Lembrou que, pelo entendimento do
Supremo Tribunal Federal, à luz da Constituição, cabe ao MP a tarefa de
controle externo. A atribuição de investigar é da polícia.
- O MP não pode, evidentemente, ficar ausente das investigações. Mas também não
pode tomar para si prerrogativas da polícia - atacou Junqueira.
O novo advogado petista afirmou que o partido vai buscar a verdade,
acompanhando de perto os novos desdobramentos do caso. Admite que será muito
frustrante para a sociedade se, no futuro, a Justiça vier a anular a
solicitação do Ministério Público de reabrir as investigações.
- Não queremos, no entanto, que se trate a morte de um homem honrado como um
episódio de política partidária - acrescentou, sem explicitar a quem
interessaria esse movimento.
O presidente nacional do PT, José Genoino (SP), agradeceu o empenho de
Greenhalgh nas investigações do assassinato. Acrescentou que procurou o
parlamentar petista para pedir sua colaboração neste novo momento, mas garante
que entendeu os motivos da recusa.
- O trabalho do Greenhalgh foi sério e consistente. O PT está empenhado em
esclarecer o episódio de Santo André. Não somos nós, contudo, que conduzimos as
investigações. É a Polícia Federal, o
Ministério Público e a polícia estadual - explicou Genoino.
O presidente do PT não demonstrou preocupação com o pedido de uma CPI de Santo
André, feito pela oposição no Senado, já em processo de coleta de assinaturas.
Para Genoino, esta iniciativa não deve ser levada a sério.
- A investigação que concluiu pelo crime comum foi conduzida pela polícia de um
Estado governado pelo PSDB - justificou.
JORNAL DO BRASIL | CARTAS | 18/12/2003
Trânsito
O retorno da Guarda Municipal
(GM) para orientar o trânsito no Rio é benéfico aos motoristas e pedestres que
levam a sério seu ir-e-vir no cotidiano. É importante o aumento do efetivo da
PM nas principais vias que cruzam as áreas urbanas, oeste e suburbanas, com
viaturas dando apoio a qualquer situação de constrangimento ou conflito. Minha
analise é embasada no poder armado e na experiência que a PM tem para intervir
num eventual assalto a coletivos ou no próprio comércio. Já a GM é limitada e
sujeita a conflitos físicos, como ocorre com os camelôs. Mas, para o sucesso da
segurança, é imprescindível deixar a vaidade política de lado e unir as forças
dos municípios e da governadora do Estado. Sem falar na União, que deveria dar
suporte operacional imediato para a Polícia
Federal, principalmente nas ações nos complexos de favelas que
margeiam a Baía de Guanabara, fazendo incursões náuticas e aeroterrestres
constantes.
Antonio Kämpffe, Rio de Janeiro, por e-mail
JORNAL DO BRASIL | BRASIL | 18/12/2003
Transplantes GDF busca doadores
A
Secretaria de Saúde, o Corpo de Bombeiros e a Polícia
Rodoviária Federal realizam amanhã, durante todo o dia, uma campanha
por doação de órgãos. Atualmente 600 pacientes estão na lista de espera por um
transplante de rim e 1200 aguardando transplante de córneas em todo o DF. Os
funcionários destes órgãos estarão presentes em todas as saídas rodoviárias.
Os profissionais de Saúde vão para os pontos considerados estratégicos, onde
haverá maior fluxo de pessoas deixando a cidade por ocasião das festas
natalinas. Serão distribuídos panfletos, calendários, cartazes e folderes
informativos.
-O objetivo é conscientizar a população sobre como se pode ser um doador e
tirar as dúvidas das pessoas sobre o tema- afirmou o médico da Secretaria de
Saúde Lucio Lucas.
O GLOBO | O PAÍS | 18/12/2003
Encerrada a grevedos policiais federais
RIO e BRASÍLIA. A direção da
Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) reuniu-se com o chefe da
Casa Civil, José Dirceu, e com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Os dirigentes
acertaram com o governo o fim da greve da categoria. No encontro, ficou
combinado que os seis estados que ainda não haviam suspendido o movimento
realizariam assembléias ontem para acabar com a greve. Foi o caso do sindicato
do Rio de Janeiro, que aprovou o fim da paralisação.
Os policiais reivindicam a aplicação da lei que garante a eles receberem
salários como categoria de nível superior. Apesar de o acesso aos quadros da Polícia Federal ser restrito a quem tem diploma
universitário, os salários seriam referentes a cargo de nível médio.
Ficou acertado no encontro com Dirceu que serão realizadas duas novas reuniões.
A primeira, no dia 23, com o Ministério de Orçamento e Gestão. No dia 27 de
fevereiro, a direção da Fenapef reúne-se com o grupo de trabalho formado pelo
governo. Se os policiais não concordarem com a proposta oferecida pelo
Planalto, eles podem convocar uma nova greve.
O GLOBO | O PAÍS | 18/12/2003
Justiça afasta policiais envolvidos no esquema
Ricardo Galhardo
SÃO PAULO. A Justiça Federal determinou ontem o afastamento do delegado
Alexandre Morato Crenitte e do agente César Hermann Rodrigues de seus cargos na
Polícia Federal. Ambos são suspeitos de
colaborar com o empresário Ari Natalino da Silva, acusado de ser o maior
adulterador de combustíveis do país, com base em interceptações telefônicas
feitas pela Operação Anaconda.
Além do afastamento do delegado Crenitte e de Hermann, que está preso desde 30
de outubro na carceragem da PF em São Paulo por integrar a quadrilha do juiz
João Carlos da Rocha Mattos, a juíza Tânia Regina Marangoni Zauhy, da 16 Vara
Cível Federal de São Paulo, determinou a quebra do sigilo bancário e o bloqueio
dos bens dos dois policiais, de Natalino, da mulher dele, Débora Aparecida da
Silva, e de seu advogado, Wellengton Carlos de Campos.
“A permanência de Crenitte e Hermann nos quadros da Polícia
Federal não só é indesejável como é inaceitável”, diz a juíza em seu
despacho.
Nas gravações da Operação Anaconda, o delegado Crenitte, então chefe da
Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e responsável pela prisão de
Natalino, revela a Campos que a PF realizaria uma operação de busca e apreensão
na casa da ex-mulher do empresário, Maria Aparecida Pessuto. Graças ao aviso
Maria Aparecida pôde retirar os documentos importantes da casa.
Em outra gravação as conversas indicam que Crenitte, com a ajuda de Hermann,
atrasou propositalmente o cumprimento de um mandado de prisão contra Maria
Aparecida. O delegado teria ainda negociado a permanência de Natalino no
Hospital Albert Einstein, para que ele não tivesse que depor num processo no
qual é réu.
Segundo as gravações realizadas entre fevereiro e março, Crenitte receberia R$
500 mil, em parcelas de R$ 150 mil, para dar proteção a Natalino.
Crenitte chegou a ser preso, mas foi liberado em seguida. Natalino teve a
prisão decretada, mas internava-se em hospitais graças a laudos médicos que
estão sendo investigados. O Ministério Público Federal voltou a pedir a prisão
de Natalino e o pedido está com o juiz Ali Mazloum, da 7 Vara Criminal Federal
de São Paulo. Mazloum é acusado de integrar a quadrilha desbaratada pela
Operação Anaconda.
O GLOBO | RIO | 18/12/2003
Delegado vai cumprir pena em liberdade
Acusado de extorsão, o delegado
Carlos Heitor Sanches, de 57 anos, foi condenado no dia 12 passado a três anos
e meio de prisão, mas o juiz Geraldo Prado, da 37 Vara Criminal, converteu a
pena de reclusão em prestação de serviços à comunidade, o que significa que o
policial ficará em liberdade. Ele foi julgado por exigir, no ano passado, R$
7.650 de uma concessionária de veículos no Maracanã. O dinheiro seria o
pagamento pela anulação de um inquérito sobre a venda de um carro com
documentação irregular.
Ontem, a Polícia Federal prendeu no Rio
um ex-agente e um agente federal acusados de integrar uma quadrilha que
regularizava de forma fraudulenta a situação de estrangeiros no país. A
operação foi desencadeada ainda em Salvador, Fortaleza e Natal, resultando, ao
todo, em 11 suspeitos.
O GLOBO | O PAÍS | 18/12/2003
Ex-mulher de juiz se complica ao depor na CPI da Pirataria
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA. A situação da auditora fiscal Norma Regina Emílio Cunha, acusada de
envolvimento com a organização investigada por venda de decisões judiciais em
São Paulo na Operação Anaconda, se complicou depois do depoimento que prestou
ontem à CPI da Pirataria. Norma Regina não explicou a diferença de R$ 1,4
milhão entre a renda declarada à Receita Federal e a movimentação, nos últimos
cinco anos, em duas de suas contas bancárias analisadas pelos parlamentares.
Segundo um levantamento apresentado pelo deputado Josias Quintal (PMDB-RJ),
Norma Regina movimentou R$ 2,1 milhões em duas contas no Banco do Brasil e no
Banco Bic, entre 1999 e este ano. Neste mesmo período, a ex-mulher do juiz João
Carlos da Rocha Mattos declarou ao Fisco rendimentos de R$ 700 mil. Quando
confrontada com a diferença nos números, reagiu com evasivas.
— É necessário examinar as declarações de renda. Pode ter havido venda de
imóveis — disse Norma Regina.
Depois ela disse que talvez o dinheiro de uma conta tenha sido transferido para
outra, o que daria a impressão de uma movimentação bancária maior. Mas a
deputada Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) afirmou que não houve saques.
Auditora evita comprometer o juiz Rocha Mattos
Ela se complicou também ao justificar a origem dos US$ 550 mil e 100 mil euros
apreendidos pela Polícia Federal no
apartamento dela em São Paulo em outubro. A auditora disse que o dinheiro era
da exploração de um garimpo, de uma loja em Cuiabá e de economias de vários
anos. Mas acabou admitindo que ludibriou a Receita Federal por duas vezes.
Primeiro porque, como funcionária da Receita, não poderia estar à frente de um
empreendimento comercial. Depois porque não incluiu os dólares e euros em suas
declarações de renda. As revelações deixaram Vanessa Graziotin irritada:
— A senhora era auditora da Receita, a senhora não tinha esse direito.
Ao longo de três horas de depoimento, Norma Regina evitou comprometer o
ex-marido João Carlos da Rocha Mattos ou outros supostos integrantes da
organização responsável pela central de vendas de decisões judiciais que, como
ela, estão presos. Sempre se pondo no papel de vítima, Norma Regina tentou até
incluir o diretor da Polícia Federal,
Paulo Lacerda, no círculo de relacionamentos de Rocha Mattos.
— O doutor Paulo Lacerda esteve na minha casa e no gabinete dele (Rocha Mattos)
para pedir material — disse a auditora.
Lacerda confirmou que esteve no gabinete de João Carlos, mas negou que tenha
visitado a casa do juiz. Lacerda explicou que esteve com Rocha Mattos para
tratar de assuntos relativos às CPIs do Congresso Nacional, uma delas a de
roubo de cargas, da qual era assessor. Lacerda disse que ficou impressionado
com as críticas que João Carlos, então um dos mais importantes juízes federais
de São Paulo, fazia à corrupção no Judiciário:
— Ele sempre foi um crítico da corrupção no Judiciário. Falava de
desembargadores que não o queriam no tribunal.
Para Lacerda, Norma Regina citou seu nome apenas para confundir as investigações.
Ela chegou à CPI algemada e cercada por quatro policiais federais, e passou boa
parte do tempo fazendo expressão de choro e insistindo em relembrar fatos
dramáticos da vida particular, como a suposta tentativa de suicídio do filho
aos 7 anos de idade.
“Este depoimento foi uma farsa. Ela mentiu”
O depoimento chegou a ser interrompido quando o presidente da CPI, Luiz Antonio
Medeiros (PL-SP), chamou Norma de mafiosa. Ela reagiu dizendo que não iria mais
falar. Mas o depoimento acabou sendo retomado logo em seguida.
— Este depoimento foi uma farsa. Ela mentiu o tempo todo — disse Medeiros.
O GLOBO | O PAÍS | 18/12/2003
Justiça condena Arcanjo a 37 anos de prisão e passa seus bens para a União
Rodrigo Vargas
Especial para O GLOBO
CUIABÁ. A Justiça Federal condenou João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, acusado
de chefiar uma das maiores máfias do país, a 37 anos de prisão em regime
fechado por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação
de quadrilha. Ele comandava factorings, agindo como se fosse um banco, mas não
tinha autorização do Banco Central.
O juiz federal Julier Sebastião da Silva, que condenou Arcanjo, decretou ainda
a perda de bens que estavam em nome do criminoso (imóveis, carros, avião e
jóias), em valores superiores a US$ 500 milhões (em torno de R$ 1,5 bilhão),
que passarão para o patrimônio da União. O juiz determinou o repatriamento de
US$ 16 milhões (cerca de R$ 48 milhões) que estavam em nome de Arcanjo em contas
no exterior.
Sentenças de integrantes da quadrilha somam cem anos
Outros seis integrantes da quadrilha de Arcanjo — entre eles sua mulher, Sílvia
Chirata, condenada a 25 anos de prisão — também foram condenados a penas que,
juntas, totalizam mais de cem anos. O Comendador e sua mulher estão presos no
Uruguai desde abril.
O juiz decidiu que o grupo de Arcanjo perderá o direito a todos os seus bens,
direitos e valores confiscados em nome da União. Isso inclui fazendas, prédios,
cotas de sociedades mercantis, jóias, ações, títulos de crédito, um avião
modelo Cessna Citation 10 avaliado em US$ 18 milhões (cerca de R$ 54 milhões),
o Hotel Crowne Plaza, na Flórida, além de dinheiro aplicado em agências
bancárias no Brasil, no Uruguai, no Estados Unidos, na Suíça e nas Ilhas
Cayman.
O juiz disse que os bens confiscados estão sendo avaliados.
— O valor do confisco deve superar os US$ 500 milhões e deverá se configurar
como a maior perda judicial de patrimônio já determinada na História do país —
disse ele.
Na sentença, o juiz vincula o uso deste dinheiro a gastos sociais do governo e
com programas de segurança pública.
Arcanjo e sua mulher foram presos no dia 10 de abril em Montevidéu, no Uruguai,
quando tentavam escapar da Polícia Federal
na operação Arca de Noé — uma referência ao jogo do bicho, que o comendador
também explorava. O processo de extradição é lento, mas já recebeu parecer
favorável do Ministério Público uruguaio.
Processo por ter mandado matar dono de jornal
Em junho, ele já havia sido condenado a sete anos de prisão por porte ilegal de
armas, contrabando e receptação de produtos contrabandeados. Na Justiça
Federal, responde a outros três processos por crimes contra o sistema
financeiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, sonegação, além de dois
homicídios e uma tentativa de homicídio.
Na Justiça estadual, Arcanjo é acusado de ser o mandante do assassinato do
empresário Domingos Sávio Brandão, dono do jornal “Folha do Estado” —
supostamente por causa de reportagens denunciando sua atuação no crime
organizado em Mato Grosso.
O GLOBO | RIO | 18/12/2003
Justiça manda prender de novo Pitta e Martins
Alan Gripp e Carla Rocha
A Justiça determinou ontem que retornem à cadeia cinco dos 22 condenados por
envolvimento no escândalo do propinoduto, entre eles os empresários de futebol
Reinaldo Pitta e Alexandre Martins. Eles haviam sido beneficiados por liminares
concedidas poucas horas depois da divulgação da sentença, no dia 31 de outubro.
Ontem, no entanto, o Tribunal Regional Federal negou os pedidos de
hábeas-corpus, anulando o efeito das liminares.
Também perderam o benefício os representantes do banco suíço onde os fiscais do
estado têm contas, Herry Rosemberg e Ronaldo Adler, além de sua secretária,
Marlene Rozen. Até o fim da noite, a Polícia
Federal ainda não havia cumprido os mandados de prisão. Os três
deverão ser levados para a Polinter. Por não terem curso superior, Pitta e
Martins ficarão no Ary Franco, em Água Santa.
Os desembargadores negaram ainda os pedidos de hábeas-corpus de seis fiscais e
auditores federais, titulares das contas no exterior. Heraldo da Silva Braga,
Axel Ripoll Hamer, Carlos Eduardo Pereira Ramos, Rômulo Gonçalves, Sérgio
Jacome de Lucena e Amauri Franklin continuarão presos na Polinter. Outros
pedidos de hábeas-corpus referentes ao caso ainda aguardam o parecer do
Ministério Público federal para serem julgados.
O julgamento do hábeas-corpus estava cercado de expectativas devido ao parecer
do desembargador André Kozlowski, que opinou a favor da anulação da sentença
que condenou 22 pessoas. Os demais desembargadores da 6 Turma do TRF, no
entanto, consideraram a sentença consistente e não aceitaram o argumento da
defesa de que os réus teriam o direito de apelar em liberdade por serem
primários e terem bons antecedentes.
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 18/12/2003
Governo quer
tirar o depoimento de suspeitos do inquérito policial
Proposta será discutida
com Estados e Judiciário
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASíLIA
O secretário nacional de Segurança Pública,
Luiz Fernando Corrêa, tentará convencer governadores e secretários estaduais da
área a mudar o inquérito policial, eliminando o depoimento dos suspeitos e
restringindo o trabalho à elaboração de um relatório das provas encontradas.
Após a adesão formal de todos os Estados ao Sistema Único de Segurança Pública
(Susp), Corrêa, que assumiu o cargo no mês passado, planeja uma reunião com
representantes dos Estados, do Ministério Público e do Judiciário para definir
o novo modelo do inquérito. Não há necessidade de alteração da lei, apenas
mudanças pontuais nas instruções normativas das polícias.
Na avaliação de Corrêa, o novo inquérito pode trazer mais agilidade às
polícias, porque os investigadores, nesse caso, teriam apenas de obter dados,
em vez de se preocupar com questionamentos de advogados ou acusados.
O depoimento dos suspeitos ocorreria só durante o processo. Com isso, o poder
público corrige uma distorção, diz Corrêa. Hoje, criminosos têm tempo para se
organizar e praticar os crimes antes que o Estado perceba sua ação. Quando o
inquérito é aberto, os suspeitos podem acompanhar e, eventualmente, atrapalhar.
Para evitar isso, Corrêa afirma que deseja um inquérito com caráter
exclusivamente "inquisitorial". Ao se limitar a reunir as provas, a
polícia deixaria o Ministério Público em pé de igualdade na quantidade de
informações com os criminosos. "No dia em que um policial falar com a mesma
linguagem de promotor e juiz, pobre da sociedade que depende dele",
afirmou Corrêa.
Questionado se o novo modelo de inquérito eliminaria o indiciamento feito pelo
delegado -procedimento apenas formal que
pouco representa no processo-, o secretário afirmou que considera a questão
"irrelevante".
As mudanças pretendidas pelo secretário têm o aval do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Os dois buscam, agora,
convencer os governadores.
A idéia vai ser apresentada por Bastos e pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em reunião com os 27 governadores prevista para celebrar a adesão de
todos os Estados ao Susp. A data da reunião não foi divulgada.
Para complementar o sistema, Corrêa promove hoje o lançamento de um sistema
nacional de estatísticas de criminalidade, que tem o objetivo de padronizar o
lançamento das ocorrências policiais no país. "Vamos ter uma polícia
eminentemente técnica", disse o secretário nacional.
Segundo Corrêa, a implementação do Susp deve ser acelerada nos próximos meses,
elevando ao menos a integração dos Estados. Estuda-se a criação de um Gabinete
de Gestão Integrada para a região Nordeste, a exemplo do que foi criado no
Sudeste.
O gabinete regional reúne as polícias de cada Estado e o Ministério Público e
tem o objetivo de fazer seus integrantes conhecerem as investigações dos
demais.
Corrêa afirma que a criminalidade vem aumentando nos Estados nordestinos, com
as quadrilhas se movimentando pelos limites interestaduais.
Mudança constitucional
Já está com o secretário o texto da proposta de emenda constitucional (PEC) que
elimina a previsão sobre o papel das polícias da Carta. O documento deve seguir
para o Congresso após a reunião de Lula com os governadores.
O projeto mantém os serviços policiais que a população deve receber
(policiamento investigativo, ostensivo, de ordem pública, defesa civil e de
bombeiros), mas retira a obrigatoriedade de o Estado ter duas polícias (Civil e
Militar). Caso a PEC seja aprovada, os Estados poderão unificar suas polícias
ou criar novas corporações.
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 18/12/2003
Polícia Federal indicia 27 pessoas
A Polícia Federal indiciou 27 pessoas no inquérito
que investiga o tráfico internacional de órgãos humanos. O inquérito foi
concluído anteontem pela delegada Karla Gomes e encaminhado à Procuradoria da
República em Pernambuco, que tem sete dias para aceitar ou não a denúncia.
Ontem, a Assembléia Legislativa de Pernambuco instaurou uma CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito), que terá 90 dias para investigar o caso.
O autor do pedido de CPI, deputado estadual Raimundo Pimentel (PSDB),
encaminhou um requerimento à Justiça para que a comissão tenha acesso ao
processo, que corre sob sigilo.
Antes de concluir o inquérito, a delegada ouviu três pacientes que retornaram
de Durban para Recife no final de semana. (DA AGêNCIA FOLHA)
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 18/12/2003
Juíza manda afastar delegado e agente federal
DA
REPORTAGEM LOCAL
A Justiça Federal determinou ontem o afastamento de suas funções do delegado da
Polícia Federal Alexandre Morato
Crenitte e do agente César Herman Rodriguez e autorizou a quebra do sigilo
bancário da dupla.
Eles são acusados pelo Ministério Público Federal de beneficiar o empresário
Ari Natalino da Silva, dono da distribuidora Petroforte acusado de fraudar
combustíveis.
Crenitte deixou as investigações sobre a Petroforte em março, foi transferido
para a Corregedoria da PF em São Paulo, órgão encarregado de apurar
irregularidades, e em setembro teve a sua prisão temporária decretada; desde
então, está de
licença.
Rodriguez trabalhava no Fórum Criminal Federal com o juiz João Carlos da Rocha
Mattos e está preso desde o dia 30 de outubro pela Operação Anaconda sob
acusação de integrar uma quadrilha que vendia sentenças, segundo a Polícia Federal.
A juíza Tânia Regina Marangoni Zauhy, da 16ª Vara Federal Cível, acatou um
pedido de liminar do Ministério Público Federal que estabelece o afastamento do
cargo do delegado e do agente e a responsabilização dos dois por atos de
improbidade administrativa.
A Justiça também determinou a quebra de sigilo do dono da Petroforte, de sua
mulher, Débora Aparecida da Silva, e do advogado Wellington Carlos de Campos.
Sigilo revelado
Gravações feitas em fevereiro e março deste ano mostram que Natalino da Silva e
Débora ofereceram R$ 500 mil ao delegado Crenitte pelo "trabalho".
O "trabalho" seria manter o empresário internado no Hospital Albert
Einstein, em São Paulo, quando fosse cumprido o mandado de prisão contra ele, o
que de fato ocorreu em fevereiro. O empresário tem leucemia.
Crenitte também revelou ao advogado de Natalino da Silva o teor de mandado de
busca e apreensão na casa de Maria Aparecida Tessuto, ex-mulher do empresário.
Os promotores dizem que o conhecimento do mandado permitiu a retirada de
documentos importantes da casa.
Crenitte também teria revelado ao advogado do empresário, em março deste ano,
informações sigilosas sobre a investigação que o Ministério Público Federal e a
PF realizavam sobre a Barcelona Tour, casa de câmbio de Antonio Oliveira
Claramunt acusada de lavagem de dinheiro.
Rodriguez, segundo as gravações, agiu como intermediário para que a ordem de
prisão de Maria Aparecida fosse enviada por fax ao advogado do empresário.
Crenitte é acusado de atrasar o cumprimento de mandado da Justiça Federal
contra Natalino da Silva, o que teria facilitado a sua fuga. Maria Aparecida
está presa.
O advogado de Rodriguez, Hermínio Alberto Marques Porto Jr., não quis comentar
a decisão por desconhecer a ação.
Em um inquérito feito pela PF, o agente declarou em setembro que o advogado de
Natalino da Silva procurou-o porque o empresário sabia da possibilidade de ser
preso e queria entrar em contato com o procurador e o juiz do caso para expor
seu problema de saúde.
Rodriguez disse ter atendido o advogado porque houve um pedido de Cícero Viana,
dono de uma rede de revenda da Chevrolet, a Itororó, e sócio do agente na
construção de um prédio na avenida Angélica, em São Paulo.
A reportagem da Folha tentou falar com Crenitte em Santos, onde ele mora, mas
foi informada que ele voltaria apenas hoje.
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 18/12/2003
Juiz absolveu doleiro que elogia em gravações
RUBENS
VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
O doleiro uruguaio Najun Turner, elogiado pelo juiz federal da 4ª Vara Criminal
de São Paulo, João Carlos da Rocha Mattos, em gravação telefônica apreendida
pela Operação Anaconda, foi absolvido pelo mesmo juiz, há três anos, em
processo que o acusava de crime contra o sistema financeiro. Um bilhete e
declarações da ex-mulher do juiz Norma Regina Emílio Cunha também indicam que
Turner convidou um filho de Mattos para passeio.
Uma cópia da sentença de Rocha Mattos que beneficiou Turner, datada de maio de
2000, foi encontrada pela Polícia Federal
no escritório do empresário Wagner Rocha, no centro de São Paulo. O juiz e
Rocha estão presos na Polícia Federal
sob acusação de integrar uma quadrilha com ramificação na Justiça federal.
No processo que tramitou sob responsabilidade de Rocha Mattos, Turner é acusado
de realizar "inúmeras operações" irregulares nos mercados financeiro
e de capitais entre julho de 1982 e janeiro de 1989, segundo a denúncia
oferecida por três procuradores da República em 1996.
O doleiro ganhou notoriedade ao participar de uma tentativa de salvar o mandato
do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ameaçado de impeachment em 1992, a
Operação Uruguai.
Os elogios a Turner feitos pelo juiz aparecem numa conversa telefônica gravada
pela ex-mulher de Rocha Mattos. "Eu acho que ele é uma boa pessoa e que
merece confiança", disse o juiz, ao ser perguntado por Norma se podia
confiar no doleiro, que vinha se oferecendo para levar o filho do casal para
ver um jogo de basquete e ter aulas de esgrima com uma filha dele no Clube
Paulistano.
Na mesma conversa, Rocha Mattos faz uma referência truncada sobre Turner:
"Ele é uma boa pessoa. Eu acho que ele já provou, até pelas coisas que ele
assumiu que ele não fez. Você sabe, né, não precisa entrar em detalhes".
Em outro trecho da conversa, o magistrado comenta sobre uma "ajuda"
específica do doleiro: "Ele tentou ajudar, indicou aquele médico lá. Eu
acho que ele é uma boa pessoa, sim".
O juiz ainda fez um comentário em código: "Você sabe que não existe mais,
não funciona, aquela, aquela movimentação... Então não existe mais nada,
entendeu?".
Um bilhete, encontrado também na casa de Norma pela Polícia
Federal e assinado por "Najun", confirma que houve convite
para um passeio com um filho de 13 anos do casal.
No processo em que foi absolvido por Rocha Mattos, Turner fora acusado de
infringir três artigos da lei que regula o sistema financeiro. Para
inocentá-lo, o juiz acolheu um argumento da defesa, o de que o uruguaio era
"operador autônomo" no mercado financeiro e, assim, "não pode
ser equiparado a instituição financeira".
Segundo Rocha Mattos, "não tendo atuado como instituição financeira, mas
sim como agente autônomo de investimentos, não era o acusado obrigado a manter
a escrituração e contabilização da movimentação de recursos financeiros ou
valores exigida pela legislação de uma instituição financeira propriamente
dita".
O juiz chegou a sugerir o possível crime que Turner teria cometido, o de
sonegação fiscal, mas concluiu: "Esta imputação também não consta da
denúncia".
Ao analisar o processo, Rocha Mattos escreveu que Turner, pelas certidões e
documentos reunidos pelo Ministério Público em sete páginas, "com vários
registros de inquéritos e de algumas ações penais", era possuidor de
"maus antecedentes". Isso não impediu o magistrado de frisar, na
sentença, que os documentos "atestam ser o réu primário".
Turner também foi condenado, em 2000, a três anos de prisão sob acusação de
contrabando de ouro. A pena prescreveu e
ele não chegou a ser preso.
Entre os documentos achados no escritório de Wagner Rocha também aparece um
processo judicial que tramitou na mesma 4ª Vara Criminal Federal no qual é réu
outro doleiro ligado a Rocha Mattos, Sandor Paes de Figueiredo, dono da casa de
cambio paulistana Suntur.
Figueiredo tinha estreito relacionamento com o casal Rocha Mattos, a ponto de
ser convocado como testemunha de Norma Cunha numa medida judicial que acompanha
o processo de divórcio do casal. Norma queria, com o depoimento do doleiro e de
mais duas pessoas -entre as quais o agente da Polícia
Federal César Herman Rodriguez, também preso pela Operação
Anaconda-, comprovar o relacionamento conjugal com o juiz.
Testemunhas nesse tipo de processo normalmente frequentam a intimidade do
casal.
Procurados pela Folha desde a semana passada, Turner e Figueiredo não foram
localizados.
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 18/12/2003
Governo Lula é bem avaliado por 41%, diz Ibope
DA
SUCURSAL DE BRASíLIA
Pesquisa Ibope divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria)
mostra que 41% consideram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ótimo ou bom, contra 43% que aprovavam o governo em setembro. A margem de erro
é de 2,2 pontos percentuais.
Segundo o presidente da CNI, Armando Monteiro, a pesquisa revela que o
presidente tem um fôlego "impressionante": "O governo mantém-se
com um capital político muito sólido", disse. "O presidente, apesar
de todas as dificuldades ao longo do ano, mantém um nível de aprovação que só
tem paralelo com o do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso
[1995-1998]."
Na primeira pesquisa feita neste ano, em março, 51% consideravam o governo
ótimo ou bom. Essa taxa caiu para 43% em junho e permaneceu inalterada em
setembro. O Ibope disse em seu estudo que a redução das taxas de juros, a ação
da Polícia Federal na prisão de juízes
e policiais, a grande exposição de Lula em suas viagens ao exterior e a expectativa
positiva para a economia em 2004 ajudam a manter a boa percepção sobre Lula e
seu governo.
Os 41% de avaliação "ótima" ou "boa" de Lula superam o
resultado aferido ao final do primeiro ano dos governos de José Sarney
(1985-1990), Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994) e do
segundo mandato de FHC (1999-2002). Em 1995, FHC teve 43% de avaliação
"ótima" e "boa". Mas, naquele ano, a economia cresceu
4,22%. Já 2003, segundo Monteiro, "foi um ano duro, de crescimento zero,
de perda de renda da população assalariada, um ano de mais dificuldades, o que
sem dúvida nenhuma dá ao Lula uma posição de maior vantagem" em relação ao
ex-presidente.
A pesquisa foi feita de 4 a 8 de dezembro, com 2.000 entrevistas em 145
municípios. A confiança em Lula ficou em 69% em dezembro, comparada a 70% em
setembro e 80% em março. O combate à fome e à pobreza foram considerados os
melhores resultados do governo até agora. As piores atuações foram no combate
ao desemprego e na segurança pública. (PATRICIA COSTA)
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 18/12/2003
Ex- auditora
reconhece ter sonegado renda
Em depoimento à CPI da
Pirataria, Norma Cunha tenta envolver diretor da PF com suspeitos de venda de
sentenças
ANDRéA
MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASíLIA
A auditora fiscal aposentada Norma Regina Emílio Cunha tentou justificar parte
dos US$ 550 mil e dois quilos de ouro encontrados pela Polícia Federal em sua casa dizendo que foi dona
de um garimpo cujo rendimento nunca declarou. Também colocou o atual diretor da
PF, Paulo Lacerda, no rol de policiais que frequentavam sua casa e o gabinete
do ex-marido, o juiz João Carlos da Rocha Mattos.
Segundo o Ministério Público, o juiz seria o mentor de uma suposta quadrilha
que extorquia dinheiro, traficava influência e vendia sentenças judiciais. A
suposta atuação do grupo é investigada pela Operação Anaconda. Rocha Mattos e
sua ex-mulher estão presos por conta dessa denúncia.
As afirmações de Norma foram feitas a deputados, como testemunha da CPI da
Pirataria. O garimpo, em Cuiabá (MT), teria
lhe dado ""muito dinheiro".
Lacerda disse que nunca foi à casa de Norma, que fica em São Paulo. Mas
confirmou que esteve algumas vezes no gabinete de Rocha Mattos. O propósito da
visita seria tratar de assuntos relativos a algumas CPIs que assessorou.
"Não há nenhum ilícito nesses encontros. O juiz João Carlos sempre foi
crítico da corrupção do Judiciário", afirmou Lacerda.
O diretor-geral da PF afirmou que a última ocasião em que esteve no gabinete do
juiz foi em 2001, para pedir ao magistrado que determinasse a condução
coercitiva do empresário Ari Natalino da Silva -acusado de adulterar
combustíveis-para depor na CPI do Roubo de Carga.
Recuo
A maior parte das perguntas feitas pelos deputados foi sobre diálogos gravados
pela PF e pela própria depoente. Em algumas conversas, ela faz referência a
"dinheiro de corrupção" e afirma que seu ex-marido roubava.
Ao depor, no entanto, recuou das acusações. Tratou o conteúdo dos diálogos como
um "conjunto de insinuações", "tentativas [que fazia] para
tentar" se "proteger".
"Passei muito tempo de minha vida investigando, porque queria me vingar
dele. Mas não consegui nada", declarou a auditora aposentada da Receita
Federal.
Ela também não soube explicar a razão, conforme levantamento da CPI, de sua
movimentação bancária ter saltado de R$ 156 mil, em 1998, para R$ 872 mil em
1999.
"A quebra de sigilo fiscal mostra que ela tem movimentação incompatível
com seus rendimentos. Não explicou nada, o que nos leva a crer que ela sabe
mais do que disse", disse a deputada Vanessa Grazziotin (PC do B-AM).
Diante das perguntas sobre supostos amigos de seu ex-marido, Norma afirmou
desconhecer se Rocha Mattos tinha relações de amizade com o chinês Law Kim
Chong, acusado de ser um dos maiores contrabandistas do país.
O presidente da CPI, Luiz Antonio de Medeiros (PL-SP), afirmou que a depoente
estava tentando defender Chong e a chamou de "mafiosa". Diante da
acusação, Norma invocou seu direito de permanecer em silêncio.
O mesmo direito foi acionado quando Julio Lopes (PP-RJ) indagou-a sobre as
fitas gravadas pela PF na investigação do assassinato do prefeito de Santo
André Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Lopes perguntou ainda se ela não responderia para não se incriminar, um direito
que tem por lei, ou se temia pela sua segurança. "Eu me sinto em
risco", declarou.
Ao ser preso, Rocha Mattos, juiz que determinou a destruição das fitas que
teriam sido gravadas em um procedimento da PF considerado ilegal, afirmou que
guardara cópia das gravações na casa de sua ex-mulher e que as fitas estariam
em poder da Operação Anaconda. A PF nega, e deputados ouvidos pela Folha
acreditam que ela tentou corroborar a suspeita levantada pelo ex-marido.
"O depoimento foi uma farsa. Ela mentiu o tempo todo", declarou o
deputado Medeiros.
FOLHA DE S. PAULO | OPINIÃO | 18/12/2003
A escolha do portfólio
As ações empregadas para a
lavagem de dinheiro sujo e o posterior emprego do capital limpo em atividades
formalmente lícitas estão cada vez mais sofisticadas. Doleiros e corretores
oferecem portfólios para lavagens, que afirmam ser seguros.
Já ficou bem para trás o tempo de se apostar, simultaneamente, no vermelho e no
preto das roletas dos cassinos, que se transformaram nas primeiras lavanderias
do dinheiro sujo da criminalidade organizada e de corruptos em geral. Como
sempre dava umas dessas cores, alcançava-se a vantagem de se poder comprovar a
falsa origem do capital: ganho no jogo. Nos países sem cassinos, derivava-se
para a compra do ‘‘bilhete premiado’’ das loterias oficiais, caso do
ex-deputado João Alves, um dos ‘‘anões do Orçamento’’.
Uma das primeiras descobertas sobre a tipologia privilegiada na lavagem apontou
para os patrimônios imobiliários e os depósitos bancários. Em razão disso, o
então presidente Ronald Reagan apostou numa forma de alerta, a envolver as
instituições bancárias. Pela criada Lei Ricco, os bancos norte-americanos
tinham a obrigação de notificar as autoridades sobre depósitos iguais ou
superiores a US$ 10 mil.
Assim, abriu-se uma exceção ao sistema rígido de proteção ao sigilo
profissional. Antes da Lei Ricco, as relações contratuais entre instituições e
correntistas eram guardadas pelo sigilo bancário, uma espécie de sigilo
profissional. A frustração decorreu da proliferação de depósitos sempre pouco
abaixo dos US$ 10 mil.
Em 1973, as 250 maiores instituições financeiras da Europa e dos Estados Unidos
criaram uma cooperativa com o pomposo nome de Society for Worldwide Interbank
Financial Telecomunication, ou simplesmente Swift. A rede Swift de telemática,
sediada na Bélgica, cobre todo o território dos Estados Unidos, Japão e Europa
Ocidental, além de países da América Latina, dentre eles o Brasil.
Numa das salas do majestoso e futurista prédio da Swift, em Bruxelas, pode-se
observar, na parede, uma representação dos pontos de interligações a cobrir o
planeta. Uma teia-de-aranha para operações múltiplas, em curtos espaços de
tempo.
Como se nota, a velocidade nas transações e a infinidade de atalhos tornam
difícil o follow the money, ou melhor, a perseguição ao dinheiro sujo. Pior é
que todos sabem ser a lavagem uma necessidade imprescindível para os corruptos
e para a criminalidade organizada, seja de matriz mafiosa ou terrorista.
Por outro lado, a Swift não tem dever de vigilância sobre movimentações, isto
é, não checa transações suspeitas. Hoje, como afirmam os estudiosos do fenômeno
da criminalidade organizada, a lavagem depende da criatividade do fautor e da
precariedade dos mecanismos de fiscalização. Depois do trágico 11 de setembro,
o presidente George W. Bush percebeu a importância, também para as organizações
terroristas, da lavagem de dinheiro. Numa imagem criada por um dos
colaboradores do Federal Bureau of Investigation (FBI), ‘‘a lavagem de dinheiro
é o banco de sangue que dá vida ao crime organizado’’.
Coube ao governo Bush espalhar escritórios voltados à inteligência financeira,
em centros conhecidos internacionalmente como locais de lavagem e de
ineficiente fiscalização. Em São Paulo e Brasília foram instalados dois desses
escritórios norte-americanos, com autorização concedida no governo FHC. Também
tornou-se mais ativo, na luta contra a lavagem, o Grupo de Ações Financeiras
(Gafi), criado em 1989 pelos sete países mais industrializados do mundo (G7).
Em 1998, entrou em vigor no Brasil a lei sobre lavagem de dinheiro. Essa lei
criou um órgão de inteligência financeira denominado Conselho de Controle de
Atividades Financeiras (Coaf). Tudo sem prejuízo, guardados os seus campos de
competência, das atuações do Banco Central, da Polícia
Federal, do Ministério Público, da Receita Federal, das Comissões
Parlamentares de Inquérito (CPI), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da
Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Secretaria de Previdência
Complementar, no que tange aos Fundos de Pensão.
Na semana passada, o ministro da Justiça anunciou mais um órgão e o início de
trabalhos para a definição de uma Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de
Dinheiro. Talvez tenha percebido os resultados inexpressivos obtidos no governo
anterior, fato que favoreceu o crescimento da Lavanderia Brasil.
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 18/12/2003
Leilão de aviões
A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) arrecadou ontem R$ 637 mil com o leilão de oito aviões apreendidos pela Polícia Federal em operações de combate ao narcotráfico. O resultado superou em quase 100% a avaliação inicial dos aviões, informou o leiloeiro oficial Jayme Simões, da empresa de leilões Sodré Santoro. Os compradores, em sua maioria fazendeiros, empresas de táxi aéreo e oficinas de reforma e venda de aviões de pequeno porte, terão 24 horas para fazer o pagamento. Alguns aviões haviam sido apreendidos pela Polícia Federal 17 anos atrás e aguardavam até hoje liberação judicial para que pudessem ser vendidos.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 18/12/2003
Justiça
decreta afastamento de Herman da PF
Agente teve também seu
sigilo bancário quebrado e seus bens declarados indisponíveis
FAUSTO MACEDO e FABIO DIAMANTE
A Justiça Federal decretou o afastamento do agente da Polícia Federal César Herman Rodriguez, acusado
de integrar suposta organização criminosa para tráfico de influência, corrupção
e venda de sentenças.
Capturado pela Anaconda em 30 de outubro, Herman continuava formalmente
ocupando o cargo. A decisão foi tomada pela juíza Tânia Regina Marangoni Zauhy,
da 16.ª Vara Federal Cível, que acolheu pedido de liminar da Procuradoria da
República em ação civil por improbidade administrativa.
A juíza decretou também a indisponibilidade de bens e a quebra do sigilo
bancário de Herman, que teria sido sócio oculto de escritório de advocacia no
Itaim que serviu de "reduto da quadrilha". A medida judicial é
extensiva ao delegado-corregedor da PF Alexandre Morato Crenitte. Os dois
teriam exigido R$ 500 mil para favorecer o empresário Ari Natalino - dono do
Grupo Petroforte, apontado como fraudador de combustíveis.
Segundo o Ministério Público Federal, os atos de improbidade ocorreram em
fevereiro e em março. Herman e Crenitte foram flagrados em escutas telefônicas
autorizadas pela 10.ª Vara Federal de Brasília. As gravações revelam
negociações entre os policiais e o advogado do empresário, Wellengton Carlos de
Campos. A mulher de Natalino, Débora Aparecida da Silva, e o advogado também
são acusados.
A interceptação telefônica levou à prisão do contrabandista Roberto Eleutério,
o Lobão, acusado em outro processo criminal por corrupção ativa que envolve o
juiz João Carlos da Rocha Mattos - preso pela Anaconda como mentor da
organização para venda de sentenças. Segundo a Procuradoria, Crenitte teria
revelado a Wellengton informações sigilosas sobre mandado de busca e apreensão
na casa de Maria Aparecida Pessuto, ex-mulher de Natalino, o que permitiu a
ocultação de documentos.
'Indesejável' - Para a juíza Tânia Zauhy, a permanência de Herman e de Crenitte
nos quadros da PF "não é só indesejável como inaceitável, já que se
prevaleceram dos honrosos cargos que ocupavam, o primeiro junto à Delegacia de
Repressão ao Crime Organizado e o segundo junto à Justiça Federal Criminal,
para praticarem crimes graves em conluio com criminosos".
A magistrada destacou que os atos criminosos praticados "por funcionários
responsáveis pelo combate à criminalidade apresenta gravidade ímpar, posto que
deixam na sociedade um sentimento de perplexidade e desproteção".
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 18/12/2003
Norma chegou a ter no banco mais de R$ 800 mil
EDSON LUIZ
BRASÍLIA - A movimentação bancária da auditora fiscal aposentada Norma Regina
Emílio Cunha nunca foi inferior a R$ 150 mil, entre 1998 e 2002. Em 1999, por
exemplo, ela tinha um saldo anual de R$ 870 mil e, em 2001, de R$ 712 mil. A
quebra de sigilo foi feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da
Pirataria, que ontem ouviu o depoimento de Norma. A oitiva pouco revelou sobre
o esquema, mas Norma confirmou, entretanto, que abriu uma empresa offshore no
exterior e que não havia declarado à Receita Federal os US$ 550 mil encontrados
em sua casa pela Polícia Federal,
durante a Operação Anaconda.
Norma confirmou também a relação de seu ex-marido, o juiz federal João Carlos
da Rocha Mattos, com o chinês Law Kin Chong, acusado de contrabando, e pediu
para não responder nada sobre as supostas fitas relacionadas à morte do
prefeito de Santo André, Celso Daniel. As fitas foram apreendidas em sua casa
pela PF. "Foi blefe", afirmou a deputada Vanessa Grazzotin (PC do
B-AM), ressaltando não acreditar que Norma possua cópia do material.
A auditora chegou por volta das 14 horas na Câmara, escoltada por quatro
agentes federais fortemente armados e por cerca de 10 seguranças da Casa.
Foi diretamente para o serviço médico, alegando problemas de saúde. Uma liminar
da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, impediu que seu
depoimento fosse gravado ou filmado. Norma contou que gravava todas as suas
conversas telefônicas como medida de segurança: "Passei a ter medo quando
me uni ao João Carlos. Não estava preparada para isso. Achava que ele já tinha
enlouquecido."
A ex-mulher de Rocha Mattos confirmou que o juiz levou o filho de 12 anos do
casal a um jantar com Law Chong, mas afirmou que não tinha relação com o
suposto contrabandista. Apesar da negativa, descreveu corretamente onde se
localiza o shopping pertencente ao chinês. No círculo de relações do juiz,
Norma citou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, que teria freqüentado o
gabinete da 4ª. Vara, onde Mattos trabalhava. Ela confessou ter aberto uma
conta em um banco de Paris e uma empresa num paraíso fiscal, conforme
documentos encontrados pela PF. "Queria fazer uma obra social",
disse, referindo-se à offshore.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 18/12/2003
Justiça manda 5 de volta para a cadeia no caso dos fiscais
Cinco dos 22 condenados por participação no esquema de remessa ilegal de dólares para a Suíça que estavam soltos terão de voltar para a cadeia, por decisão do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região. Os desembargadores negaram ontem os pedidos de habeas-corpus de 11 condenados. Seis fiscais de renda continuavam presos aguardando a decisão. Os cinco envolvidos no "propinoduto" que perderam o direito à liberdade são os empresários do jogador Ronaldo, Alexadre Martins e Reinaldo Pitta, os executivos da Coplac, onde funcionava a representação do Discount Bank no Brasil, Herry Rosemberg e Ronaldo Adler, e a secretária Marlene Rozen.
CORREIO BRAZILIENSE | POLÍTICA | 18/12/2003
Ex-mulher de juiz na CPI
Da
Redação
A movimentação bancária da auditora fiscal aposentada Norma Regina Cunha nunca
foi inferior a R$ 150 mil, entre 1998 e 2002. Em 1999, por exemplo, ela tinha
um saldo anual de R$ 870 mil e, em 2001, de R$ 712 mil. A quebra de sigilo foi
feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria, que ontem
ouviu o depoimento de Norma, ex-mulher do juiz federal João Carlos da Rocha
Mattos, que como ela, foi preso pela Operação Anaconda.
O depoimento de Norma pouco revelou sobre o esquema, mas ela confirmou que
abriu uma empresa offshore no exterior e que não havia declarado à Receita
Federal os US$ 550 mil encontrados em sua casa pela Polícia
Federal (PF), durante a ação policial. Norma tentou justificar parte
do dinheiro achado em sua casa junto com dois quilos de ouro dizendo que foi
dona de garimpo, cujos rendimentos nunca foram declarados.
Norma também confirmou a relação do ex-marido, o juiz federal João Carlos da
Rocha Mattos, com o chinês Law Kin Chong, acusado de contrabando, e pediu para
não responder nada sobre as supostas fitas relacionadas à morte do ex-prefeito
de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel. As fitas foram apreendidas em
sua casa pela PF. Norma também colocou o atual diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, no rol de
policiais que frequentavam sua residência e o gabinete do ex-marido.
CORREIO BRAZILIENSE | BRASIL | 18/12/2003
PF indicia 27 pessoas por tráfico de órgãos
A Polícia
Federal concluiu as investigações sobre tráfico de órgãos e 27 pessoas
foram indiciadas. Todas elas são acusadas de participar de quadrilha
internacional de comércio de rins, identificada no fim de novembro, em Recife,
após sete meses de investigações e 14 prisões. Um capitão da polícia militar
pernambucana e um major do Exército israelense lideravam o esquema que, segundo
investigação da PF, movimentou US$ 4,5 milhões.
A quadrilha fornecia rins de brasileiros pobres para doentes ricos de países
como Israel e Irã. Os transplantes eram feitos na cidade de Durban, na África
do Sul. O militar israelense cuidava dos contatos internacionais, enquanto o
capitão Ivan Bonifácio da Silva recrutava homens pobres em favelas de Recife.
Um rim custava entre US$ 6 mil e US$ 10 mil.
Pelo menos 30 pessoas — há versões de que são 50 — viajaram para África do Sul.
Antes da viagem, os brasileiros passavam por um bateria de exames, todos feitos
pelo mesmo médico, doutor José Sílvio Boudoux, preso desde a semana passada.
Policiais federais estão convencidos de que a rede de comércio ilegal de órgãos
é bem mais complexa do que parece. Com o indiciamento sacramentado, a
Procuradoria da República em Pernambuco tem uma semana para acatar ou não
denúncia.
CORREIO BRAZILIENSE | POLÍTICA | 18/12/2003
Mazloum mal
na fita
Escutas telefônicas com
autorização da Justiça revelam diálogos comprometedores entre o juiz federal do
caso do TRT de São Paulo com o doleiro Toninho Barcelona, indiciado na CPI do
Narcotráfico
Bernardino Furtado
Enviado especial
São Paulo — O Conselho Especial do Tribunal Regional Federal da 3ªRegião,
sediado em São Paulo, que se reúne hoje para receber ou rejeitar a denúncia
contra os juízes Casem Mazloum, Ali Mazloum e João Carlos da Rocha Matos, com
base nas investigações da Operação Anaconda, terá também farto material que
mostra a intimidade de Casem, titular da 1ª Vara Federal Criminal, com o
megadoleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona. Indiciado na CPI
do Narcotráfico, processado por lavagem de dinheiro no caso Banestado e, mais
recentemente, por operar um verdadeiro banco clandestino que movimentou
centenas de milhões em contas bancárias no exterior, Toninho cultivava uma
amizade com Casem Mazloum que durou pelo menos até março de 2003, segundo
escutas telefônicas realizadas com autorização judicial.
Casem Mazloum é o juiz que absolveu o empresário Luiz Estevão e condenou o juiz
Nicolau dos Santos Neto do processo sobre o desvio de R$ 169 milhões da obras
do Tribunal Regional do Trabalho, de São Paulo.
A interceptação telefônica, feita a pedido do Ministério Público Federal de
novembro de 2002 a março de 2003, mostra que Casem Mazloum manteve encontros
com Toninho na sede da Barcelona Tur, no Centro de São Paulo. Escondido atrás
da fachada legal de agente de viagens, Toninho negociava pagamentos no exterior
para clientes, em troca de dinheiro vivo ou cheque no Brasil. Para isso,
contava com empresas off-shore no Uruguai, como a Vilacor, e empresas
financeiras especializadas em lavagem de dinheiro como a Beacon Hill Service
Co. (BHSC), fechada pela Justiça americana em meados do ano passado. Operava
também com contas de doleiros, como a Lespan. No Brasil, tinha empresas
fantasmas destinadas pagar e receber em reais.
Em um diálogo gravado com o também doleiro Ali Chahime, sócio em outras
empresas, Toninho diz que tem de cobrar comissão para trocar euros em espécie
por dólares. Fica claro na conversa que Toninho remete a moeda européia em
espécie, recebida de clientes, por meio de mulas que viajam para o Uruguai.
‘‘Tenho que cobrar, velho... Eu pago para levar meus euros embora, porque eu
mando tudo para a Lespan’’, diz Toninho. Ele explica que, quanto maior o volume
de cédulas, maior a comissão. ‘‘Se for notas grandes, de 500 e 200 (euros),
custa 1,5%. Se forem notas abaixo de 200, custam 2%’’, afirma.
Casem Mazloum, que compareceu ao casamento de Toninho Barcelona, em fevereiro
do ano passado, era muito cuidadoso nas conversas por telefone com o doleiro.
Os procuradores que trabalharam na investigação sobre as atividades da
Barcelona Tur, perceberam que, quando não podiam se encontrar, os dois amigos
usavam linha telefônicas que consideravam seguras para conversar, evitando as
linhas fixas da agência de turismo, que foram efetivamente grampeadas com
autorização judicial. Uma linha telefônica de Toninho, provavelmente de um
celular, recebeu o código de ‘‘neguinho’’. Casem liga para a Barcelona Tur e
pede para Toninho acordar o neguinho. A conversa acaba aí.
O Ministério Público Federal está convencido de que Toninho montou um rede de
proteção para suas atividades que incluía, além de Casem Mazloum, o juiz
federal João Carlos da Rocha Mattos, e pelo menos seis delegados da Polícia Federal em São Paulo. Toninho
recompensava os ‘‘amigos’’ com passagens aéreas, pagamento de contas pessoais e
dinheiro. O episódio mais explícito detectado nas escutas telefônicas envolve o
delegado da PF Antonio Manuel Costa, que mora no mesmo prédio de Casem Mazloum.
Costa também tratava Toninho com intimidade e chegou a prestar depoimento a
favor do doleiro num processo que tramita em Cascavel (PR) por lavagem de
dinheiro por meio das chamadas contas CC-5 (de residentes no exterior). No
depoimento, Costa atesta a legalidade dos negócios da Barcelona Tur e o chama o
doleiro de honesto e trabalhador.
Em uma das interceptações telefônicas, Costa pede dez mil a Toninho. Não há
referência a moeda, mas Costa insiste para que Toninho mande entregar o
dinheiro a ele até as 4h da tarde. Toninho atende prontamente ao pedido e
depois entabula com o delegado uma conversa sobre a sucessão na
Superintendência da Polícia Federal de
São Paulo.
A mulher de Toninho, Patrícia, em conversa com o tio e funcionário do doleiro,
José Diogo, avalia que as autoridades federais que freqüentam a Barcelona Tur acabam
afetando os nervos de Antonio Oliveira Claramunt. Ela se refere à presença de
Casem Mazloum e do delegado Marcus Vinicius Deneno, chefe da Polícia Federal em São José dos Campos. ‘‘Esse
pessoal toma muito tempo e não resolve nada’’, reclama Patrícia.
Antonio Oliveira Claramunt
Toninho Barcelona é um doleiro graúdo que teve suas empresas, lideradas pela
Barcelona Tur, estouradas em operação comandada pelo Ministério Público Federal
em março deste ano. É processado por usar laranjas para remeter dinheiro para o
exterior por meio das contas CC-5 do Banestado.
Pelo telefone
Casem Mazloum liga várias vezes para Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho
Barcelona. Tratam-se com intimidade. Casem visita o escritório de Toninho, na
Barcelona Tur, e até combinam conversa em telefone que consideram a salvo de
grampos.
Diálogo 1
Funcionária de Toninho Barcelona: — Boa tarde!
Casem Mazloum: — Boa tarde. O Toninho, por favor.
Funcionária: — Quem fala?
Mazloum: — É o Casem.
Funcionária: — Um minutinho, doutor. Doutor Casem, né?
Mazloum: — Isso.
Funcionária: — Um instante.
Toninho: — Oi!
Mazloum: — Oi, tudo bem?
Toninho: — Tudo e você?
Mazloum: — Tudo jóia. O telefone lá.... tá....
Toninho: — Em dois minutinhos tá no ar.
Mazloum: — Ah. Tá bom.
Toninho: — Obrigado... Até lá.
Diálogo 2
Funcionária de Toninho Barcelona: — Boa tarde!
Mazloum: — Boa tarde. O Toninho, por favor.
Funcionária: — Quem fala?
Mazloum: — É o Casem.
Funcionária: — Só um minutinho, doutor, por favor.
Toninho: — Opa!
Mazloum: — Oi!
Toninho: — Tudo bem?
Mazloum: — Tudo bem!
Toninho: — Tudo ótimo!
Mazloum: — Ô, escuta...
Toninho: — Ahã...
Mazloum: — Acorda o neguinho lá pra gente falar com ele.
Toninho: — Tá bom. Tchau.
Mazloum: — Tchau.
Diálogo 3
Toninho: — Oba!
Mazloum: — Oi!
Toninho: — Tudo jóia?
Mazloum: — Tudo bem?
Toninho: — Tudo joinha.
Mazloum: — Você já almoçou?
Toninho: — Tô comendo.
Mazloum: — Puta, rapaz, você come aí mesmo, né?
Toninho: — Eu como aqui mesmo. Quando não tem visita para a gente comer fora,
eu acabo comendo aqui.
Mazloum: — Tudo bem, daqui a meia hora, eu to aí, então.
Toninho: — Ah, tá legal.
Mazloum: — Até já.
José Diogo, gerente de liquidação de operações ilegais de câmbio da Barcelona
Tur e tio de Toninho, conversa com a mulher do doleiro, Patrícia, que também
trabalha na empresa. Patrícia reclama do mau humor do marido e cita o juiz
Casem Mazloum e o delegado Marcus Vinicius Deneno, chefe da Polícia Federal em São José dos Campos (SP).
Patrícia: — Eu não tenho nem coragem de cobrar. Agora eu fui falar com ele
(Toninho) e ele desligou o telefone na minha cara.
José Diogo: — Nossa!
Patrícia: — Nossa, até chorei.
Diogo: — Mas, assim desse jeito, de graça?
Patrícia: — É que tá Deneno aqui, tá Casem, esse pessoal toma muito tempo e não
resolve nada e ele (Toninho) tem de ficar conversando e fica nervoso.
O delegado da Polícia Federal de São
Paulo, Antonio Manuel Costa, liga várias vezes para Toninho Barcelona, em tom
de intimidade. Em certa oportunidade, pede 10 mil ao doleiro (não se sabe se em
reais ou em dólares) e chega a discutir com Toninho sobre a sucessão na chefia
da Superintendência da PF em São Paulo, no começo do governo Lula.
Diálogo 1
Costa: — Toninho, é o seguinte: eu estou precisando de 10 mil.
Toninho: — Então, você estava.
Costa: — Mas, escuta. Você leva lá agora. Você tem alguém que me trouxesse
aqui. É muita coisa..., mas...
Toninho: — Não, não, é muita coisa não. Eu só peço encarecidamente que você me
aguarde até três e meia, quatro horas. É muito tarde?
Costa: — Três e meia dá?
Toninho: — Três e meia? É, entre três e meia e quatro, porque eles estão no
trânsito.
Costa: — Então, tá legal.
Toninho: — Chegando aqui, eu já te mando, então a gente nunca sabe se chega na
hora, ou se não chega na hora.
Costa: — Porque senão eu vou aí, você entendeu?
Toninho: — Não. Eu mando, eu mando. Pode ficar tranqüilo!.
Costa: — Não passa das quatro não?
Toninho: — Não passa.
Diálogo 2
Costa refere-se a amigo comum. Toninho fica em dúvida e pergunta se é o
gordinho, se é o do interior. Os investigadores suspeitam que se trate de
Marcos Vinicius Deneno, chefe da PF de São José dos Campos e amigo íntimo de
Costa e de Toninho. Costa esclarece que é o do prédio dele. Costa e Casem
Mazloum moram no mesmo prédio, na rua Brás Cubas, em Guarulhos (SP).
Costa: — Então, quede o... ele tá de férias ou está viajando?
Toninho: — Quem?
Costa: — O nosso amigo lá...
Toninho: — O gordinho?
Costa: — Sei lá que gordinho...
Toninho: — Qual, o gordinho do interior?
Costa: — Não.
Toninho: — Não? O outro?
Costa: — O... no meu, o no meu prédio.
Toninho: — Ah! Esse aí tá viajando. Está com os filhos lá no, com a mãe, né.
Obs: Mazlou separou-se da mulher, que mudou-se para o Líbano. Os filhos passam
parte do tempo lá, com a mãe.
Toninho: — Mas parece que a superintendência é do Marco, né?
Obs: Supõe-se que seja Marco Antonio Veronezzi, velho delegado da PF paulista.
Costa: — É, é dele já. Agora amanhã, assume outro lá, em Brasília, né.
Toninho: — Tô fodido!
Costa: — Ah! Que que isso?
Toninho: — Na bronca que ele tá de mim daquela história...
Costa: — E eu não valho nada?
Toninho: — Não! Você vale muito!
Costa: — Porra, meu! Que que é isso! Se fizer com você, faz comigo, pó!
Obs: Costa erra na previsão. Veronezzi não foi nomeado superintendente.